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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Educação Ambiental e a Legislação Brasileira

Como se sabe, a educação ambiental pode ser considerada uma das formas de disseminar pela sociedade o respeito na relação homem-natureza. Ao realizar no ano passado um curso sobre o assunto, pude compreender que uma efetiva mudança de postura da sociedade deve caminhar por essa direção. Cita-se, aliás, que essa constatação já havia sido formulada na Conferência de Estocolmo de 1972.


Transportada a temática ao universo jurídico brasileiro, cumpre mencionar a existência da Política Nacional de Educação Ambiental que a define como sendo integrada “por processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (art. 1°- Lei Federal 9795/1999).

Autossustentável: Direito Ambiental

Dentre os objetivos da Política Nacional, consta o “desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos”; “a garantia de democratização das informações ambientais” e “o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social” (art. 5°- Lei Federal 9795/1999).

Sabe-se, porém, que o processo de Educação Ambiental deve ultrapassar as barreiras dos métodos tradicionais de ensino, na medida em que componentes práticos se tornam imprescindíveis. Desse modo, a legislação pátria faz a distinção entre Educação Ambiental Formal e Educação Ambiental Não Formal. Nesse sentido, Pedro Jacobi adverte:

A educação ambiental, como componente de uma cidadania abrangente, está ligada a uma nova forma de relação ser humano/natureza, e a sua dimensão cotidiana leva a pensá-la como somatório de práticas e, consequentemente, entendê-la na dimensão de sua potencialidade de generalização para o conjunto da sociedade [1].

Autossustentável: Educação Ambiental
Fonte: Ciclo Vivo

Para tanto, o profissional de educação deve estimular e proporcionar aos alunos momentos de interação com a natureza como, por exemplo, através de visitas em Unidades de Conservação, nas quais poderão ter contato direto e melhor entendimento sobre a importância da preservação.

Apesar de uma longa estrada a percorrer, a sociedade cada vez mais será confrontada a seguir na direção de uma consciência ecológica. Como diz Eduardo Galeano, a utopia serve para continuarmos a caminhar.



[1] JACOBI, Pedro. Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade. Disponível em < http://www.uss.br/pages/revistas/revistafluminense/v2n12012/pdf/005-Ambiental.pdf>.



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sábado, 9 de agosto de 2014

Estamos Perguntando de Forma Errada

Quantas palavras bonitas são ditas e escritas, discursos que reivindicam mudanças e a união em busca do bem comum. Movimentos, partidos, manifestos e etc. Lindos e tão cheios de energia e boas intenções.

Mas o que realmente são? Muitas vezes, infelizmente, correspondem apenas à escrita sem essência. Para que servem os movimentos quando não se tem visão, os partidos desacompanhados de ética e o manifesto sem prudência?


Somos atraídos facilmente pelo superficial; o rosto, o corpo e o cabelo mais belo. A propaganda mais chamativa, a embalagem mais atraente, o cartaz mais colorido. Então, como achar soluções para os problemas externos quando parece que por natureza estamos errados? Acredito que a natureza, como um todo, está sofrendo tantas injustiças por uma razão: ainda não achamos resposta para essa questão. Mas se ainda não achamos a resposta é porque, provavelmente, não estamos perguntando de forma correta. E, se não perguntamos de forma correta é porque não damos a devida atenção ao problema.

Quando você consegue saber exatamente o que você quer perguntar a metade da resposta é dada. (I Ching - O Livro das Mutações)

Nesse contexto, a pergunta que fazemos é entendida pela natureza por meio da forma como vivemos e a resposta que a natureza nos dá pode ser interpretada como a síntese da nossa vida.


É certo que são as questões movem o mundo e não as respostas, somos movidos por incertezas que nos assombram e nos fazem caminhar. Mas o objetivo aqui é a estabilidade e a capacidade do nosso planeta de continuar propiciando a vida, e as incertezas que espreitam esse objetivo devem ser eliminadas o mais rápido possível. Não temos muito tempo para refletir, devemos agir agora. Essa incógnita terá de ser resolvida na prática!

