sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Como Fazer uma Luminária de Mesa com Garrafa Pet

Para a decoração de seu ambiente ser renovada faça uma luminária de mesa com garrafa Pet, que ao final nem vai parecer que foi feita com um material reciclável.
Esta luminária de mesa com garrafa Pet tem modelo sofisticado e elaborado. Foto: ohohblog.com

Para fazer esta linda e diferente peça de decoração você irá precisar de:
  • 1 garrafa Pet;
  • 1 pisca-pisca;
  • Tesoura comum;
  • Lápis;
  • Régua;
  • Papel branco mais grosso;
  • Fita adesiva dupla face;
  • Cola em bastão;
  • Papel de seda branco. 
Comece cortando a parte de cima da sua garrafa Pet, com o auxílio da tesoura comum e com a altura que você quiser. Lembrando que a altura da garrafa Pet cortada será o tamanho final de sua luminária. E faça um corte na parte debaixo da sua garrafa Pet, para você passar o fio do pisca-pisca posteriormente.

Fotoohohblog.com

Em seguida, passe o fio com a tomada pela parte cortada anteriormente na parte debaixo da garrafa Pet e encha a sua garrafa Pet com o pisca-pisca, organizando-o da forma que você quiser ou apenas acomodando-o com as suas lâmpadas de forma aleatória. Depois, no papel branco mais estruturado, desenhe formas geométricas de sua preferência, podendo ser hexágonos, pentágonos, losangos ou a forma ou desenho que você quiser. Então recorte a parte interna estes desenhos, deixando-os vazados. Corte pedaços do papel de seda branco e cole, com o auxílio da cola em bastão, sobre estes desenhos vazados, mas pela parte de dentro, a parte que ficar em contato com a garrafa Pet.  E faça um teste com o papel para ver se está com o modelo que você quer.

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Logo após, para finalizar a sua peça, basta fixar o papel ao redor da garrafa Pet, com o auxílio de pedaços de fita adesiva dupla face. E está pronto!
Fotoohohblog.com 

Cuidado, utilize apenas luzes lâmpadas LED. Caso contrário, pode superaquecer e ser perigoso.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Comitê Rio 2016 Recebe Certificação ISO 20121 de Gestão Sustentável de Eventos


Estivemos hoje, dia 27, num agradável encontro no Comitê Rio 2016, que acaba de receber a certificação ISO 20121:2012 para gestão sustentável de eventos. A ISO 20121 é uma norma internacional que assegura o planejamento e entrega de eventos com menor impacto ambiental e social e ainda legados positivos para a cidade e sociedade.


Neste encontro, o presidente do Comitê Rio 2016 Carlos Arthur Nuzman e a Gerente Geral de Sustentabilidade do Rio 2016, Tania Braga receberam da SGS a certificação ISO 20121 e comentaram sobre a importância de receber tal certificação e o legado que ela deixará para o setor de grandes eventos no país.

Criada em 2012, a norma ISO 20121 certifica o organizador do evento atestando que a organização trabalhou de forma ampla, sustentável, social, ambiental e com boas práticas de gestão, o que inclui toda a cadeia de produção, consumo de água, produção de resíduos sólidos e consumo de energia e efeitos sobre a biodiversidade, além da seleção de fornecedores e contratados.

No Brasil apenas o "Rock in Rio" tem esta certificação. A certificação faz parte da agenda 2020 do Comitê Olímpico Internacional e será obrigatória nas candidaturas a partir de 2024.


Na foto, o presidente Carlos Arthur Nuzman, a gerente-geral de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado do Comitê  Tânia Braga e sua equipe, Flávio Medeiros, Julie Duffus e Simone Unanue recebem das mãos da SGS a certificação.


Sobre a SGS
A SGS é líder mundial no domínio da Inspeção, Verificação, Análise e Certificação, com sede em Genebra - Suíça.  Fundada em 1878 e reconhecida como referência mundial em qualidade e integridade. Conta com mais de 85.000 colaboradores e opera uma rede com mais de 1.800 escritórios e laboratórios em 142 países.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Prevenção e Educação para o Desastre


Fumaça branca no Porto de Santos. Na páscoa passada já aconteceram explosões em Santos. Mas desta vez é diferente, estamos falando de gás incolor e tóxico.

Da janela do escritório no sexto andar enxergamos a nuvem de fumaça. Dos meus conhecimentos prévios, a fumaça branca significava apenas vapor de água. A internet informa em notícias que seria um derivado de cloro, queimando na margem esquerda do Complexo do Porto, no município do Guarujá.


