terça-feira, 17 de outubro de 2017

Você é um Consumidor Consciente? Que tal fazer o teste?

O consumidor tem um grande poder em mãos, embora nem sempre tenha consciência disso. Por meio de suas escolhas cotidianas, ele pode contribuir para reduzir os impactos negativos no meio ambiente, na economia, na sociedade e no seu próprio bem-estar.

Pensando nisso, o Instituto Akatu fez um roteiro com seis perguntas que ajudam o consumidor a refletir antes e depois de fazer uma compra.


1 - POR QUE COMPRAR?
Somos bombardeados diariamente com milhares de propagandas e promoções das mais incríveis possíveis, que nos induzem a consumir. Mas é preciso pensar sobre o que motiva essa compra: Você realmente precisa comprar ou está sendo levado pelo impulso do momento?


Antes de fazer a compra, pense se há alternativas a ela, como reaproveitar algo que já tenha em casa, fazer uma troca com alguém, pegar um item emprestado (veja nosso post) ou reformar algo que você já tem.

2–O QUE COMPRAR?
Pesquise mais sobre o produto para ver se realmente atende às suas necessidades. Especificações, funcionalidades...será que o produto vai atender o que você quer? Fazendo essa pergunta, você evita ser atraído por elementos que não serão úteis no uso que você fará do produto.


Também é importante levar em consideração critérios como a qualidade, a durabilidade e a segurança do produto, além do seu preço. Sempre prefira um produto mais durável, que será útil por mais tempo e que permitirá levar mais tempo para que uma nova compra venha a ser necessária no futuro. Aquela velha máxima, às vezes o barato sai bem mais caro.

3 – COMO COMPRAR?
Comprar a vista ou a prazo? Fique atento aos descontos! Algumas lojas oferecem descontos com compras realizadas a vista.

Se estiver dentro do seu orçamento, é válido aproveitar o desconto e quitar logo o valor da compra.

Caso seu orçamento esteja apertado e você realizar a compra prazo, fique atento ao valor das parcelas e se terá como arcar com esse compromisso. E muita atenção também ao valor das taxas de juros! Existem casos em que o valor total a ser pago por um produto comprado a prazo acaba ficando muito mais alto por conta da incidência das taxas de juros. Fique de olho no crediário, cartão de crédito e cheque especial!


Sabe aquele famoso custo/benefício? Então... essa é a hora de avaliar se vale a pena gastar esse dinheiro nesta compra mesmo?

4 – DE QUEM COMPRAR?
O consumidor consciente conhece bem o produto que vai adquirir e também a empresa que o produz. Características do produto como os componentes utilizados em sua produção, os cuidados dessa empresa na exploração dos recursos naturais e com o ambiente onde a fábrica está instalada, o tratamento e a valorização dos funcionários, a contrapartida que a empresa oferecerá para a comunidade e economia locais. Fique de olho em empresas que realmente executem um planejamento socioambiental.


5 – COMO USAR?

Pode parecer uma pergunta óbvia mas, muitas vezes, os produtos adquiridos não apresentam um bom funcionamento por uso inadequado. Precisamos estar atentos ao uso consciente dos produtos e serviços adquiridos, assim podemos evitar as compras desnecessárias como quando surge uma nova versão de aparelho celular. Comprar essa nova versa é realmente necessário ou a compra está relacionada a seguir uma tendência?

Vamos a alguns exemplos práticos de bom uso: ser cuidado no uso; usar o produto até o final da sua vida útil; quando o produto der defeito, consertar antes de comprar um novo; desligar os aparelhos eletrônicos quando não estiverem em uso, inclusive desplugá-los das tomadas.

6 – COMO DESCARTAR?
Antes de descartar o produto é importante pensar se ele realmente não terá mais utilidade para você ou para outras pessoas. Precisamos estar atentos também ao descarte dos componentes produtos como as embalagens.

Caixas podem se transformar em brinquedos educativos para as crianças, inclusive ao realizar a transformação junto às crianças você estará passando um excelente exemplo de lição ambiental. As caixas juntamente com plásticos também podem ser destinadas a alguma cooperativa de reciclagem, esteja atento se em seu bairro há coleta seletiva de materiais.

Roupas antigas podem ser customizadas e assim ganharem vida nova ou podem, quando em bom estado, ser doadas à instituições ou vendidas para brechós. Móveis e eletrodomésticos antigos podem ser doados, trocados ou vendidos, os app estão aí, pessoal!