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar. (Eduardo Galeano)


A utopia é linda, mas se continuarmos a ter essa perspectiva em relação à sustentabilidade de Gaia* podemos até alcançar algo, porém será o oposto daquilo que vislumbrávamos no horizonte.

O que é o ambiente verde e saudável sem um meio que exerça os subsídios necessários para o mesmo? Saiba exatamente como perguntar a natureza e ela te dará metade da resposta, e essa resposta será suficiente para despertar a ação. E estamos aqui para agirmos e, de fato, transformarmos positivamente nossas vidas e nosso planeta.

Saudações verdes!


* A Teoria de Gaia, criada pelo cientista James Lovelock na década de 60, defende que a Terra é um organismo dotado da capacidade de se manter saudável e tem compromisso com todas as formas de vida – e não necessariamente com apenas uma delas, o homem, que vem justamente sendo um dos grandes responsáveis pelo seu desequilíbrio. (http://gaiasustentavel.com)


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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

#MensageirosPassaporteVerde: Vida ao Ar Livre ao Estilo Carioca

A equipe da Rede Autossustentável teve o prazer de ser convidada para fazer parte do projeto #MensageirosPassaporteVerde, iniciativa da campanha Passaporte Verde.

Autossustentável: Passaporte Verde

Realizamos um dos roteiros escolhidos dentro do projeto que é o de explorar as cidades de uma maneira mais autêntica, através de experiências que possibilitam um contato maior com a natureza.

Iniciamos nosso roteiro com uma pedalada pela orla, um passeio incrível, contemplando as belezas dessa Cidade Maravilhosa. A rede de ciclovias do Rio de Janeiro permite desfrutar essas paisagens de uma maneira bem especial.

Utilizamos com frequência o aluguel de bicicletas públicas que são oferecidas pelo projeto BikeRio, e por isso optamos por alugá-las para o passeio. Por uma taxa de 10 reais mensais você pode pedalar a vontade durante o mês, respeitando a regra de 1 hora de pedalada e 15 minutos de descanso, por isso fica a dica para quem visita o Rio ou outras cidades com projetos semelhantes.

Autossustentável: Enseada de Botafogo e Cristo Redentor - Rio de Janeiro

Autossustentável: Aterro do Flamengo e Pão de Açúcar - Rio de Janeiro

Pedalamos pela Marina da Glória e pelo Aterro do Flamengo nos encantando com os belos jardins Burle Max, em seguida entramos na Enseada de Botafogo com aquela vista indescritível do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor e assim rumamos até o bairro de Copacabana, sentindo a brisa no rosto e a alegria de estar perto da natureza.

Ao chegarmos à Copacabana, deixamos as bicicletas em uma das estações Bike Rio e, utilizando transporte coletivo, partimos para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que é uma ótima opção de passeio para aqueles que querem relaxar, estudar, ou só mesmo curtir e desfrutar a natureza bem de pertinho.

Autossustentável: Jardim Botânico do Rio de Janeiro

O Jardim Botânico conta com um espaço muito diversificado com cerca de 6500 espécies de plantas, algumas até ameaçadas de extinção, distribuídas em uma grande área de 54 hectares. Há também um lindo e charmoso Orquidário que em certas épocas do ano recebe muitos visitantes querendo admirar algumas das mais belas e raras espécies de orquídeas.

Autossustentável: Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Para aqueles que gostam de se aprofundar no mundo da botânica, é possível visitar a mais completa biblioteca do país especializada no termo e o maior herbário do Brasil, neste importante patrimônio histórico, cultural e natural.

