sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Conheça Iniciativas e Empresas que estão mostrando que é possível aliar Moda e Sustentabilidade

Imagem: Instituto Rio Moda

Sabemos que o caminho para a moda sustentável passa obrigatoriamente por consumidores mais conscientes e exigentes e também pela disposição das empresas buscarem inovações para suas cadeias produtiva e de valores.

Embora o cenário atual, nos revele consumismo; durabilidade curta, devido à obsolescência programada; e descarte cada vez maior e mais rápido de roupas e calçados, existe um movimento crescente que vai na contramão de tudo isso, o Slow Fashion.

Esse movimento surge para dar maior consciência ecológica aos consumidores, mostrando que as roupas e produtos podem ser projetados com matérias primas ambientalmente amigáveis, isto é, materiais que não gerem resíduos tóxicos, e que tenham vida útil prolongada. Um número cada vez maior de empresas tem demonstrado preocupação em relação aos impactos socioambientais que seus processos produtivos têm gerado, e mais que isso, a busca por soluções que envolvam a melhoria do cenário ambiental e a atenção às questões sociais tem sido cada vez mais percebido nesse setor tão poluente e degradante.


Imagem: Jardim do Mundo

Empresas antigas se reinventam, novas empresas e iniciativas já surgem com esse ideal em suas missões, a cooperação entre os fornecedores, empresas, organizações de normas ambientais e consumidores em prol de um ambiente mais preservado e socialmente mais justo. O conceito de sustentabilidade está sempre presente através da utilização de itens reciclados, tintas à base de água, tecidos de fibras naturais, entre outros materiais que contribuem para a preservação do meio ambiente.

Observamos também a importância do design inteligente de produtos que passa a ser pensado de forma circular, a fim de que este produto possa sempre se converter em novos materiais para a produção de novos produtos, gerando, desta forma, uma quantidade cada vez mais reduzida de resíduos, é a economia circular e seu conceito “do berço ao berço” (Cradle to Cradle, em inglês).

A seguir você poderá conferir algumas empresas que estão caminhando na direção da moda sustentável e iniciativas que estão divulgando a importância do tema.

Patagônia
Não comprar nada além do que falta e usar a peça de roupa por vários anos é a principal ideia propagada pela Patagônia, uma das principais marcas de roupa americana.
  
Imagem: Archilovers

Suas peças são produzidas a partir da reciclagem, a marca tem seu design voltado para a qualidade e durabilidade, assim suas roupas são reconhecidas por servirem para uma vida toda. Para isso a Patagônia trabalha com uma eficiente equipe de consertos (realizados em até 10 dias úteis), assim o consumidor tem acesso à manutenção de suas peças quando necessário. Para a empresa, peças em bom estado devem permanecer em circulação, por isso a empresa além de realizar reparos também compra dos consumidores as roupas que os mesmos gostariam de vender porque não usam mais, assim como também recebem doações de peças de seus consumidores que queiram destinar suas roupas sem uso a instituições de caridade. A Patagonia também reconhece a importância da economia circular, recebendo de seus consumidores peças para a reciclagem, no processo são extraídas as fibras do pano e novas peças são confeccionadas.


Imagem: Muda Tudo

Buscando incentivar o surgimento de novas empresas com a mesma visão, a Patagonia criou um fundo para investir em startups.  E pensando na cadeia de valor, a empresa se associou ao Walmart a fim de rastrear práticas socioambientais de mais de 300000 varejistas e fabricantes do setor, o que corresponde a 40% do mercado têxtil mundial. Com essas ações, a empresa dissemina a política de redução, reuso, reparo e reciclagem que associação moda à sustentabilidade.

Brasil Eco Fashion Week – BEFW   
A semana de moda BEFW surgiu como resposta à crescente demanda por um mercado de moda engajado a valores humanos, consciência de consumo e preservação ambiental. 
  
Imagem: Chesller

O primeiro grande evento dedicado à moda brasileira com foco na sustentabilidade foi realizado, em novembro deste ano, em São Paulo. Inspirado na Eco Fashion Week que acontece no Canadá, a semana de moda sustentável brasileira foi planejada para apresentar soluções à moda tradicional e também mostrar que é possível aliar moda a consumo consciente. Diferente das semanas de moda tradicionais, a proposta da BEFW é conectar marcas e empresas que produzem moda sustentável aqueles que desejam consumir de forma mais consciente, além de apresentar ao público que ainda não conhece.