E se nenhuma dessas alternativas for possível, vamos descartar da forma correta! Atenção à coleta seletiva e às cooperativas de reciclagem!

  
Essas dicas podem até parecer pouca coisa, mas pense só: Se cada um de nós refletir sobre esses pontos antes de adquirir um novo produto ou mesmo descartar formaremos um movimento poderoso e transformador. Que tal se juntar a corrente do consumo consciente? O planeta agradece!

Com informações: Instituto Akatu
  
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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Tem Açúcar? Plataforma incentiva empréstimo entre vizinhos e evita o desperdício


Quantas vezes você já se pegou precisando de um utensílio doméstico ou ferramenta que não tinha em casa? E pior: depois de comprar, nunca mais usou aquilo.

Infelizmente vivemos em uma cultura de hiper-consumo e descarte que nos ensina que as coisas que temos são mais importantes do que quem somos. Tudo que é produzido tem um impacto socioambiental que muitas vezes não vemos: seja na extração de recursos naturais, nos gastos com energia na produção e transporte, na mão de obra escrava muitas das vezes ou no descarte inapropriado.

A boa notícia é que existe uma alternativa interessante para este problema. A economia compartilhada veio para repensar essa lógica, estimulando o consumo consciente e sustentável. Está aí o sucesso do Airbnb, dos compartilhamentos de carros e bicicletas e aplicativos de caronas. Mostrando que a nossa abundância não tem a ver com quanto dinheiro temos ou com os bens que possuímos e sim com as relações que construímos.


Com o objetivo de facilitar o compartilhamento de algumas necessidades de consumo e estimular a colaboração, a carioca Camila Carvalho criou, em 2014, a plataforma Tem Açúcar?. Um dos pilares dessa plataforma é difundir um consumo mais consciente, ajudando a evitar compras desnecessárias. 


plataforma resgata o costume de bater na porta do vizinho para pedir um socorro ou uma xícara de açúcar, só que agora tudo isso acontece de forma online. Atualmente tem 150 mil usuários cadastrados, em mais de 10 mil vizinhanças em todos os estados do Brasil e que, juntos, já economizaram aproximadamente 7,8 milhões de reais.


Sabe quando você precisa de uma coisa mas sabe que vai usar pouco. Então... é assim que funciona. Ao invés de comprar é só pedir no Tem Açúcar quem de seus vizinhos mais próximos tem o produto e pode te emprestar. Assim você economiza dinheiro, age de forma mais sustentável evitando o consumo excessivo, além de criar laços com a vizinhança.

Os pedidos são os mais diversos possíveis. Vão desde a aspirador de pó, passando por uma arara de roupas, caixas de som, raquetes de frescobol e até barraca de camping.


Para fazer parte do Tem Açúcar é mais fácil do que você imagina. Após um cadastro rápido, o usuário decide o raio de distância em que pretende interagir e lista os itens que gostaria de emprestar ou doar. Sempre que alguém daquela rede de vizinhança fizer uma busca sobre um produto que esse usuário tenha, ele será acionado.


Mas não é só isso! Há também outros tipos de colaborações e gentilezas locais que fazem parte do aplicativo Tem Açúcar. Você pode compartilhar caronas, achar a companhia ideal para fazer exercícios, pedir uma mãozinha na hora de plantar sua hortinha, doar objetos ou até mesmo organizar uma festa entre vizinhos. Tudo baseado em interações não-monetárias.

A ideia é que o Tem Açúcar vire uma grande rede local de colaboração. Afinal, como o ditado diz: gentileza gera gentileza...


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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Educação para a Sustentabilidade do Outro Lado do Mundo

Trabalhar para a natureza não é nada fácil. O mundo natural é o meu escritório. Isso significa que  grande parte do meu tempo eu passo em lugares que estão sofrendo com os abusos da sociedade contemporânea. Testemunhar lixões, alagamentos, rios poluídos são momentos de muita angústia para mim. Porém são nesses encontros com a dor que eu percebo o quão necessários são as pessoas que estão dedicando suas vidas a sustentabilidade.

Atualmente estou atuando como educadora para a fundação internacional Traidhos Tree Generation Barge Program em Bancoque na Tailândia. O objetivo da fundação é educar indivíduos e comunidades para a conscientização socioambiental e empodera-los para ter uma participação mais ativa e responsável na construção de um futuro sustentável. A fundação existe desde 1995 e oferece a escolas, universidades e empresas diferentes expedições ao mundo natural e a locais sagrados de acordo com a cultura Thai e a religião Budista.

