sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Dia Mundial Sem Carro – E o que eu tenho a ver com isso?

Autossustentável: Dia Mundial Sem Carro
Imagem: Autossustentável

Hoje, dia 22/09, é comemorado o Dia Mundial Sem Carro, também conhecido internacionalmente como World Car Free Day. Criado na França em 1997, já no ano 2000 foi adotado por vários países europeus, em 2001 pelo Brasil e hoje tem proporções mundiais.

Autossustentável: Dia Mundial Sem Carro
ImagemCDN

Mas você sabe qual o propósito dessa data? O Dia Mundial Sem Carro foi criado com a finalidade de estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, trazendo com isso a oportunidade para as pessoas que dirigem sempre experimentarem formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade utilizando outros meios de transporte.

Muitas cidades do mundo realizam campanhas para que seus motoristas se conscientizem em deixar seus automóveis em casa, utilizando bicicletas, transporte público, o sistema de rodízio de caronas (em que cada dia da semana uma pessoa é responsável por levar um grupo que compartilha da mesma rota) ou mesmo indo a pé até seus trabalhos, escolas ou compromissos sociais.

Autossustentável: Espaço no trânsito
Imagem: Pinterest

Isso porque muitas vezes a rotina e a correria do cotidiano nos demandam tanto tempo que entramos no “modo automático” e não percebemos a repetição de alguns padrões sociais que acabamos naturalizando no nosso dia a dia, como a elevada dependência que alguns de nós desenvolvem em relação aos automóveis.  Os carros são uma formidável invenção (principalmente para transportar pessoas com restrição de mobilidade, idosos, bebês e quando precisamos transportar coisas pesadas e grandes), a má utilização deles é que vem representando um crescente problema para a sociedade e para o planeta.

Autossustentável: Status
Imagem: Singer

O problema começa com a aceitação da ideia de que ter um carro representa ser bem sucedido, parece que ao comprar um carro e dirigir sempre você ascende no status social, é um selo invisível que, infelizmente, reproduzimos sem perceber. Essa valoração promovida e propagada pela indústria automobilística transformou o automóvel em um dos principais símbolos de individualismo das últimas décadas; e o incentivo governamental deu aquele empurrãozinho para que as cidades ficassem congestionadas, poluídas e estressantes. 

Autossustentável: Poluição
Imagem: Veja

Outros fatores também contribuíram fortemente para o uso massivo de automóveis, como o planejamento das cidades ser voltado a atender prioritariamente a automóveis; e a infraestrutura brasileira ser fundamentada em rodovias em detrimento de ferrovias e hidrovias, estas sequer saíram do papel, enquanto aquelas sofreram grande desmantelamento. E essa logística tem altos custos para a economia do país, mas isso é assunto para outro post.

Autossustentável: Progresso
Fonte: Geografia em Foco

É claro que, o despertar consciente da população e a mudança de comportamento não acontecerão automaticamente em um passe de mágica de um dia para outro, mas o intuito é que mostrar que existe e é possível o deslocamento além do volante. A ideia é chamar atenção também para os transportes públicos e em como eles precisam ser melhorados, quanto mais gente exigindo seus direitos, mais forte a corrente fica e mais fácil os gestores públicos tomarem providências a respeito. Precisamos de planejamento e políticas públicas eficientes para que o uso do transporte público e da bicicleta se difunda e massifique.

  

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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Quanto tempo você gasta se deslocando?

Imagem: Linkedin

Na Semana Temática de Mobilidade não poderíamos deixar de abordar a questão do tempo gasto nos deslocamentos cotidianos.


Imagem: Boca Maldita

O dia a dia parece estar cada vez mais corrido e parece que as horas já não são suficientes para realizarmos todas as tarefas necessárias. Parece até que o tempo vem sendo sugado de nossas vidas. Parece? Bem, responda as perguntas a seguir e vamos ver se o deslocamento cotidiano tem sido um agente limitador do seu dia. Quanto tempo você leva de casa até o trabalho ou escola ou faculdade? Quantas horas por dia você passa em transporte público ou dirigindo?