Bem próximo ao Jardim Botânico, fica a Lagoa Rodrigo de Freitas. Com 9,5 km de contorno, o Parque Lagoa Rodrigo de Freitas é um local perfeito para práticas esportivas e passeios de pedalinhos. Fizemos uma pequena caminhada, andamos de pedalinho e nos divertimos bastante.

Autossustentável: Lagoa Rodrigo de Freitas - Rio de Janeiro

O passeio de pedalinho pelas águas da Lagoa possibilita vistas magníficas, proporcionando diferentes pontos de vista de observação, desde a arquitetura das edificações e prédios que a contornam até as belas montanhas que emolduram esse belo cenário. Um momento para relaxar e curtir a vida, na cidade maravilhosa com a benção do Cristo Redentor.

Autossustentável: Lagoa Rodrigo de Freitas - Rio de Janeiro

Autossustentável: Lagoa Rodrigo de Freitas - Rio de Janeiro

Fizemos, então, uma caminhada até Ipanema, onde paramos para tomar uma doce e refrescante água de coco, admirando a incrível paisagem emoldurada pelo morro Dois Irmãos ao fundo.

Autossustentável: Praia de Ipanema - Rio de Janeiro

Encerramos o nosso passeio na Pedra do Arpoador, localizada entre as praias do Arpoador e do Diabo, admirando as delícias de um espetacular pôr-do-sol aplaudindo-o como segue a boa e velha tradição carioca. Uma dica é chegar por volta das 17h para garantir um local privilegiado (no horário de verão, o pôr-do-sol costuma ocorrer por volta das 19h30), já que a Pedra do Arpoador costuma ficar lotada com centenas de pessoas que querem admirar o espetáculo. Chegando ao topo, você se depara com um cenário incrível: a faixa de areia que vai do Arpoador ao Leblon, passando por Ipanema, e, ao fundo, o Morro Dois Irmãos e a Pedra da Gávea. O sol se põe no mar, ao lado dessas duas rochas.

Autossustentável: Arpoador - Rio de Janeiro

Conheça esse e outros roteiros através do site: http://www.passaporteverde.gov.br/eucuido/roteiros

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Roteiros Passaporte Verde
Os Roteiros Passaporte Verde propõem um novo olhar sobre os destinos, um convite à explorar as cidades de uma maneira mais autêntica, através de experiências que possibilitam um contato maior com a natureza, degustação de pratos saborosos da culinária local em espaços especiais, vivenciar dias em meio às culturas tradicionais, descobrir e valorizar os Patrimônios Mundiais da Humanidade no Brasil, praticar o ecoturismo e o turismo de aventura nos parques, descobrir a cidade à pé, de bicicleta ou transporte público. Além de deixar benefícios para os locais visitados, você poderá descobrir os destinos de uma maneira diferenciada, fazer novas amizades e, principalmente, vivenciar experiências inesquecíveis.

Passaporte Verde
A campanha Passaporte Verde 2014 é uma iniciativa do PNUMA (Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente), com apoio do Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Turismo, Ministério do Esporte e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Tendo como pano de fundo a realização da Copa do Mundo da FIFA no Brasil, a campanha pretende sensibilizar turistas nacionais e internacionais quanto ao seu potencial de contribuir com o desenvolvimento sustentável local por meio de escolhas responsáveis durante suas viagens, seja de férias e lazer ou de negócios.


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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O Descarte do Passado e o Culto ao Novo

A velocidade de renovação das tecnologias e do compartilhar de informações é cada vez maior. A cada segundo mais e mais novidades são colocadas à disposição das pessoas, criando novas oportunidades, novas formas de ver o mundo, a vida e as relações.

Autossustentável: Renovação Tecnológica x Visões Novas

Até metade do século passado, quando o ritmo acelerou de vez, o homem percebia a novidade com felicidade, contudo valorizava muito a experiência, a sabedoria e a grandeza do passado enquanto reconhecimento de um tempo que nos trouxe até aqui.