Imagem: IDsetters

O evento contou com showroom, um espaço inovador de vendas para varejo e atacado, onde mais de 30 marcas expuseram para o público suas produções sustentáveis; oficinas; palestras; workshops; rodas de conversa; e uma praça de alimentação com slow food.

Another Land
Fundada por Caroline Noreika e Cibele Nogueira, a Another Land é uma marca que trabalha com tecidos e estamparia ecológicos.

Imagem: Another Land Project

Esse projeto criativo, que incentiva o consumo e a produção consciente, nasceu em 2015 estampando produtos ecofriendly e destacando calçados feitos com tecidos provenientes do lixo de confecções têxteis. A marca desenvolve acessórios, alpargatas e artigos de decoração, elaborados com tecidos feitos de garrafa PET, algodão reciclado ou fibra natural e a estamparia é 100% ecológica, os corantes e pigmentos são tintas à base d’água, sem químicos ou solventes. As estampas são digitais e manuais  inspiradas em narrativas que transitam entre a natureza  e o urbano, a ordem e o caos. 

C&A 
A gigante varejista C&A preocupada com os impactos do cultivo tradicional de algodão, vem optando por utilizar em seus artigos algodão certificado pela Better Cotton Initiative – BCI (Iniciativa por um Algodão Melhor), em 2016 15% dos artigos desse material comercializados no país já eram certificados, a expectativa da empresa é atingir 100% até 2020.

Imagem: Ideia Circular

O objetivo da BCI é garantir que o algodão seja produzido de forma ética e responsável, por isso suas ações são voltadas para o combate ao trabalho escravo e infantil; para a melhoria das condições dos trabalhadores do campo; e para a melhoria de práticas agrícolas, como a redução do consumo de água e de pesticidas.

Com o intuito de alertar e difundir a necessidade do cultivo mais sustentável do algodão, a C&A e a National Geographic lançaram o documentário “For the Love of Fashion” (Por Amor à Moda), apresentado por Alexandra Cousteau, mundialmente conhecida por seu trabalho ligado a questões de sustentabilidade e água.



Documentário For the Love of Fashion que mostra os resultados do uso de métodos
de produção mais sustentáveis, como o BCI e o cultivo orgânico.

Outra preocupação da marca é em relação ao jeans e a quantidade excessiva de água gasta durante seu processo produtivo, por isso a C&A está investindo em inovações de sua cadeia produtiva e como resultado há 92% de economia de água e 30% de redução de energia no processo de tecelagem; e 30% de economia de água e 15% menos energia no processo de lavanderia. Isso graças a certificação de seus fornecedores, como as empresas fornecedoras de fiação, as confecções e as lavanderias.
  



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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

O que a etiqueta não mostra! Os impactos socioambientais da moda tradicional

O desenvolvimento e, principalmente, a expansão da moda sustentável passa obrigatoriamente pela necessidade do consumo ser feito de maneira consciente. Para que as empresas se tornem cada vez mais transparentes na divulgação de informações ao público, é preciso que o mesmo saiba exatamente o que exigir dessas marcas.

Imagem: Autossustentável

Justamente por isto, hoje falaremos sobre como podemos nos tornar consumidores mais conscientes no segmento da moda. Uma boa forma de iniciar a jornada em busca do consumo consciente é tomar conhecimento sobre como os produtos que mais utilizamos em nosso dia a dia, tais como: o algodão, o jeans, a viscose e o poliéster, chegam até nós.

Vivemos em uma maravilhosa época onde a informação circula em velocidade cada vez maior e onde há conexão quase absoluta entre todas as partes do mundo. Mas será que em meio a esse turbilhão de dados que nos bombardeiam a cada minuto conseguimos filtrar aquelas que de fato nos seriam úteis? Aquelas que nos ajudariam a tomar melhores decisões sobre consumo, bem estar e satisfação? Será que ao adquirir uma peça de roupa, nos preocupamos com outras variáveis além do preço? Será que nos perguntamos qual foi o caminho que ela fez até chegar ao nosso guarda roupa? Será que sabemos que determinados tecidos são extremamente poluentes e degradantes tanto ambientalmente quanto socialmente? Aquela peça de roupa super baratinha daquele site chinês ou aquelas das liquidações das grandes lojas de departamento que aparentam ser ótimas escolhas para aquisição, na maioria das vezes escondem por trás da etiqueta uma história que a maior parte dos consumidores desconhece.