Orientações prévias: fechar janelas, ficar atento aos sintomas, procurar um posto médico em caso de sintomas. Minutos após a notícia de que seria amônia, facilmente atraída pela água (estava garoando) e que poderia provocar chuva ácida. Nova notícia informava que o vento estava colaborando e a fumaça estava se dirigindo à Serra do Mar. A Serra do Mar, um dos últimos resquícios de Mata Atlântica. Mas enfim a população estava protegida pelo vento.

Quando a noite chega o vento muda de direção. A fumaça já se espalha pelas cidades de Santos, Guarujá e Cubatão. Novamente orientações de fechar portas e janelas e cobrir frestas com panos secos, dizia a Defesa Civil, ou panos úmidos conforme os especialistas na imprensa. Foi evacuada a área num raio de 3 quarteirões do local da ocorrência.


Do outro lado do canal do porto, dentro de casa, tudo fechado, ar condicionado ligado e a sensação de estar presa e sem ter pra onde fugir. Busco na internet uma ficha técnica sobre amônia e lá diz que seus efeitos afetam a vida marinha e persistem por longos anos. Lembro então do mangue. O mangue de Santos que é considerado um dos grandes berçários de vida marinha no mundo, ele e o Porto dividem espaço. Triste sina.


Sempre nos preocupamos com a derrubadas de árvores, com a sujeira dos rios, mas o perigo desta vez era invisível, apesar de anunciado por um cheiro ardido forte. Invisível e encurralador. Tecnicamente não sei ainda explicar qual foi a reação química ou a substância. Em verdade, mesmo os técnicos e autoridades estão analisando para responder. Contudo, a vida é muito frágil e nem sempre resiste ao tempo necessário para análises.

Santos foi declarada a cidade com maior índice de qualidade de vida do país. O melhor lugar para se envelhecer. Ao mesmo tempo em que concentra um símbolo econômico emblemático - o Porto. Que frágil é este equilíbrio.

Quanto à natureza é difícil prever o que vai acontecer, se o vento vai colaborar e até quando. Quanto à atividade econômica aqui desenvolvida, a questão é mais previsível. No mínimo, já deveríamos a este altura ter planos de contingência eficazes. O maior Porto do país não providenciou ainda uma atividade educativa de prevenção. A população não sabe o que fazer no momento do incidente. Já tratei antes no blog sobre o Direito dos Desastres e a experiência do Japão quanto a isto (releia em É da Sua Conta, Sim!).


É passada a hora de verificar o que podemos fazer para nos precaver. O último desastre, em abril de 2015, onde os tanques de gás queimaram por mais de 7 dias, deveria ter ensinado algo, deveria ser um marco na elaboração de planos, estudos e projetos de educação para as dificuldades. Precisamos estar preparados para lidar com o pior e minimizar os danos. Afinal, prevenção faz parte da qualidade de vida. E o Porto de Santos não pode parar.


Enquanto seguimos atentos à nossa respiração, sobrevivendo, os laudos ambientais e multas somente virão em alguns meses. Toda atividade econômica implica riscos, mas talvez a população esteja demasiado próxima do Porto, ou o Porto próximo demais de ecossistemas importantes. Certamente que as decisões que virão serão multidisciplinares, sem isso, mais que o título de número um do Brasil em qualidade de vida, Santos estará (já está) arriscando a saúde da população. Aqui passamos do nível do saudável para o habitável.

A que ponto chegamos e até que ponto aguentaremos?

Clique aqui para ler mais artigos de Janaína Helena Steffen

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Efeito Borboleta: O Mundo das Consequências


Quando pensamos em causas e consequências sabemos que todas as nossas decisões e ações possuem consequências sejam elas boas ou ruins, o difícil é pensar até que ponto podem chegar.

O pensamento holístico sobre as situações é muitas vezes atenuante das consequências, tendo em vista que, se mensurarmos com algum critério os vários caminhos que nossa ação pode ter, a previsão de impactos é mais realista.

Infelizmente, o que ocorre com mais frequência é o pensamento encaixotado e com limitação direcionada pelo capital, que cega o bom senso e promove um olhar mais imediatista. Vou tentar pontuar algumas situações e discorrer até o ponto que acredito ter consequências, entretanto, certamente elas não findam onde minha mente se restringe e nem onde essas poucas linhas têm a possibilidade de chegar.

