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terça-feira, 22 de abril de 2014

A Quantas Anda Nossa Resiliência?

Nas últimas semanas, a notícia que circula é que o sistema de abastecimento de água do estado de São Paulo está se esgotando. Na sequência, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) anuncia a realização de um rodízio de racionamento de água.

Autossustentável: Seca na represa Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira

Escassez de água, já vínhamos sendo advertidos sobre isso há muito tempo. Porém, ao invés de agir preventivamente, quando o alerta foi dado, teremos que agir emergencialmente, já que a água no reservatório da Cantareira está abaixo do calcanhar.

No final do século passado e início deste, se cogitava que a conclamada escassez de água era na verdade uma jogada de marketing. Uma forma de incentivar o consumo de água engarrafada. Claro que muitas empresas tiram proveito de tudo, contudo o derradeiro momento chegou.

Improvável que o pessoal do marketing tenha esvaziado as represas e afetado as nascentes. Também não creio que a situação atual seja fruto de lobby. Estamos diante de uma realidade biológica/ geológica.

Autossustentável: Racionalização de Água

Seria mais uma transformação rotineira da natureza, não fosse o fato de que fazemos parte deste sistema. Criamos hábitos e nos acostumamos às facilidades. Além de que, a água é não só desejada, mas necessária em vários setores da vida e também em nosso organismo.

A escassez de água gerará uma série de problemas nas casas, na indústria, no comércio e na saúde da população. Todos, sem exceção, serão afetados.

Há a resiliência dos sistemas naturais. Os movimentos naturais se sucedem, e, via de regra, restabelecem a sua condição original. Quanto tempo isso pode levar? Talvez os biólogos e geólogos possam prever. Contudo, em se tratando da nossa curta duração de vida, é provável que tenhamos um bom período de escassez.

Autossustentável: Resiliência - Poder de recuperação

E a nossa resiliência, aquela capacidade de absorver o impacto e regenerar-se ou adaptar-se em meio à adversidade, a quantas anda?

Se você não possui um poço artesiano e nem coleta e purifica a água da chuva, quantos baldes você possui pra armazenar água para os dias de racionamento? Quantos baldes de água você precisa para tomar um banho e lavar os cabelos?

Autossustentável: Economia de Água

Em 2001, visitei a Índia. Passei um mês em um alojamento, tomando banho de caneca. Havia duas torneiras (uma quente, outra fria), um balde de 5 litros e uma caneca. Ao final de um mês eu já conseguia tomar banho com meio balde de água. Para lavar o cabelo usava 1 balde e mais um pouquinho.

Outro dia fiz uma visita a Monte Alegre do Sul, região do Circuito das Águas paulista, onde conheci uma pessoa que cultiva orquídeas. Ela me informou que, apesar de amar aquelas plantas, se viu obrigada a colocar a sua maioria em troncos de árvores. A escassez de água fez com que ela não pudesse mais regá-las. Então, diariamente, ela celebrava as plantas que estavam conseguindo sobreviver se alimentando do que suas raízes sugavam dos troncos.

Como mencionei antes, a natureza tem uma capacidade bem maior de resiliência que a nossa, talvez, por seguir o ritmo e sempre buscar o equilíbrio...

Autossustentável: Equilíbrio

Já o ser humano... impôs seu ritmo, alterou o equilíbrio e ainda reclama das consequências. Lembra bastante uma criança mimada, um reizinho. E o que acontece com um adulto mimado? Sofre. Sente-se injustiçado. Reclama. Culpa outros.

Autossustentável: Terra Poluída
  
E como age aquele que é resiliente - alguém que está em condições de manter-se firme em meio à adversidade? Que valores esses seres humanos adaptados à realidade de escassez preconizam? Que tipo de decisões e resoluções podemos tomar a fim de mantermos o equilíbrio e a condição de vida sustentável neste cenário?

Pense rápido, pois é chegada a hora de agir!


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quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Relação entre a Vida Moderna e o Aumento da Incidência de Câncer

O embate é travado todos os dias, em todos os lugares, afetando todas as pessoas. Na TV, a grotescamente deslumbrante propaganda de margarina de sempre. No supermercado, uma senhora compra o pacote de fubá que comprou a vida toda, sem notar um novo detalhe no rótulo. No outdoor, uma modelo demasiadamente magra tratada com photoshop invade a cabeça das nossas mulheres pra dizer o quão ruins elas são por não contarem as calorias que ingerem diariamente.

Autossustentável: Saúde x Corpo

Nas redes sociais, alguém atacou o McDonald’s e acusa a Ambev de colocar milho transgênico na sua cervejinha e é rebatido por outro alguém, que diz que está não se importa com essas frescuras e que é melhor relevar, já que ‘tudo’ dá cancer.