Camisas de algodão. Imagem: GazabPost

Algodão é a fibra natural que representa 90% de todas as fibras naturais usadas na indústria da moda e que está presente em mais da metade das peças de vestuário confeccionadas no Brasil. A primeira vista, a palavra natural pode representar algo positivo, afinal não é um tecido que vem diretamente da natureza. Que mal poderia haver? Bem, o cultivo de algodão necessita de grandes quantidades de água e de irrigação extensiva se cultivado fora de seu ambiente natural. Para se criar 1 quilo de algodão, são necessários cerca de 30.000 litros de água! E 1 camisa de algodão usa aproximadamente 2.700 litros de água! Isso sem contar a utilização de defensivos agrícolas, já que o cultivo de algodão responde por 24% de todo o consumo de inseticidas e 11% dos pesticidas utilizados na agricultura mundial. O algodão é também aquele que consome maior quantidade de energia em seu processo produtivo, aqui incluem-se o combustível das máquinas agrícolas que realizam a colheita, a energia das máquinas de fiação e dos processos de lavagem, secagem e ferro de passar.

Imagem: Look Forward

Desta forma, você pode imaginar os tipos de impactos resultantes do cultivo desta fibra natural. São impactos ambientais e sociais preocupantes como a degradação do solo, lençóis freáticos e rios por conta do uso de defensivos; problemas de saúde causados pelo manuseio e contato com inseticidas e pesticidas, e também pela ingestão de água que esteja contaminada por essas substâncias; o desenvolvimento da bissinose, uma disfunção pulmonar causada pela aspiração crônica de fibrilas de algodão. Além destes, também é necessário ressaltar a geração dos resíduos têxteis, que no Brasil representam 175.000 toneladas/ano, onde somente 36.000 toneladas são reaproveitadas, devido ao curto comprimento das mesmas, para fazer barbantes, novas peças de roupas e fios, e também para a fabricação de estopas, colchões e mobiliários.

Imagem: Textile Excellence

O jeans é prático e versátil, uma peça coringa, tanto que é bem difícil que alguém não possua uma calça jeans em seu guarda roupa. Mas você sabe como ocorre o processo de fabricação dessa maravilhosa invenção? Sabia que o jeans é uma das peças mais poluentes do vestuário? A começar pela produção do denim, um tecido de algodão base do jeans, que consome durante o processo grandes quantidades de água, energia e corantes a base de produtos químicos altamente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Passando pela logística de distribuição e entrega, que majoritariamente atravessa o globo, já que as grandes fábricas de jeans se encontram na Ásia, notadamente na China e Índia. Nessa conta também entram as embalagens que acompanham os produtos e a destinação muitas vezes incorreta das mesmas. E não podemos esquecer da água e produtos químicos utilizados por nós para a lavagem e higienização dos nossos jeans. Está faltando ainda a última ponta do processo, o descarte das peças que não utilizamos mais. Qual o destino que você dá ao jeans após o uso? Vamos nos atentar que uma calça jeans leva cerca de um ano para se decompor na natureza.

Imagem: Estácio

Podemos acompanhar o quanto a produção do jeans provoca impactos socioambientais no documentário canadense RiverBlue, que mostra como a produção de bilhões de peças jeans anualmente polui rios, lagos, mares e reservatórios devido ao tingimento de tecidos. Extremamente tóxica, comprometendo a saúde dos trabalhadores dessas fábricas e também das comunidades em seu entorno, o processo de produção do denim exige várias lavagens químicas intensivas, sendo esses resíduos despejados, na maioria das vezes em rios. No documentário é mostrado que são identificados cinco metais pesados (cádmio, cromo, mercúrio, chumbo e cobre) no rio que corta Xintang, a cidade chinesa conhecida como a capital mundial de fabricação de jeans (1 em cada 3 pares de jeans vendidos no mundo é produzido nesta cidade). Esses metais pesados são neurotóxicos, cancerígenos, perturbando o sistema endócrino e causando câncer em diferentes órgãos. Ao preço da saúde da população e da destruição de suas fontes de água, a China se torna a “Fábrica do Mundo”.