Ao longo dos últimos anos tem-se falado incessantemente sobre o desmatamento como um grande agente de impacto ambiental negativo, fato que pode ser ressaltado pelas recorrentes campanhas veiculadas para se atingir o Desmatamento Zero. Assim, podemos iniciar o exercício de encadeamento por essa ação altamente impactante.


O desmatamento ocasiona a supressão da vegetação nativa que provoca a perda de biodiversidade de flora e fauna, algumas vezes endêmicas de determinada região. Esta perda promove a destruição de habitat, e com isso impacta no desenvolvimento natural dos indivíduos. Além disto, o desmatamento também causa o afugentamento e/ou morte da fauna nativa, aumenta o efeito de borda das florestas interferindo no desenvolvimento e sobrevivência de muitas espécies que são características de mata fechada.

Expõe, ainda, o solo de tal maneira que gera processos erosivos, aumentando a incidência de raios solares sobre locais que antes eram sombreados. E, na maioria das vezes, esse impacto ainda é potencializado pela queimada do material desmatado o que provoca, consequentemente, a morte dos microorganismos do solo (fauna edáfica).

O desmatamento ainda é mais danoso quando ocorre em áreas de vegetação ripária (mata ciliar e mata de galeria) consideradas Áreas de Preservação Permanentes. Nessas áreas, além da erosão, gera o assoreamento do leito dos rios, o que afeta a hidrodinâmica e as características físicas e químicas da água. Interferindo, igualmente, em todas as comunidades aquáticas.


Estas ações precedem a formação de pastagem ou culturas extensivas, as chamadas monoculturas, que, inevitavelmente, contaminarão os corpos d’água interferindo na qualidade dos mesmos. Isto porque as culturas extensivas, normalmente, seguem o princípio da produção sem levar em consideração as consequências dos impactos negativos ao meio ambiente, fazendo uso de herbicidas, inseticidas, fungicidas e tantos outros “cidas” próprios das culturas de soja, arroz, milho, trigo, pastagens entre outras.

Saindo do ambiente macro das florestas e seguindo para uma situação micro como, por exemplo, a nossa casa: o que parece um fato insignificante, o ato de descartar o óleo de fritura na pia, gera consequências que muitas vezes não imaginamos. Entope os canos da residência em função da solidificação do óleo, sobrecarrega os sistemas de esgoto, aumentando os custos de saneamento básico para a desobstrução das galerias receptoras.


Quando esse óleo entra contato com corpos d'água, sobrecarrega os microorganismos (Ver mais em: Pequenos Detalhes, Grandes Soluções). O que favorece a explosão populacional dos mesmos que, através do consumo excessivo do oxigênio diluído na água, promovem a morte da fauna aquática e grandes perdas na cadeia alimentar, suscitando na redução da biodiversidade desses ambientes. Quando disposto no solo o óleo pode causar desenvolvimento de microorganismos indesejáveis e fermentação, o que modifica a qualidade do solo e, desse modo, altera a sobrevivência dos microorganismos benéficos ao desenvolvimento da vegetação.

Após a análise de situações macro e micro, podemos analisar um fato ocorrido recentemente, que já vem sendo considerado o maior desastre ambiental do Brasil: trata-se do rompimento das barragens de rejeitos de mineração da SAMARCO no estado de Minas Gerais. As barragens, que foram projetadas para conter rejeitos secos, estavam há dois anos com o licenciamento ambiental vencido. Além disso, represavam rejeitos com muita umidade, o que ampliou a possibilidade de processo erosivo pela infiltração da água no terreno.

Segundo analises, a lama está contaminada com ferro, alumínio e manganês, o que pode causar distúrbios neurológicos. O grande volume vazado de material provocou, de forma imediata, o assoreamento do Rio Doce e o extravasamento do material para suas margens. Isto afetou as matas ripárias comprometendo a vegetação nativa, toda a fauna local e áreas de produção agropecuária próximas, tornando-as improdutivas e impossibilitando a garantia da segurança alimentar de muitas famílias de agricultores.


Ademais, a lama provocou a modificação significativa da qualidade da água do Rio Doce pelo aumento da turbidez da água, alterando a entrada dos raios solares e, consequentemente, a oxigenação da água. Também são decorrência da lama: a morte e a fermentação das plantas aquáticas, que com o excesso dos metais se tornam tóxicos e provocam o envenenamento os indivíduos aquáticos. Este envenenamento é evidenciado através do aparecimento da grande quantidade de peixes nas margens do rio. Este fato, por sua vez, tem impacto social no que tange comunidades ribeirinhas e indígenas, uma vez que, estas têm na pesca sua base alimentar e a geração de renda das suas famílias.