Com a industrialização e o boom da ciência e tecnologia, passamos a perceber o passado de forma diferente. Nunca foram tão citadas palavras como renovação, transformação, metamorfose, superação. É como se aos poucos fossemos trazendo todo o valor, a apreciação e a carga de expectativas, antes postas sobre o passado, e os colocássemos no futuro. O que havia antes não serve mais, está ultrapassado, velho, não tem mais utilidade. Não tem mais valor, ou perdeu seu valor em função do novo. Como aquela velha casa de madeira, que seus avós levaram uma vida inteira trabalhando para conseguir construir, símbolo de suor, conquista e luta e que hoje, após eles falecerem, você olha e pensa: “um amontoado de madeira velho e sem serventia.”

Autossustentável: Infância x Novas Tecnologias

É claro que a novidade nos instiga e motiva. Um novo desafio, uma nova invenção, um relacionamento novo, uma situação nova. Algo novo colore a vida, nos faz depositar energia renovada a fim de que se concretize.

No entanto, o que já passou nos traz segurança, certeza. É o que já sabemos que funciona, o que foi testado e aprovado, o que acumulamos de experiência e conclusões. O futuro é sempre incerto, por mais que se façam planos e arranjos. Mas aquilo que já foi, aquilo que você já conquistou é um tijolo firmemente assentado na base de sua construção.

Se formos pensar em termos de consumo, aquele agasalho que você possui há 20 anos, que ainda aquece, certamente está velho. Provavelmente mais de uma pessoa já disse a você que está na hora de comprar um novo. Que doe o velho e compre um novo, daquele tecido mais eficiente, impermeável, que aquece mais.

Mas o novo é sempre melhor? É possível, ou mesmo ético, descartar o passado sumariamente? Existem aspectos do passado que merecem ser preservados? Quais? De que forma? Precisamos mesmo do novo?

Autossustentável: Perguntas

Já falei aqui (Facilitando a Vida?) sobre as facilidades que foram geradas. O suco na caixinha é mais prático, mas realmente é equivalente ao suco natural? Estamos falando de uma novidade que realmente supera o seu antecessor? Ou o “suco” da caixinha não está na mesma categoria de um suco de fruta?

Na área jurídica sentimos, hoje, de forma mais flagrante este movimento de descarte do passado e apreciação do futuro. A sociedade alega ser o Direito atrasado em relação à sociedade e a legislação ultrapassada. Na mesma medida em que buscam-se novas leis, novas penas, novas medidas jurídicas protetivas ou garantidoras. O que há é obsoleto e precisamos de algo novo que “nos represente”. Como se o passado não servisse mais e o futuro incerto fosse o grande responsável por construir aquela sociedade que queremos.

Na faculdade ouvi diversas vezes que o papel do Direito na sociedade é ordenar e garantir segurança jurídica. As leis não são volúveis a todos os ventos sociais justamente porque o Direito representa a vontade do povo quando juntou-se nesta comunidade – no passado original. Também aprendi com os positivistas que as paixões e a moral não fazem parte da Ciência do Direito, a fim de preservar sua racionalidade e pureza, afinal esta ciência é um pilar social de ordem e segurança. Com os humanistas o Direito voltou a buscar na experiência social e no mundo real uma certa legitimidade. Se a lei não está baseada na vida social e se o povo a quem ela se destina não identifica nela um reflexo de seus valores, esta acaba por ser inócua. Como se percebe, mesmo as ciências vão progredindo, a mudança atinge alguns pontos, mas a essência da Ciência, sua função social parece permanecer intacta – ordem, segurança, justiça.

Autossustentável: Direito

Observando essa tensão que há entre a sociedade da mudança instantânea – que cultua o novo – e o Direito, que representa (ou deveria representar) aqueles valores que elegemos enquanto os mais caros a esta sociedade, poderíamos nos questionar: o Direito está mesmo atrasado? Obsoleto? Há necessidade de novas leis? Novas penas?