Trânsito intenso na saída de São Paulo pela Rodovia Castelo BrancoImagem: Fábio Vieira/ Estadão/ Reprodução: G1 

Até aqueles que moram mais próximos dos locais de trabalho ou estudo têm sofrido, ultimamente, com maior tempo de deslocamento. Vamos a alguns dados para entender melhor a situação, de acordo a Confederação Nacional do Transporte, o transporte individual cresceu em um ritmo mais de 3,5 vezes maior do que a rede de trens e metrô no Brasil, aliado a isso verificamos a falta de ônibus e a baixa qualidade do transporte público, e como resultado, sentido todos os dias pela população, as cidades se tornaram gradativamente congestionadas.  O cenário de tempo gasto no trânsito é tão significativo que algumas cidades brasileiras já figuram como as mais congestionadas do mundo. Segundo ranking da Tomtom Traffic Index, empresa holandesa especializada em tráfego, a cidade mais congestionada do país é o Rio de Janeiro, que já é também a oitava cidade mais congestionada do mundo. São Paulo, que por muito tempo foi conhecida por seus longos engarrafamentos, aparece na 71ª posição do ranking mundial, perdendo para Salvador, que ficou na 28ª posição; Recife que ficou em 43º lugar; e Fortaleza, que ocupou a 47ª posição.


Ranking das cidades mais congestionadas do mundo. ImagemTomtom Traffic Index

Mesmo assim, de acordo com Pesquisa de Mobilidade Urbana, considerando o período de um ano, paulistanos ainda perdem cerca 45 dias presos em congestionamentos. Os moradores da periferia foram os mais prejudicados, já que o sistema de ônibus que opera na região é o sistema auxiliar. No Rio de Janeiro a situação se repete, moradores da Baixada Fluminense, que trabalham na cidade do Rio de Janeiro, levam cerca de duas horas no deslocamento casa-trabalho. De acordo com dados obtidos pelo Globo, a economia da Região Metropolitana do Rio é a que mais perde em todo o país por causa das longas viagens feitas por grande parte de seus trabalhadores. O custo do tempo que poderia ser investido em produtividade chegou a R$ 35,7 bilhões em 2014, 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB) da região, segundo um levantamento feito pelo economista Guilherme Vianna.

Imagem: O Globo

Além de perdas com a produtividade, devido ao cansaço das longas jornadas de deslocamento, Vianna levanta outras questões como a possibilidade de gastos com lazer com menor tempo de deslocamento casa-trabalho-casa, ou até o uso desse tempo para outros negócios, o que geraria renda e movimentaria a economia. Importante ressaltar que aqueles que mais sofrem com os deslocamentos cotidianos são os mais pobres, que por falta de ofertas de trabalhos, pela não estruturação adequada nas regiões que residem, precisam buscar empregos nas regiões mais desenvolvidas.

Comparação entre a malha metroviária no Rio Janeiro e em Xangai nos anos de 1993 e 2013. ImagemDiário do Rio

Para que esse cenário fosse, de fato, revertido, seriam necessárias melhorias estruturais do sistema de transporte público . A expansão das malhas ferroviária e metroviária, que cresceu 6,7% no Brasil inteiro entre 2011 e 2015, não acompanhou o crescimento demográfico, o número de usuários de trens e metrôs cresceu pelo menos 37% no país. No país inteiro a malha metroviária soma 309 quilômetros de extensão, número que fica aquém da malha de cidades como Xangai, Londres, Nova York ou Tóquio. E mais, das 22 regiões metropolitanas no país com mais de 1 milhão de habitantes, 10 não possuem transporte ferroviário. Para atender a atual demanda da população seria necessário ampliar em 850 quilômetros a malha ferroviária e metroviária, o que corresponde a 80% da estrutura já existente, e isso exigiria um investimento de R$ 167 bilhões.

Para uma análise mais aprofundada da mobilidade urbana no Rio de Janeiro, acessar a matéria Rio perde R$35 bi com tempo gasto no trânsito pelos trabalhadores.

Com informações de: Bom Dia Brasil, Estadão, G1, O Globo.


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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Mobilidade inteligente: veja como bicicletas agilizam serviços de entregas

Imagem: Keirin Streets

Sabe-se que no Brasil, historicamente, as políticas não priorizam a mobilidade inteligente nas grandes cidades. A participação da sociedade é fundamental na disseminação e na prática de ideias de mobilidade e humanização dos espaços urbanos. Por isso, repensar os modais de transporte é essencial para a mobilidade nas cidades.