Acampamento e fogueira. Foto: Traidhos Tree Generation Barge Program

Grande parte de nosso público são escolas internacionais com turmas de crianças de todas as idades. Nossas aulas são experiências praticas que buscam oferecer uma perspectiva holística provocando o pensamento crítico e contribuindo com o aprendizado em sala de aula. Todo o nosso trabalho é conduzido em inglês e a equipe da fundação tem 8 educadores de diferentes países do mundo e 4 educadores da Tailândia.

Eu e minha equipe, uma interprete de Tailandês e mais um educador, levamos grupos para áreas de natureza selvagem, espaços sagrados, comunidades tradicionais e regiões que foram depreciadas. Algumas vezes visitamos lugares que são exemplo de conservação, aonde a integridade do ecossistema impera e você pode contemplar e estudar as espécies de maneira abundante. Nestes dias meu espírito se revigora e eu me recordo porque dedico a minha vida ao mundo natural.

Foto: Khao Yai National Park

Outras vezes nós vamos a lugares completamente oprimidos e destruídos. Vamos testemunhar os resultados de um consumo desenfreado e um descarte irresponsável que gera muita poluição. Testemunhamos sujeira por todos os lados e não é possível encontrar espécie alguma. Hoje a Tailândia sofre muito com o descarte irresponsável, eu ainda não tinha visto nada igual.

Um dos principais projetos da Thraidos Three Generation é dedicado ao rio Chao Phraya. Chao Phraya é o principal rio do país e esta completamente poluído devido ao desenvolvimento sem planejamento. As aulas sobre o Chao Phraya são oferecidas em um barco e nós navegamos observando os moradores e empreendimentos na costa do rio, os dejetos que flutuam e realizamos testes para verificar a qualidade da água. Nestas expedições também observamos os efeitos da destruição ecológica na vida das pessoas e moradores locais. Em visitas como estas eu me questiono porque escolhi tal profissão.

Casa alagada na ilha de Ko Kret. Fonte: Maria Eduarda Souza

Crianças durante aula no rio Chao Phraya. Fonte: Maria Eduarda Souza

Trabalhar para a natureza é assim. Navegamos entre regiões belíssimas e lugares extremamente destruídos aonde o ar não se respira. Por exemplo, em uma mesma expedição nós visitamos a ilha Samae San que é protegida pela Marinha Real da Tailândia e nutre uma rica vida marinha. E no dia seguinte visitamos uma região de carcinicultura (cultivo de camarão) na costa do país aonde a biodiversidade foi substituída por monocultura.

Panorâmica na ilha Koh Samae San, reserva marinha. Fonte: Maria Eduarda Souza

Crianças mergulhando na reserva Koh Samae San. Fonte: Traidhos Tree Generation Barge Program

Grande parte da educação para a sustentabilidade estar em mostrar os lugares que foram depreciados para gerar conscientização sobre os resultados de uma sociedade insustentável. É triste mas através do exemplo as crianças podem refletir sobre os impactos de suas atitudes e escolhas. Em geral, nós trabalhos com crianças que vivem na grande Bancoque e acham que a poluição é normal. A ideia de rios e ruas limpas são uma imagem distante e irreal.

No entanto, através de vistas a lugares selvagens e experiências de profunda conexão com a natureza somos capaz de inspirar os alunos a se apaixonarem pelo mundo natural. Para mim, esta é uma estratégia mais satisfatória no ensino da sustentabilidade. Através de uma estímulo afetivo com a natureza nós somos capaz de engajar mais corações. Quando nos apaixonamos pelo mundo natural, organicamente iremos protege-lo, buscar informações e transformar nossas atitudes.

Trilha no Parque Nacional Khao Yai. Fonte: Traidhos Tree Generation Barge Program

Aula no Parque Nacional Khao Yai. Fonte: Traidhos Tree Generation Barge Program

É preciso ser honesta quanto ao trabalho da Traidhos Tree Generation Barge Program. Aqui eu observo muitos benefícios positivos e transformadores destas aulas e vivências. Sem dúvidas é um lugar digno para trabalhar e estamos oferecendo experiências significativas. No entanto, também observo a discrepância entre os valores e ética da fundação e a aplicação destes conceitos na prática. Não irei entrar nos detalhes agora, porém, brevemente quero mencionar que a alimentação oferecida aos alunos ainda é muito incoerente e não reflete conceitos de sustentabilidade. O uso de combustível de transporte também é algo astronômico que preciso ser revisto com criatividade e eficiência. Sinto que preciso expor esta preocupação, pois por ser funcionária da fundação preciso ter uma reflexão crítica sobre tal.