É nessa hora que me bate o desespero. Como assim, tudo dá câncer? A desinformação é normalmente mais nociva que a falta de informação, mas quando se trata da epidemia de câncer que assola o planeta nesses tempos, as duas formas de ignorância se alimentam de uma maneira perigosa. O desdobramento lógico da noção de que tudo dá câncer é que não devemos nos preocupar com o hábito de vida, afinal de contas qualquer coisa escolhermos vai nos trazer câncer.

Todas as pessoas vivem com a noção de que irão morrer um dia e que a vida deve ser aproveitada ao máximo, o que, convenhamos, é bastante coerente. Neste sentido, ninguém tem a pretensão de viver pra sempre e já tem a ideia da sua morte razoavelmente assimilada. Aprendemos também que não importa o quão bem nós vivamos, vamos acabar com um câncer, um ataque cardíaco ou um AVC. Só nos resta saber quando.

Autossustentável: Pirâmide Saúde

Acontece que o quando é o ponto fundamental desta discussão. É possível que seja inevitável, nos dias de hoje, ter uma vida regrada e livre de substâncias indutoras de câncer, como: tabaco, álcool, produtos industrializados, poluentes ambientais e afins. Entretanto, há uma clara relação entre produtos de consumo e hábitos de vida que aumentam as chances e antecipam o desenvolvimento de tumores.

Autossustentável: Hábitos saudáveis na velhice

Isso não é nenhuma novidade. Não é à toa que uma britânica branca tem 18% mais chances de desenvolver um câncer que uma britânica de descendência asiática e 15% mais chances que uma britânica negra [1]. Não é à toa que aparentemente vegetarianos têm menor predisposição a tumores que pessoas que ingerem carne [2]. Não é à toa que temos mais um milhão de exemplos. A novidade está na absurda naturalidade com que as pessoas passaram a encarar a avassaladora e pandêmica difusão do câncer nas sociedades mais americanizadas, que cultuam o fast food, a comida industrializada, as drogas lícitas, a industrialização da agricultura, as propagandas, o aparelhamento dos órgãos de controle (FDA, ANVISA e equivalentes), o monopólio do setor alimentício por meia dúzia de companhias...

Autossustentável: 10 piores alimentos para a saúde

Não se deixe enganar. Existe muita gente, em muitos lugares, ganhando dinheiro ao colocar porcarias na sua comida, ao fabricar doenças e propor tratamentos longos e caros para o que eles induziram em você e ao desenvolver novos métodos de te empurrar o que não deveria nem ser considerado comida [3]. Qualquer detalhezinho que aumente a margem de lucro. O segredo para evitar essas armadilhas é estar sempre bem informado e ajudar na difusão destas informações.

Por isso, da próxima vez que estiver passando uma propaganda de margarina na tv, lembre-se de pesquisar se realmente comer aquele plástico de gordura hidrogenada vai fazer sua família, seus filhos e seu golden retriever se tornarem felizes e ensolarados (aliás, experimente deixar margarina caída no cantinho da mesa e observe a pobrezinha ser ignorada pelas formigas e pelas baratas, que entendem de comida de verdade). Também lembre-se de ir com a sua avó ao supermercado de vez em quando, e mostrar pra ela que agora os derivados de milho (quase tudo que existe na Terra!) vêm com um T de transgênico no canto - ou pelo menos deveriam, embora nas cervejas isso seja solenemente ignorado -, para o qual praticamente não existem estudos sobre a segurança de sua ingestão. Aliás, estes poucos estudos indicam uma forte relação entre o consumo de transgênicos e o desenvolvimento de tumores [4], além dos já conhecidos desastres ambientais e sociais às quais essas culturas estão associadas [5]. E também não esqueça de gritar paras demasiadamente magras dos outdoores que muito mais importante do que contar calorias é contar os metabissulfitos, os glutamatos, o bisfenol-A, o aspartame, os conservantes, os agrotóxicos... Embora esses nomes sejam complicados, é extremamente fácil e é uma obrigação pessoal descobrir o que se deve evitar e rapidamente achar uma lista dos alimentos que os contém na internet. Difícil mesmo é recuperar a saúde depois que ela foi trocada por ‘menos calorias’.

Autossustentável: Símbolo Transgênicos

Pedindo perdão antecipadamente ao espetacular George Orwell pela paráfrase de ‘a revolução dos bichos’, tente sempre se lembrar desta velha máxima: tudo que você faz dá câncer, mas algumas coisas dão mais câncer do que outras.