Imagem: Ricardo Ribas

Décadas atrás, o trânsito caótico das capitais brasileiras levou muitas empresas a buscarem uma alternativa para fazer entregas urgentes. Os motoboys cresceram e se multiplicaram pelas vias do país, principalmente por sua rapidez e eficiência. Mas atrelado a esse tipo de serviço, está o seu caráter não tão sustentável assim.

Algumas empresas, pensando no problema do aquecimento global e nos impactos ambientais, começaram a oferecer alternativas sustentáveis. Nesse cenário, os serviços de entrega expressa de bicicleta avançam como solução.

Imagem: BBC

Inspirado em um movimento mundial, sobretudo em países da Europa e Estados Unidos, e estimulado pela implantação de quilômetros de ciclofaixas e ciclovias nas principais cidades brasileiras, o modelo de entrega traz agilidade ao processo e inúmeras vantagens ao meio ambiente, já que as bikes não poluem o ar.

Imagem: Estadão

Ao usar bicicletas, além de evitar emissão de poluentes, é possível economizar combustível de fontes não-renováveis, contribuindo para uma cidade mais limpa, saudável e menos ruidosa.

Já é possível encontrar esse tipo de serviço por todo Brasil, com empresas que oferecem entrega de baixo impacto ambiental nas grandes cidades. Abaixo fizemos uma lista com algumas empresas que prestam esse tipo de serviço. 

Você pode encontrar mais empresas que prestam esse tipo de serviço aqui!

Imagem: Revista PEGN

Ao contrário do que é imaginado, esse tipo de serviço é mais barato e pode ser tão ágil quanto o realizado por moto. Então que tal pensar duas vezes antes de chamar um motoboy para fazer uma entrega?


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Mobilidade Urbana pode ser Sustentável?

Imagem: Smart Cities

Falar em mobilidade urbana no Brasil é um desafio, pois, a associação que fazemos de imediato, é com meios de transportes lotados ou com longos e demorados congestionamentos. 


Trens da CPTM lotados. ImagemG1

Trens da Supervia que constantemente apresentam problemas, prejudicando a rotina de seus usuários. Imagem: G1

Você deve estar pensando: “Ah! Mas hoje todo lugar tem isso!” Sim, essa é uma realidade cada vez mais presente em todo país, não se restringindo apenas aos grandes centros urbanos, como outrora. Isto devido a diversos fatores como o crescimento demográfico, o aumento da frota veicular e o incentivo aos transportes individuais. Para se ter ideia, de acordo com informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016 a frota circulante de automóveis no Brasil correspondia a 51.296.981 veículos, enquanto que a frota circulante de ônibus representava 601.522 veículos, e a frota circulante de caminhões correspondia a 2.684.227 veículos.


Engarrafamento na cidade do Rio de Janeiro. ImagemG1

É um desafio e tanto para os gestores públicos apresentar soluções para melhoria no tráfego (de uma quantidade crescente de veículos), na qualidade dos transportes públicos utilizados pela população e, assim, oferecer melhoria na qualidade de vida dos habitantes que se deslocam pelo espaço da cidade para realizar suas tarefas corriqueiras como trabalhar ou estudar.

O planejamento de um sistema integrado, sustentável e capaz de atender à demanda da mobilidade dos habitantes está previsto na Lei 12.587 de 2012, a Lei de Mobilidade Urbana. Esta lei traz como principal instrumento da política de desenvolvimento urbano a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que exige que os municípios com população acima de 20 mil habitantes elaborem e apresentem plano de mobilidade urbana, com a intenção de planejar o crescimento das cidades de forma ordenada. Dentre as determinações da Política Nacional de Mobilidade Urbana estão: a priorização dos serviços de transporte público coletivo, as infraestruturas do sistema de mobilidade urbana; a acessibilidade para pessoas com deficiência e restrição de mobilidade; a circulação viária; a integração dos modos de transporte público e destes com os privados e os não motorizados; as áreas de estacionamentos públicos e privados, gratuitos ou pagos; as áreas e horários de acesso e circulação restrita ou controlada; além dos mecanismos e instrumentos de financiamento do transporte público coletivo e da infraestrutura de mobilidade urbana.