Outro assunto que eu questiono diariamente é a política de “health and safety” (saúde e segurança) imposta pelas escolas e seguida com rigor por nós. É claro que a segurança de nossos alunos é importantíssima e nunca será a nossa intenção agir de maneira leviana. Porém, aonde estas políticas de segurança começam a criar uma barreira entre as crianças e a natureza? Por exemplo, quando mergulham nos rios e estão nas praias os alunos são obrigadas a usarem sapatos por conta do risco de machucarem o pé. As crianças não podem mergulhar no mar livremente, somente com colete salva vidas, nem mesmo no raso. Os alunos também estão proibidos de correr pela floresta ou subir em árvores. Será que isso não esta ensinando a eles a se protegerem da natureza ao invés de respeita-la sendo consciente com sua própria integridade física?

Crianças no trem. Fonte: Traidhos Tree Generation Barge Program

Minhas experiências com crianças indígenas na Amazônia me mostra como uma verdadeira relação de aprendizado com a natureza emerge da confiança, sem barreiras impostas por órgãos invisíveis. Sei que não é justo comparar a infância indígena com a cultura internacional Thai de centros urbanos. Porém, precisamos restaurar a liberdade e empoderar nossos alunos para entender risco ao invés de protege-las da vida selvagem. Nós fazemos parte da natureza e estas barreiras e proibições nos afastam cada vez mais de entender que somos parte do mundo natural.
  
Criança indígena na aldeia Ipavu. Foto: Maria Eduarda Souza

Mudar a mentalidade é um grande desafio, no entanto é exatamente o que precisamos na construção da transição para uma sociedade sustentável. Eu tenho uma vontade enorme de retornar ao Brasil e trabalhar com crianças e ecossistemas brasileiros. Aproveito e faço o convite, se você tiver interesse em trabalhar junto, entre em contato. Basta comentar aqui com seu email que eu escrevo para você. Vamos conversar! Educar para a sustentabilidade é um trabalho a longo prazo e a mais poderosa ferramenta para mitigar nossa atual crise ecológica.

Contemplando a vista no Parque Nacional Khao Yai. Foto: Maria Eduarda Souza





terça-feira, 26 de setembro de 2017

Terra de Ninguém?

Ser dono de um pedacinho de terra é o sonho de todo homem. Mas adquirir um imóvel não é tarefa tão fácil.

Autossustentável: Terras
Imagem: Blog do Pedlowski

Quando o Brasil foi descoberto, a teoria é de que não possuía dono. Que era uma terra de ninguém, com algumas tribos indígenas escondidas em meio às matas. A Europa que já possuía uma cultura de “acumular” terras como sinal de poder, começou a invadir o país, colocando marcas de propriedade e brigando por elas. As estacas ou cercados delimitavam os pedaços de terra e os oficiais da coroa passaram a “registrar” o nome dos proprietários de cada área.

Autossustentável: Valoração da terra
Imagem: Diário Liberdade

Os séculos passaram e ainda hoje é possível encontrar terras não registradas. Há terrenos no extenso litoral brasileiro que não possuem cadastro no Registro de Imóveis. Mas a comunidade local sabe a que família pertencem aquelas terras. Quem por ventura resolver comprar ou vender um lote desses, terá como único documento um contrato de “cessão de direitos”. Isso significa que não há a propriedade, mas apenas a posse.

Imagem: Linkedin

Para o nosso direito de propriedade ser reconhecido e considerado garantido precisamos de dois documentos:

  • uma escritura de compra e venda, que se faz em um Tabelionato ou Cartório de Notas e,
  • uma averbação na matrícula do imóvel, ou seja, uma anotação no Registro de Imóveis de que você comprou determinado terreno. 
Estes dois documentos permitem que você comprove a posse de sua propriedade de forma plena. Mas nas terras de ninguém não temos como fazer uma escritura, pois a pessoa não é proprietária (não possui os dois documentos) e não há cadastro do imóvel no Registro de Imóveis.

Para regularizar esta situação, desde o antigo direito romano temos uma ação judicial chamada de Usucapião. Cada tipo de terreno (rural, urbano) possui um período de tempo mínimo para que o Usucapião possa ser solicitado. Neste processo judicial, os vizinhos são chamados para dizer se aquela é mesmo a metragem do terreno que você possui e se você realmente é o proprietário daquele terreno pelo período de tempo que você alega. Se todos concordarem o juiz declara que o direito de propriedade é seu e manda o Registro de Imóveis cadastrar estas informações.