__________________________________

Referências:
[1] http://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/mulheres-brancas-tem-mais-chances-de-ter-cancer-de-mama-diz-pesquisa,f55f39cf6d273410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
[2] http://www.aboaterra.com.br/artigo.php?id=112&Vegetarianos+t%EAm+menos+chance+de+desenvolver+c%E2ncer
[3] http://jornalciencia.com/saude/mente/3756-homem-diz-que-guardou-sanduiche-do-mcdonalds-em-perfeito-estado-por-mais-de-14-anos-em-seu-casaco
[4] http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI322531-18537,00-MILHO+TRANSGENICO+CAUSA+CANCER+EM+RATOS+E+REACENDE+DEBATE.html
[5] http://youtu.be/gE_yIfkR88M


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terça-feira, 15 de abril de 2014

Insegurança Urbana: O Paradigma das Cidades Sustentáveis

Os progressos na agenda nacional e internacional na promoção do desenvolvimento sustentável ainda enfrentam enormes desafios frente aos problemas nos centros urbanos. Nos próximos parágrafos tentarei mostrar brevemente o que se discute a respeito das desigualdades sociais, especialmente pelo economista Amartya Sen, vencedor do prêmio Nobel pelo seu trabalho sobre a economia do bem-estar social. Bem como uma reflexão sobre as Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro.

Autossustentável: Tripé da Sustentabilidade

Com relação à saúde e educação, Amartya sugere que avanços tornando o sistema de impostos mais progressivo diminuiriam a desigualdade, e este processo por sua vez abriria espaço para investimentos em áreas prioritárias como saúde e educação. Diferentes tipos de desigualdades afetam o direito e acesso à saúde, como a desigualdade de renda que exerce influência no modo de vida e consequentemente nas oportunidades de ter uma vida saudável, sem doenças e sofrimentos. Assim como as diferenças entre sexo, gênero e distintos grupos sociais que tornam o acesso e direito à saúde desigual.

Autossustentável: Escola de palha em Balsas no Maranhão

As correlações do aumento da criminalidade com a taxa de desocupação dos jovens, o nível educacional e a relação com a família são amplamente discutidos. Lidamos com altas taxas de repetência e desistência dos estudantes nas escolas e neste processo, a família é a instituição com maior poder e eficácia no incentivo e fiscalização, bem como na prevenção do crime. Quando esta não é bem articulada, e apresenta casos de violência doméstica, por exemplo, é muito provável que a criança ou adolescente irá repetir os mesmos comportamentos.

A inclusão social dos jovens à educação e mercado de trabalho são mecanismos básicos para diminuir a taxa de criminalidade e consequentemente a insegurança urbana, e isto só será possível com investimentos nas áreas de saúde, educação e criação de postos de trabalho decentes.

Desta forma, o voluntariado e a responsabilidade social exercem um papel importante no sentido de influenciar por meio de políticas públicas e sociedade civil, através de ações afirmativas, a inclusão social das crianças, jovens e adolescentes na arte, cultura e lazer, se tornando ferramentas de combate a criminalidade. Em pesquisa realizada pela Universidade Johns Hopkins, somando-se tudo que as ONGs de 35 países analisados produzem, elas seriam a sétima economia do mundo (Amartya Sen, 2010).

Autossustentável: Responsabilidade Social Coletiva

É necessário agir coletivamente, e a responsabilidade social corporativa é uma aliada constante e criativa neste processo, por identificar e enfrentar necessidades, e por inovar e prestar serviços de qualidade àqueles que têm maior necessidade.

No que se refere às políticas repressivas, Amartya Sen (2010) sugere em seu estudo sobre o crescimento da insegurança urbana na América Latina, que a política de “tolerância zero” é um resultado de uma carência do profissionalismo, carreira, salários e treinamento dos polícias, que acabam se tornando vilões, e entram no mundo da corrupção, crimes e drogas. As agressivas atitudes de limpeza nas ruas acarretam uma pressão no sistema penitenciário, provocando efeitos contrários aos desejados.

Autossustentável: Mapa da Violência

Acrescento também outro ponto no que se refere à terceirização dos serviços nas penitenciárias sem melhorar a qualidade da alimentação e dignidade dos presos. As oportunidades de trabalho e aprendizado nas cadeias são as formas mais eficientes de evitar o ciclo prisão-rua-prisão. Um constante trabalho entre polícia, prefeitura e comunidade certamente minimiza os índices de criminalidade ao mesmo tempo em que aumenta a segurança e confiança entre os mesmos.