E a lista de impactos causados pela lama continua: o cerceamento do direito ao abastecimento de água para a população de todas as cidades que faziam uso das águas do Rio Doce para consumo, centenas de famílias desabrigadas ou desalojadas, perdas de vidas e pessoas ainda desaparecidas. A lama também afetou a vida das pessoas e a saúde pública, houve grandes perdas nos acervos de arte sacra, imagens e construções centenárias tombadas pelo patrimônio histórico.



Conforme avançava em direção à foz do rio, chegando ao litoral capixaba, a lama alterou a qualidade da água do mar e do sedimento aos manguezais, considerados berçários de uma grande diversidade de animais marinhos. A presença da lama nos sedimentos dos manguezais possivelmente levará os indivíduos à morte ou provocará consequências ainda não mensuradas. A lama que entrou em contato com a água do mar pode influenciar bancos de corais, algas marinhas base da cadeia alimentar, como produtores, gerando um efeito em cadeia. Este efeito prejudica virtualmente todos os organismos aquáticos desde fitoplânctons e zooplânctons até mamíferos e aves que estão no topo de muitas das cadeias alimentares oceânicas.


A depender das correntes marinhas, essa lama ainda tem potencial de chegar até as Ilhas de Trindade e Martin Vaz na costa do Espírito Santo e ao Arquípelago de Abrolhos na costa da Bahia. Este evento afetaria as faunas insulares, que possuem características únicas com ocorrência de muitas espécies endêmicas, além de comprometer suas comunidades pesqueiras e o setor turístico do litoral capixaba.

Frente a esses três fatos que começam em proporções diferentes, mas que podem ter consequências tão desastrosas, a proposta de "agir localmente e pensar globalmente", uma das bandeiras da Agenda 21, está baseada não somente no efeito que boas práticas ambientais podem gerar e ser replicadas. Mas também pode ser pensada [e deve] no sentido que, efetivamente, nossas ações locais podem ter efeitos globais.

Referências:
  • Impactos ambientais e socioeconômicos na Bacia do Rio Taquari - Pantanal / Sérgio Galdino, Luiz Marques Vieira, Luiz Alberto Pellegrin, editores técnicos. - Corumbá: Embrapa Pantanal, 2006. 356 p. ; il.
  • Informe Especial Mariana/MG 13/11/2015 12h do Ministério da Saúde e Secretaria de Vigilância em Saúde

Clique aqui para ler mais artigos de João Paulo Loyola de Oliveira

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

COP-21: Quando Pequenas Vitórias são Apenas Pequenas Vitórias

Nessas últimas duas semanas, o mundo focou sua atenção novamente para Paris. Dessa vez, não por conta de uma tragédia, mas, sim, com um quê de esperança. Após cerca de três anos discutindo, os Estados definiriam um acordo, uma estratégia a ser implementada após o término do Protocolo de Quioto, em 2020.

Cop21 - Paris 2015
  
Vou sair aqui da retórica fácil que muitos veículos internacionais utilizaram, falando que os encontros climáticos anuais parecem o famoso filme “Feitiço do Tempo” (Groundhog Day), estrelado por Bill Murray, onde um homem acorda todo dia preso no mesmo dia e repete seu cotidiano de novo, de novo e de novo. De fato, podemos ver uma lógica nessa argumentação, pois os avanços são pequenos, quase imperceptíveis. E desses que falarei aqui hoje: das pequenas vitórias.


Escrevo esse texto com uma hora do lançamento do acordo final da conferência. Não houve nem mesmo sua votação final ainda – ou seja, é possível que você, leitor, nem mesmo venha a ler essas palavras dado que elas perderão o sentido no caso do acordo não ser aprovado. Mas ao ler esse texto final, é impressionante como o conceito de pequenas vitórias fica explícito: comparando os acordos desde 2009, em Copenhague (e falamos, aqui, portanto, de 6 anos de discussões), as únicas coisas realmente novas que foram introduzidas em Paris foram:

  • Uma ambição aprimorada, focando em um limite máximo de aumento de temperatura média global de 1,5°C (comparada a anterior, definida em 2010, de 2°C);
  • Que os INDC (os compromissos voluntários que cada um dos países começou a fazer a partir do ano passado para reduzir suas emissões) sejam revistos a cada 5 anos, a partir de 2018;
  • E que haja um novo órgão que monitore o sucesso dos INDC vis-a-vis o que o IPCC fala; ou seja, que bata os números que os países estão atingindo com o que os cientistas dizem que precisa ser feito.
(para ampliar a imagem: clique aqui)

Isso é ruim? Não. São de fato pequenas vitórias. Uma ambição de teto de temperatura de 1,5°C é muito melhor do que o cenário anterior, de 2°C, se formos comparar as previsões de alterações sócio-ambientais decorrentes desse aumento. Ela não pode, de forma alguma, não ser louvada. Um órgão para monitorar e centralizar as informações dos INDC, além de sua revisão periódica, é muito interessante, pois irá pressionar pelo aumento de ambição voluntária individual desses países. Muito interessante.


Mas, infelizmente, não basta. O início deste dezembro em Paris mostrou claramente quando pequenas vitórias são apenas pequenas vitórias. Em uma análise emitida nessa semana, cientistas europeus afirmam que o atingimento de 1,5°C como limite máximo de aumento significa transformar o planeta Terra em carbono-neutro em 35 anos. Emissão líquida zero. Outras análises, no seio da conferência, é que o valor total de investimento para que atinjamos um número assim não está na ordem dos bilhões, mas sim dos trilhões de dólares.


Sobre isso, inclusive, o texto final reforça a necessidade de um investimento de US$ 100 bi/ano para que atinjamos esse objetivo. Esse número, também, não é novo. Foi primeiramente acordado em 2012, em Doha. Desde sua institucionalização em dezembro de 2013, ele já levantou US$ 10,3 bi – uma quantia razoável, mas cerca de 5% do que deveria ter captado nesse período.

As pequenas vitórias são mais “pequenas” do que “vitórias” não pela falta de capacidade, arrojo ou mesmo vontade dos negociadores. Não se esperava um processo fácil, pelo contrário. Estamos falando sobre algo (quase) inédito na história da civilização humana, a necessidade de se estabelecer um consenso em escala planetária sobre um tema que afeta diretamente a forma como nós vivemos e produzimos em sociedade. A solução certamente não “cairia no colo” automaticamente.


Mas, a despeito disso, a boa ambição desse ano está descolada de um mapa claro de como atingi-la. Os INDC foram uma alternativa interessante pensada no ano passado para que os países viessem a se comprometer aos poucos, ao longo desse ano, mostrando suas cartas. A partir do INDC, tivemos o interessante acordo sino-americano no início de 2015, a corajosa meta brasileira e até a recente mudança de postura da delegação canadense, que viria a incentivar o novo teto de 1,5°C. Logo, o INDC deve ser louvado como uma boa ideia que rendeu frutos.

  
Mas louvá-lo não é perpetuá-lo, substituí-lo pela necessidade de um acordo vinculante global. O INDC continua sendo voluntário. E é uma comunicação de intenção, não da ação em si. Se o Brasil “mudar de ideia” e não quiser seguir sua meta de 43% de redução até 2030, ok, é isso aí. Além disso, como bem explorado antes da reunião, mesmo que os compromissos voluntários enviados para essa conferência sejam integralmente atingidos, ainda assim ficaríamos aquém da meta de 2°C – quiçá de 1,5°C.

Paris mostrou que pequenas vitórias são, por vezes, apenas pequenas vitórias porque há situações, momentos específicos de nossa história, que precisamos da disrupção. Os últimos 6 anos, viúvos ainda do desastre de Copenhague, mostraram claramente a tímida postura da média dos delegados globais, de tentar jogar para a opinião pública internacional sua preocupação e seus avanços, mas em uma velocidade, escala e efetividade ainda bastante aquém do que é necessário.

Estaria sendo leigo, quase leviano, ao tentar definir aqui, nessas poucas linhas, qual seria, então, o “mapa” para atingir essa nova boa ambição. Mais uma vez, o processo é, sim, complexo, demanda consenso e conta com uma quantidade de atores impressionante. Acompanhando a repercussão, hoje, em um grande portal de notícia, vi um comentário de um internauta (sob o olhar entre a comicidade e incredulidade que tais comentários geralmente despertam): “O modelo técnico-político de tomada de decisões sobre o clima precisa mudar”.

A pergunta, sem resposta ainda, é: qual a alternativa?


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