Trailer do documentário RiverBlue que mostra toda poluição dos rios causada pelo processo de tingimento de tecidos, lavanderias de jeans e curtumes de couros.

A viscose, fibra artificial feita a partir de celulose, mais especificamente cavacos de madeira e de árvores de rápido crescimento que possuem pouca resina, é usada em larga escala, servindo inclusive como forro para peças de outros materiais, perdendo em usabilidade apenas para o poliéster e algodão. Apesar desta fibra ser proveniente de fonte renováveis, seu amplo emprego ocasiona vários impactos, que muitas vezes por ocorrerem longe de nós, acabamos não tendo conhecimento.

Imagem: Silent Inc
Imagem: Flash la Revista

Os problemas se iniciam com o processo extrativo da matéria prima, de acordo com informações do site Modefica, cerca de 30% da viscose produzida é proveniente de árvores de florestas nativas e ameaçadas de extinção, como a Amazônia. Na lista dos países que mais desmatam estão Indonésia, Brasil e Canadá que em 2010 foram responsáveis por cerca de 2/3 de toda a importação de polpa de viscose pela China. Desse montante, 75% foram transformados em tecidos para indústria da moda. Durante o processo produtivo no qual a polpa da madeira é transformada em fibra de celulose e em seguida em fios de viscose são utilizados produtos químicos como soda cáustica e ácido sulfúrico, sendo emitidos sulfeto de carbono e gás sulfídrico, dois gases que apresentam efeitos tóxicos significativos à saúde dos trabalhadores desse segmento. Além disso, a produção de viscose demanda uso excessivo de energia e de água – para cada quilo de viscose produzida são utilizados 640 litros de água! – e grande parte do material é descartada durante o processo (cerca de 70%).

Desmatamento produzido pela indústria da moda tradicional. Imagem: One Green Planet

E com as exigências do modelo Fast Fashion, maior produção com menores custos, a maior parte dos tecidos de viscose hoje são tecidos de baixa qualidade e durabilidade, fato que potencializa a dimensão do descarte. Essa equação ainda possui um último fator agravante, apenas 0,1% dos tecidos de viscose são reciclados. Como podemos observar, são vários os impactos socioambientais que a produção de viscose ocasiona, desde o desmatamento que gera perda de biodiversidade e violações de direitos humanos relativos aos trabalhadores e as comunidades nativas dessas florestas, passando pelas implicações à saúde dos trabalhadores dessas indústrias, até a questão do descarte de volume cada vez maior de tecido, agravando a situação dos aterros sanitários.

Montanha de lixo formada por roupas. Imagem: GreenMe

O que conhecemos como poliéster é o polietileno tereftalato, mais conhecido como PET. Em sua maioria os poliésteres são termoplásticos, possuindo várias aplicações em nosso cotidiano, como garrafas de plástico, material isolante, filmes, filtros, tintas em pó, telas de LED e, principalmente, tecidos e malhas utilizados em roupas, lençóis, cortinas, móveis e estofados. Isto porque o tecido de poliéster possui maior durabilidade, retenção de cor e resistência a rugosidades, quando comparado com tecidos naturais como o algodão. Por essa razão é bem comum a mistura do poliéster com tecidos naturais a fim de combinar as características de ambos os tecidos.

Imagem: Industria Outpost

Produzido a partir de petróleo ou de gás natural, matérias primas não renováveis e poluentes, a produção de poliéster causa diversos danos ambientais, uma vez que também são emitidos compostos orgânicos voláteis (VOC) e efluentes contendo antimônio. Ademais, durante o processo produtivo demanda grandes quantidades de água para resfriamento, juntamente com uma grande quantidade de químicos nocivos, que podem se tornar fontes de contaminação. Para que 1 quilo de poliéster seja produzido são gastos 20 litros de água. O processo de produção utiliza ainda grandes quantidades de energia, correspondendo à etapa de extração das matérias primas e transformação em produto final, o dobro de energia que a produção de algodão convencional.