O caso das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro, as UPPs. Muito se discute sobre seus impactos e benefícios no combate a criminalidade e homicídios nas favelas cariocas. Questões muito delicadas demonstram a dificuldade de implantação e sucesso do programa, ainda que considerado como uma medida necessária no desarmamento do crime organizado. Dentre eles, podemos citar as dificuldades de diálogo entre a comunidade e a polícia, o despreparo dos profissionais que carecem de um programa de formação profissional continuada, e da falta de serviço social e psicológico para o apoio a esses policiais.

Autossustentável: UPP x Unidades de Pacificação Definitiva

Outras questões levantadas são as incertezas da sustentabilidade do projeto, quanto à qualidade da intervenção policial, e se vai durar após os grandes eventos a serem sediados no Rio de Janeiro. O programa não é a solução para os problemas de desigualdade e criminalidade no Rio de janeiro, e sim uma tentativa de buscar a integração das favelas à vida normal da cidade.  As UPPs Sociais tem o objetivo de incentivar a participação de policiais em alguns projetos dentro do programa. Contudo, há dificuldades para a entrada desses profissionais devido a desconfiança e medo dos moradores com relação à polícia. Sem uma política social que possa apoiar o programa, a polícia fica desolada para atuar sozinha com as comunidades.

Os recentes acontecimentos em algumas UPP´s demonstram que sem uma agenda pública e política na área de segurança que possam consolidar o programa, de nada adianta expandir o número de unidades pacificadoras nas favelas do Rio de Janeiro.

Autossustentável: Jean-Paul Sartre e a violência

Por fim, a questão de insegurança urbana no Brasil demonstra a necessidade de maior participação do governo em parcerias com comunidades, terceiro setor, iniciativa privada, e os demais atores envolvidos no processo de criação de soluções e alternativas aos desafios dos centros urbanos, que permitam as cidades cumprirem seus compromissos frente ao desenvolvimento sustentável.


Clique aqui para ler outros artigos de Aline Lazzarotto


Evento Sustainable Brands Rio 2014 acontece no final de abril no Rio de Janeiro

Autossustentável: Sustainable Brands Rio 2014

Destaque para os projetos sustentáveis colocados em prática por grandes marcas


Entre os dias 24 e 25 de abril, a cidade do Rio de Janeiro receberá o evento Sustainable Brands Rio 14 (SB Rio 14), com o tema “Reimagine, Redesenhe, Regenere”. O evento deverá reunir 600 profissionais da rede global de líderes de empresas, dedicados a encontrar novas maneiras – sustentáveis – de conduzir negócios.

Durante a parte da manhã, nas Plenárias, o encontro terá apresentações de líderes empresariais e especialistas. A tarde nas Sessões temáticas, será possível aprofundar os assuntos centrais da Nova Economia. Além disso, acontece a Expo com 16 iniciativas concretas, de empresas nacionais e internacionais, de transformação do ambiente de negócios.

Inovação e sustentabilidade na prática

Durante a conferência, pela primeira vez no Brasil, acontecerá a Sustainable Brands Innovation Open – competição entre startups que oferecem produtos e serviços que utilizam a sustentabilidade como direcionador da inovação. Apenas dez competidores terão a oportunidade de participar da Conferência, e duas startups serão as grandes vencedoras. Os prêmios incluem recurso financeiro e apoio de consultorias.

Autossustentável: Sustainable Brands Rio 2013

“No Brasil o tema inovação está em alta e muitas iniciativas vêm acontecendo. A SB Innovation Open dá visibilidade para que as startups apresentem suas ideias focadas na sustentabilidade”, disse Álvaro Almeida, sócio-fundador da Report Sustentabilidade, realizadora da SB Rio 14.

Roger Koeppl, jovem empreendedor social, explicou o que o motivou a participar da competição com sua startup, a cooperativa YouGreen. “Estamos mobilizando nossa rede de contatos para irmos para a final do Innovation Open. A visibilidade alcançada e o aporte para alavancagem vão ao encontro dos atuais e futuros objetivos do nosso negócio”, contou.

Outra novidade do evento é a visita temática a comunidades cariocas em que são desenvolvidas atividades e projetos com foco socioambiental. Estas demonstrarão como as marcas podem se adequar às demandas da sociedade. As atividades fazem parte do programa pós-evento, que acontece no dia 26 de abril.


sábado, 5 de abril de 2014

Xenofilia Exacerbada e suas Consequências

A Xenofilia (do grego xenos = estrangeiro + philos = amor), ou seja, gostar do que é estrangeiro, do que é de fora de sua localidade. Essa característica em si não é prejudicial, no entanto, quando ela é exacerbada ao ponto de preterir o que é local em função do que é de fora, traz consigo uma bagagem de consequências que podem ser muito prejudiciais. Chegando ao extremo de sempre considerar que “a grama do vizinho é mais verde”.