Autossustentável: Propriedade
Imagem: DCH

Este processo costumava ser muito demorado, pois nem sempre os vizinhos são localizados e algumas vezes o terreno onde você foi morar já tinha um registro em nome de outra pessoa. Para facilitar esse processo, agora os Cartórios de Notas podem conduzir o Usucapião, em substituição ao juiz. O objetivo é que se consiga com mais rapidez resolver o problema da documentação.

Para isto ainda é necessário estar acompanhado de um advogado que apresentará ao Cartório um documento de posse (se houver), uma planta do imóvel, um histórico de posse do imóvel e certidões negativas de impostos municipais, estaduais e federais. Os vizinhos, e eventualmente o antigo proprietário, quando existir, receberão uma comunicação do Cartório para se manifestar. Se não houver nenhuma oposição, o Cartório registra o terreno no seu nome.

Com isso você recebe um título definitivo e passa a ser o mais novo (e feliz) proprietário de um imóvel!

Fonte: CN Registradores

Quer saber mais sobre Usucapião Extrajudicial (em Cartório)? Acesse a cartilha técnica, clicando aqui.

  
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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Dia Mundial Sem Carro – E o que eu tenho a ver com isso?

Autossustentável: Dia Mundial Sem Carro
Imagem: Autossustentável

Hoje, dia 22/09, é comemorado o Dia Mundial Sem Carro, também conhecido internacionalmente como World Car Free Day. Criado na França em 1997, já no ano 2000 foi adotado por vários países europeus, em 2001 pelo Brasil e hoje tem proporções mundiais.

Autossustentável: Dia Mundial Sem Carro
ImagemCDN

Mas você sabe qual o propósito dessa data? O Dia Mundial Sem Carro foi criado com a finalidade de estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, trazendo com isso a oportunidade para as pessoas que dirigem sempre experimentarem formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade utilizando outros meios de transporte.

Muitas cidades do mundo realizam campanhas para que seus motoristas se conscientizem em deixar seus automóveis em casa, utilizando bicicletas, transporte público, o sistema de rodízio de caronas (em que cada dia da semana uma pessoa é responsável por levar um grupo que compartilha da mesma rota) ou mesmo indo a pé até seus trabalhos, escolas ou compromissos sociais.

Autossustentável: Espaço no trânsito
Imagem: Pinterest

Isso porque muitas vezes a rotina e a correria do cotidiano nos demandam tanto tempo que entramos no “modo automático” e não percebemos a repetição de alguns padrões sociais que acabamos naturalizando no nosso dia a dia, como a elevada dependência que alguns de nós desenvolvem em relação aos automóveis.  Os carros são uma formidável invenção (principalmente para transportar pessoas com restrição de mobilidade, idosos, bebês e quando precisamos transportar coisas pesadas e grandes), a má utilização deles é que vem representando um crescente problema para a sociedade e para o planeta.

Autossustentável: Status
Imagem: Singer

O problema começa com a aceitação da ideia de que ter um carro representa ser bem sucedido, parece que ao comprar um carro e dirigir sempre você ascende no status social, é um selo invisível que, infelizmente, reproduzimos sem perceber. Essa valoração promovida e propagada pela indústria automobilística transformou o automóvel em um dos principais símbolos de individualismo das últimas décadas; e o incentivo governamental deu aquele empurrãozinho para que as cidades ficassem congestionadas, poluídas e estressantes. 

Autossustentável: Poluição
Imagem: Veja

Outros fatores também contribuíram fortemente para o uso massivo de automóveis, como o planejamento das cidades ser voltado a atender prioritariamente a automóveis; e a infraestrutura brasileira ser fundamentada em rodovias em detrimento de ferrovias e hidrovias, estas sequer saíram do papel, enquanto aquelas sofreram grande desmantelamento. E essa logística tem altos custos para a economia do país, mas isso é assunto para outro post.

Autossustentável: Progresso
Fonte: Geografia em Foco

É claro que, o despertar consciente da população e a mudança de comportamento não acontecerão automaticamente em um passe de mágica de um dia para outro, mas o intuito é que mostrar que existe e é possível o deslocamento além do volante. A ideia é chamar atenção também para os transportes públicos e em como eles precisam ser melhorados, quanto mais gente exigindo seus direitos, mais forte a corrente fica e mais fácil os gestores públicos tomarem providências a respeito. Precisamos de planejamento e políticas públicas eficientes para que o uso do transporte público e da bicicleta se difunda e massifique.

  

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