Para acessar o infográfico em tamanho maior clique aqui. Imagem: UCT – Universidade Corporativa do Transporte

Mas e a sustentabilidade? É possível a mobilidade urbana ser sustentável?

Quando falamos em sustentabilidade e mobilidade, pensamos logo na questão das emissões de GEE (gases de efeito estufa) pelos veículos e na consequente poluição, já que, a frota de automóveis e motocicletas no país teve crescimento de 400% nos últimos dez anos. Porém, mobilidade urbana sustentável vai muito além da mitigação de GEE, está ligada também a melhor qualidade de vida da população, zelando pela sua boa saúde e bem estar, e, também, a cidades e comunidades sustentáveis, que correspondem respectivamente aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) 3 e 11.  


Imagem: Pinterest

Para que, de fato, a mobilidade urbana sustentável seja alcançada, ela deve ser planejada conjuntamente a outros instrumentos de planejamento urbano como Plano Diretor da cidade. Além disso, também é preciso que haja uma maior integração entre o planejamento das cidades que compõe arranjos urbanos (duas ou mais cidades em que há intercâmbio significativo da população). Em outras palavras, como a interação entre as cidades vem aumentando significativamente, nos últimos anos, com a intensificação dos deslocamentos pendulares – de acordo com o IBGE, 7,4 milhões de pessoas se deslocam de municípios onde residem para trabalhar ou estudar em municípios vizinhos – é necessário que os planos diretores levem em consideração essa característica tão presente em grandes centros urbanos para a elaboração de seus Planos de Mobilidade Urbana. São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que apresentam as maiores interações, tendo respectivamente, 1,75 milhões e 1 milhão de habitantes se deslocando diariamente entre seus municípios.



Pensar a sustentabilidade da mobilidade urbana é também considerar outros aspectos ligados ao deslocamento da população como o direito a exercer a cidadania tendo garantia de acesso a diversas áreas da cidade, para que suas necessidades sejam satisfeitas, o que inclui tanto atividades relacionadas a trabalho, educação, saúde ou diversão. É pensar a expansão dos transportes públicos de forma acessível, segura, sustentável e a preço acessível para todos, atentando-se para idosos, pessoas com deficiência, crianças e mulheres. É pensar operacionalmente na implantação e expansão de sistemas sobre trilhos como metrôs, trens e bondes modernos (VLTs); em ônibus "limpos" como os movidos a biodiesel e na integração a ciclovias. E também atentar para a demanda por calçadas confortáveis, niveladas, sem buracos e obstáculos, já que um terço das viagens realizadas nas cidades brasileiras é feita a pé ou em cadeiras de rodas.



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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Bicicletas e Código de Trânsito Brasileiro: direitos e obrigações

Entenda suas obrigações e direitos para pedalar com mais segurança

Imagem: Transporte Ativo

O Código Brasileiro de Trânsito (CTB) está em vigor desde 1997 e nesses 20 anos muita gente ainda desconhece seu conteúdo. O CTB possui inúmeras leis que, em teoria, deveriam resguardar a segurança do ciclista.

Além disso, o mesmo código também cria uma série de obrigações de conduta para os ciclistas, como respeitar a sinalização de trânsito e circular na mão correta de direção.


Já os motoristas devem seguir regras para evitar acidentes. A principal delas é manter distância lateral de pelo menos 1,5 metros da bicicleta, e reduzir a velocidade ao passar pelos ciclistas, respeitando sempre a sinalização das faixas destinadas a eles. Entre ciclistas e pedestres, o pedestre tem a preferência.

Imagem: Pedal

O CTB de Bolso nasceu de uma apresentação para informar ciclistas sobre seus direitos e deveres no código, foi adaptada e se transformou em um pequeno guia que pudesse ser colocado no bolso e levado sempre junto com a bicicleta. Ele é uma versão resumida da legislação de trânsito brasileira.

Imagem: Transporte Ativo

O CTB de Bolso está disponibilizado para download em 3 versões: CTB de Bolso versão em pdf, Versão para dispositivos móveis e Versão impressa. Para baixar, basta clicar nos links.

Já foram mais de 180 mil livretos impressos e distribuídos, mais de 125 mil downloads da versão em PDF e mais de 10 mil do aplicativo para Android.

Imagem: Pedal

Lembre-se sempre de obedecer às regras e pedalar de forma segura!


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