Visão ampliada de microplásticos na ponta de um dedo. Imagem: Igui Ecologia

Além destes, existem outros impactos socioambientais resultantes da produção do poliéster em decorrência do mesmo não ser biodegradável e levar cerca de 400 anos para se decompor. Sendo o pior deles a contaminação por microplásticos (pequenas partículas plásticas com menos de um milímetro de diâmetro) que acabam se desgarrando das fibras do tecido e vão parar nos rios, mares e oceanos, prejudicando ecossistemas. Para se ter ideia, em uma simples lavagem, uma peça de roupa de poliéster pode soltar até 1900 microfibras! Essa água utilizada na lavagem segue para corpos d'água e oceanos, onde pequenos animais se alimentam desses microplásticos propagando a intoxicação ao longo da cadeia alimentar até chegar aos seres humanos. Sim, já estamos consumindo peixes contaminados com microplásticos, pois grande parte das superfícies dos oceanos já está contaminada por com esse material. Estamos vivenciando contaminação do meio ambiente e da saúde do planeta e a nossa própria, porque estamos poluindo o planeta com um produto tóxico que não é biocompatível.


Vídeo do canal
Minuto da Terra que aborda os microplásticos e a poluição nos oceanos.


Mas por que não reciclar? Como a maioria das roupas é feita por tecidos híbridos, pela junção do poliéster a alguma fibra natural, isso dificulta o processo de reciclagem, uma vez que, a tecnologia de reciclagem química para separar as fibras e reaproveitá-las em novas fibras não está implementada industrialmente. Outro problema é o custo, já que uma fibra de poliéster reciclada é cerca de 20% mais cara do que uma virgem, possuindo uma menor qualidade que a segunda.

Como podemos ver nessa breve exposição, são vários os custos, manifestados em graves impactos socioambientais, do modelo atual de produção têxtil da moda tradicional e de consumo, transformado em consumismo pelo sistema Fast Fashion. O que apresentamos aqui é só uma pontinha de tudo que acontece por detrás dos holofotes dos grandes e tradicionais desfiles de semanas de moda; de campanhas publicitárias que nos impelem a consumir a calça da estação, a jaqueta do momento, o vestido da coleção x da marca y; o calçado da instagrammer fulana de tal que parece tão lindo e popular. Somos programados cada vez mais cedo a associar felicidade a consumo. Sim, precisamos consumir para nosso bem estar, mas será que essa velocidade imposta trará felicidade ou angústia por não termos condições de consumir tudo aquilo que nos é apresentado como último grito da moda? Será que o descarte cada vez mais frequente e rápido vale o preço da satisfação momentânea em adquirir uma peça de roupa, um calçado ou maquiagem? 


O processo de conscientização sobre o consumo é algo realmente necessário para que nosso planeta não seja cada vez mais devastado e para que a saúde da sociedade seja preservada, mas também é necessário para nosso bem estar, para desconstruirmos essa necessidade incessante de comprar estimulada por todos os meios em todos os lugares. Como dica, para aqueles que pretendem mergulhar mais fundo no assunto, sugiro o documentário “The True Cost” – vocês podem conferir o trailer no vídeo aqui em cima – que trata exatamente do custo real da moda por um lado que dificilmente é mostrado.


Para aqueles que querem conhecer iniciativas e marcas que estão procurando mudar esse cenário e fazer a moda mais sustentável, é só acompanhar o próximo post, pois traremos algumas novidades a respeito.



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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Moda Sustentável: repensando a cadeia produtiva, Grupo Malwee transforma a indústria da moda

Sabe aquele chão de fábrica que é incrível e com uma ótima gestão da sustentabilidade em todos os processos da empresa?

Imagem: Grupo Malwee

Foi exatamente essa sensação que tivemos ao visitar a fábrica do Grupo Malwee em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. A convite da empresa fomos conhecer a sua fábrica e conferir as iniciativas sustentáveis que já foram e que estão sendo implementadas em toda a sua cadeia de valor.


Imagem: Grupo Malwee

A verdade é que a visita mostrou muito além de uma empresa que faz uma excelente gestão dos recursos hídricos e com alguns ótimos indicadores, o Grupo Malwee tem mergulhado de cabeça na rotina desafiadora de uma grande transformação na indústria da moda!

Tivemos a oportunidade de visitar cada um dos setores e verificar como cada área tem sua responsabilidade frente às metas de sustentabilidade, incorporando tecnologias e processos inovadores em toda a sua cadeia de produção.