Autossustentável: Frutas do Brasil

Como o assunto é muito amplo e podem ter muitos vieses interpretativos, vou me ater a alguns pontos mais relevantes no contexto socioambiental. Mais especificamente, ao consumo de gêneros alimentícios de origem vegetal. Desse modo, a xenofilia exagerada pode:
  1. Ser um entrave ao desenvolvimento local;
  2. Reduzir pesquisas com plantas nativas;
  3. Levar produtos locais à vulnerabilidade de extinção.
E, para não parecer determinista ou catastrófico, explicarei, a seguir, cada um dos pontos.

Muitas comunidades tradicionais, campesinas, quilombolas e de agricultores familiares baseiam sua renda no extrativismo e venda de produtos nativos de onde residem. No entanto, a falta de conhecimento sobre esses produtos restringe a comercialização, muitas vezes, pela falta de argumentos que agreguem valor ao produto e, consequentemente, diminuem o potencial para desenvolvimento local.

Autossustentável: Umbu
Foto: Umbu

Com essa não valorização das espécies nativas, uma cadeia de acontecimentos é formada. Produtos que não apresentam mercado, não são objetos de pesquisas que proporcionariam maior conhecimento técnico sobre um manejo florestal mais sustentável, desenvolvimento e expansão da cultura. E, consequentemente, ficam vulneráveis a ter suas populações nativas suprimidas e substituídas por culturas que proporcionem maior ganho imediato.

Autossustentável: Pitomba
Foto: Pitomba

Autossustentável: Mangaba
Foto: Mangaba

Grande é a biodiversidade de espécies frutíferas e espécies com outros usos no Brasil, mas, poucas são as conhecidas e que tem relevante consumo. Podemos citar algumas e refletir quais estão em nossas mesas com frequência: Abacaxi, Açaí, Babaçu, Bacupari, Bacuri, Buriti, Cabacinha-do-campo, Cacau, Cagaita, Caju, Cambuci, Caraguatá, Castanha de Baru, Castanha do Pará, Cruá, Goiaba, Guaraná, Guavira, Ingá, Jabuticaba, Jaracatiá, Jatobá, Juá, Licuri, Fruto do Mandacaru, Mangaba, Maracujá, Palmito Juçara, Pequi, Pinhão, Pitomba, Sapucaia e Umbu são brasileiras, não necessariamente endêmicas (distribuição restrita) do Brasil.

Autossustentável: Guaraná
Foto: Guaraná

Autossustentável: Babaçu
Foto: Babaçu

Autossustentável: Bacuri
Foto: Bacuri

Muitas dessas espécies, pouco conhecidas e ou totalmente desconhecidas, podem ficar mais vulneráveis à extinção antes mesmo de sabermos de todo seu potencial, seja ele alimentício, medicinal ou qualquer outra utilidade.


Não me atrevo a fazer apologia ao não consumo de produtos cujas origens são estrangeiras, até porque a maioria faz parte de nossa alimentação e já é amplamente produzida no Brasil. Além do que, a produção dos mesmos gera emprego e renda, sendo objeto de muitas pesquisas desenvolvidas para essas culturas inclusive com variedades desenvolvidas aqui no Brasil. Essas espécies são tão inseridas na nossa cultura alimentar que muitas nos surpreendem em não serem brasileiras, por exemplo: Abacate, Acerola, Banana, Cajá, Carambola, Coco-da-baía, Figo, Fruta-pão, Graviola, Jaca, Jambo, Laranja, Limão, Maçã, Manga, Pêra, Tamarindo, Tangerina, Uva etc.

Autossustentável: Frutas do Brasil

Com tudo isso, meu intuito é sensibilizar para uma mudança de hábito. Que possamos nos aventurar e buscar em nossas respectivas regiões as delícias escondidas que certamente gerarão prazer na sua degustação. Porém, baseado, logicamente, nos saberes locais para evitar intoxicações.

Aqui na Bahia temos Jatobá (in natura ou como farinha), Juá (in natura e utilizado na indústria farmacêutica), Licuri (coquinho in natura, cozido ou em cocadas, extração de óleo), Fruto do Mandacaru (in natura ou doces), Mangaba (in natura, sucos e principalmente sorvetes), Maracujá (in natura, sucos e sobremesas) e Umbu (in natura, sucos, geléias e sorvetes). Já experimentei todos e são realmente muito bons.

E você já se deliciou com nossas frutas nativas? Quais?


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