Percebo que há um grande desrespeito pelo passado neste momento. Em função disso, o número de processos judiciais tem aumentado cada vez mais. A lei, enquanto reconhecimento do passado, não é mais suficiente. Creditasse ao Juiz, desta forma, o poder de dizer o Direito para o futuro. As emoções do momento exigem novas posturas improvisadas do Estado. E quando este improviso se concretiza, novos interesses já nasceram.

Talvez a sociedade não possua ainda maturidade para perceber as consequências de seus atos. É como se o Direito, enquanto instrumento valioso de coesão e organização social, se tornasse um mero “expediente” – um meio esperto de conseguir as coisas de forma rápida e irresponsável.

Triste para quem conhece e aprecia a ciência complexa do Direito. Contudo, os momentos de crise servem justamente ao requestionamento: será o passado tão desprezível assim? Aquilo que temos realmente não serve mais? O novo substitui de forma completa o velho ou teremos um imenso vazio? Devemos nos deixar levar pelas paixões instantâneas ou a prudência (que os gregos já exaltavam milênios atrás) é o mais adequado? O facilmente substituível é mais adequado do que o durável? Para quem? Para quantos?

Como dizia o meu avô quando não achava prudente interferir: isso tu pode saber! Mais tarde meu sogro também me disse isso algumas vezes. É neste momento que percebemos o nosso quinhão de responsabilidade e adquirimos coragem para agir com maturidade.

Mais do que isso, cada um de nós precisa saber o que pretende deste Estado (a representação da nossa vontade de criar uma comunidade organizada) e deste Direito (a forma de ordem, segurança e justiça que escolhemos a fim de manter este Estado vivo).

Autossustentável: Leviatã de Thomas Hobbes
Leviatã de Thomas Hobbes

Um Estado-Nação só se sustenta (é sustentável) na medida em que a vontade do povo é reafirmada e legitimada. O Direito só se sustenta como ciência enquanto estiver baseado nesta vontade e possuir bases e critérios que permitam que paixões e interesses setoriais sejam adequadamente processados.


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quarta-feira, 30 de julho de 2014

São Paulo Pede Água (e Ação)

Um dos meus lugares preferidos em São Paulo é o Parque Doutor Fernando Costa, mais conhecido como Parque da Água Branca. Ele faz parte da minha história desde criança e a ideia de um parque onde gansos, galos e galinhas d'angola podem correr soltos me fascina até hoje. É um lugar para realmente conviver com a diversidade, não só de aves, mas também de pessoas.

Autossustentável: Parque da Água Branca
Parque da Água Branca. Foto: Caio Pimenta/SPTuris. Fonte: Cidade de São Paulo.

Um dos meus cantinhos preferidos no parque é o espaço de leitura, literalmente encaixado entre palmeiras e com cadeiras e mesas que convidam a ficar. Em um episódio recente, cinco meninas lindas de 5 ou 6 anos de idade, acompanhadas pelas mães, iniciaram uma guerra de água, aproveitando o calor do inverno e uma das bicas localizadas no espaço de leitura.

Meu incômodo com a cena foi quase imediato e logo me veio à cabeça a imagem das represas com seus vinte e poucos por cento de capacidade. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa (pois não sabia bem como), uma senhora se levantou de sua cadeira e acabou com a brincadeira, fechando a bica falando assertivamente com as meninas sobre a falta de água na cidade. As respectivas mães nem viram o que aconteceu. Uma pena, pois elas também certamente aprenderiam algo. Ver esse nível de engajamento e preocupação é muito raro e não tem preço.

Autossustentável: Seca no Sistema Cantareira
Seca no Sistema Cantareira. Fonte: Último Segundo.

Tenho notado um rápido esvaziamento no que se refere à preocupação com o meio ambiente em várias instâncias. Esse foi apenas um exemplo. Ter água à vontade, ter o luxo do caminhão de lixo três vezes por semana, ter energia elétrica que alimenta nossas lâmpadas que teimamos em não apagar, enfim, TER de tudo, muito e barato (relativamente) cria maus hábitos.