Imagem: Autossustentável

Toda essa transformação foi pensada de forma estruturada em 2013 e iniciada em 2015. O Plano 2020 é o “resultado do olhar para o futuro da sustentabilidade em relação aos negócios, produtos e operações”, destaca Taise Beduschi, Gestora de Sustentabilidade do Grupo Malwee.

O Plano 2020 é um conjunto de metas e objetivos que a empresa estabeleceu para si com o olhar voltado para o desenvolvimento de uma cadeia de valor sustentável. Envolve desde a fabricação do produto até a gestão da cadeia de fornecedores, a redução do impacto ambiental e o engajamento de funcionários e consumidores finais.


Imagem: Grupo Malwee

Na cadeia de fornecedores, há o controle de documentos legais, guias de INSS e FGTS e, um código de ética e requisitos contratuais para 100% dos fornecedores. O Grupo Malwee também utiliza a certificação da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVETX), que indica os fornecedores com condições adequadas de trabalho e segurança e normas trabalhistas contratuais, além de questões ambientais e gestão de resíduos.

Tudo isso sem falar na classificação verde de todas as marcas do Grupo no App Moda Livre, um aplicativo gratuito que avalia as empresas do setor de acordo com uma metodologia própria. Recebem o selo verde, que representa a melhor classificação, empresas sem envolvimento com o trabalho infantil, análogo à escravidão ou escravo, e que conseguem assegurar o mesmo de seus fornecedores.

Imagem: Fashion Bubbles

Entre as matérias primas sustentáveis adotadas pelo Grupo Malwee, estão o Algodão Desfibrado, que é feito com resíduos do corte das malhas e tecelados novamente. A Poliamida Biodegradável, que se decompõe em até três anos em aterro sanitário (a poliamida comum pode demorar até 50 anos); e a malha PET, que é desenvolvida a partir de garrafas coletadas (este ano a marca já alcançou 25 milhões de unidades de embalagens recicladas).


Imagem: Grupo Malwee

Já a matriz energética da empresa foi inteiramente substituída. Saiu a caldeira a gás natural e entrou a caldeira por biomassa (cavaco de madeira), impactando assim numa redução de 56% das emissões de CO2 por peça produzida.

Uma das meninas dos olhos da empresa catarinense é a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE). O sistema de tratamento de efluentes por membrana de ultra-filtração diminui a quantidade de insumos químicos inseridos no tratamento da água e gera uma eficiência de 98%.

Imagem: Grupo Malwee

Com a ETE, a empresa emprega o reuso de água (cerca de 200 milhões de litros anuais) e otimiza seus processos de fabricação diminuindo o consumo de água, com destaque para o processo de tinturaria. Do lodo resultante da ETE, a empresa já faz testes para ver qual a melhor solução sustentável e onde ele pode ser reaproveitado.


Imagem: Grupo Malwee
  
A outra menina dos olhos é o Parque Malwee, um parque com 1,5 milhão de metros quadrados de área preservada. O local é aberto ao público e possui mais de 35.000 árvores, abriga 133 espécies de aves catalogadas e tem 16 lagoas.

Imagem: Grupo Malwee

Além do Parque, o Grupo mantém ainda outras duas áreas verdes, o Pico Malwee que possui cerca de 1,4 milhão de metros quadrados de mata nativa (uma das poucas reservas existentes da Mata Atlântica) e uma Reserva Particular de Patrimônio Natural Estadual (RPPNE) que possui 1,3 milhão de metros quadrados e 21 nascentes e é destinada à pesquisa científica.

Imagem: Grupo Malwee

Além de todas as iniciativas e cuidados, a Malwee também é fortemente engajada e apoiadora do Fashion Revolution Day (já contamos aqui e aqui), da Hora do Planeta e do Pacto Global.

Para saber as mais sobre as iniciativas implementadas, acesse o Plano 2020!

Saímos da visita à fábrica do Grupo Malwee com a certeza de que, mais do que pensar em moda simplesmente, cabe a todo setor produzir com respeito ao meio ambiente e às pessoas, conduzindo o cliente para um consumo mais consciente e impulsionando outros agentes do setor.


Imagem: Autossustentável

Agradecemos o convite e a receptividade do Grupo Malwee, em especial: Stephani Loppnow, Taise Beduschi e Bruno Luz Martins.


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