Há alguns anos, o desmatamento na Amazônia, as mudanças climáticas, e mesmo o tráfico de animais silvestres, eram notícias dignas de capa nos melhores jornais e revistas. Hoje, são tratadas como notas, quando são.

No caso da água, entretanto, tem sido um pouco diferente. A ameaça de não TER aquilo que me é indispensável e que me dá conforto é inaceitável, em especial, para as classes mais favorecidas. Na contramão, milhares de pessoas no Brasil enfrentam o racionamento de água regularmente, mas nada tem sido falado sobre isso.

Autossustentável: Ameaça do racionamento de água em São Paulo
Ameaça do racionamento de água em São Paulo. Fonte: Ciclo Vivo.

Essa mesma ausência de interesse que sinto nos noticiários, também sinto na escola. Apesar de estar presente ao longo de todo o currículo do Ensino Básico, o tema ambiental (ou socioambiental) tem sido trabalhado, em geral, de forma burocrática, gerando pouco ou nenhuma repercussão tanto dentro da própria escola, quanto nas respectivas comunidades. Apesar do empenho de alguns professores, a mensagem se perde logo que toca o sinal e nada do que foi “aprendido” se torna ação no mundo real. Aqueles que abraçam a causa logo são chamados de “verdinhos” ou “ecochatos”. Esse tipo de bullying leva rapidamente ao abandono dos valores coletivos ligados à questão ambiental.

Acredito que uma das formas de manter a questão ambiental em pauta em nossas comunidades é por meio da comunicação; mas não a comunicação sem sentido prático como, por exemplo, dizer que um chiclete demora 5 anos para se decompor. E daí?

É necessária uma comunicação clara que nos faça lembrar constantemente dos desafios que enfrentamos com relação à disponibilidade dos recursos e que aponte com assertividade o que é melhor para todos e para o ambiente. Enfim, que seja crítica, que faça pensar e que leve à ação.

Há 4 meses, iniciei no condomínio onde moro uma campanha de comunicação bastante simples. Tenho colocado nos elevadores cartazes que informam brevemente sobre a crise de água na cidade, o consumo atual do condomínio e como reduzi-lo.

Para minha surpresa, já houve uma redução de 10% do consumo. Parece pouco, mas isso representa, em média, cerca de 30 mil litros a menos de água por mês. Em uma visão quase surreal, são 15 mil garrafas pet de 2 litros cheias de água.

Autossustentável: Comunicação

Qual foi o segredo? Na verdade, não utilizei nenhuma informação diferente à que tem sido veiculada já há alguns anos. Acho que o segredo foi trazer a mensagem para perto do público de forma continuada, variada e, muitas vezes, bem humorada. Não é assim que fazem conosco quando nos querem vender algo? Insistem, colocam na sua cabeça o quanto aquilo é importante, até você ir lá e comprar. No caso do condomínio, o marketing verde funcionou. Uma vitória não para mim, mas para todos nós.

Como Biólogo, educador e cidadão, minha preocupação com os desafios ambientais é diária. Já ouço há décadas que as mudanças de comportamentos são urgentes. Os progressos existem, e são muitos, mas o saldo ainda parece negativo ao constatar a falta de água, as ruas sujas, o aumento vertiginoso do número de carros nas ruas, e a falta de preocupação e engajamento na resolução dessas questões, tanto no plano pessoal quanto no de políticas públicas efetivas.

Autossustentável: Dicas de Economia de Água

Se você é educador, síndico, zelador, enfim, se você é um cidadão preocupado com esses temas e acha que precisamos mudar, saia da sua zona de conforto e faça algo, como fez aquela senhora lá no Parque da Água Branca.

O saber descolado do agir não leva à transformação necessária.


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