terça-feira, 19 de julho de 2016

#ECOzinha – Conheça os Benefícios da Laranja


A laranja é uma fruta bastante comum da dieta dos brasileiros. Além de ser rico em vitamina C, o fruto reserva uma série de outros benefícios, incluindo melhores condições para o sistema cardíaco e digestivo.

É importante lembrar que a maior parte dos benefícios da laranja está concentrada no bagaço da fruta, que é rico em fibra e pectina, um polissacarídeo muito importante para auxiliar a digestão e impedir a absorção e o armazenamento de gorduras no corpo. 


A laranja traz como benefícios diretos, devido as suas inúmeras propriedades:

  • É uma fonte rica em vitamina C: A vitamina C possui um papel muito importante no organismo, já que ajuda na formação do colágeno, ossos, dentes, glóbulos vermelhos, e favorece a absorção de ferro dos alimentos e a resistência as infecções.
  • É um potente antioxidante: a laranja está composta por vitamina C, flavonoides e betacaroteno, os quais em conjunto funcionam como um potente antioxidante (que ajuda a limpar o organismo prevenindo doenças vasculares, cardíacas, degenerativas, câncer, entre outros).
  • Reduz o estresse e a depressão: o ácido cítrico por sua grande riqueza em vitaminas e oligoelementos (microminerais) fazem com que a laranja seja uma grande aliada para combater os momentos de estresse e depressão.
  • É depurativa: a laranja possui propriedades que ajudam a eliminar as substâncias que não foram metabolizadas e que se alojam em diferentes órgãos. Também possui propriedades desinfetantes e microbicidas, que ajudam a melhorar a saúde do organismo.
  • Favorece o sistema digestório: a laranja possui magnésio, um mineral que se relaciona com o funcionamento do intestino, nervos e músculos. Atua como um analgésico para as dores de estômago, desinfeta e dissolve os resíduos acumulados para facilitar a digestão.
  • Ajuda na absorção de ferro: a vitamina C aumenta notavelmente a absorção de ferro, ajudando muito aquelas pessoas que sofrem de anemia ferropriva.
  • Combate o colesterol: ao ser uma fonte rica em vitamina C, flavonoides e betacaroteno e fibras, a laranja é ideal para combater o colesterol ruim (LDL).
  • Cuida da saúde da pele: a laranja possui propriedades muito benéficas para a pele, já que ajuda a manter a pele hidrata e saudável. É ideal para reconstruir a pele e reparar os tecidos lesionados.

Essa fruta pode ser consumida em sua forma natural ou através de sucos. O ideal é que eles sejam feitos e tomados na hora, sem conservantes e outros químicos que reduzem sua eficiência. Para aumentar o aproveitamento, bata a laranja no liquidificador ou em uma centrífuga, pois assim a casca também é utilizada.

Outra sugestão é fazer o bolo de laranja com casca, confira a receita abaixo:


Ingredientes:

- 2 laranjas médias
- ¾ xícaras (chá) de óleo
- 3 ovos
- 2 xícaras (chá) de açúcar
- 2 xícaras (chá) farinha de trigo
- 1 colher (sopa) de fermento em pó
- Gotas de baunilha

Modo de preparo:

Corte as laranjas em quatro e retire as sementes e a parte branca no centro (deixe a casca e o bagaço). Bata no liquidificador as laranjas, os ovos, o açúcar e a baunilha. Despeje esta mistura em uma vasilha. Acrescente a farinha de trigo mexendo bem e, por último, o fermento misturando levemente. Asse em forma untada. Se preferir, despeje sobre o bolo quente o suco de duas laranjas, adoçando com 2 colheres (sopa) açúcar.




segunda-feira, 18 de julho de 2016

Transforma em Ação e Inspira Mudança. Faça de Cada Dia um Dia de Mandela


Há sete anos, as Nações Unidas, transformaram o aniversário do herói nacional sul-africano no Mandela Day ou Dia Internacional Nelson Mandela - Pela liberdade, justiça e democracia. A data comemorada no dia 18 de julho em diversos países pretende estimular ações solidárias e homenagear o legado do defensor dos direitos humanos, que é o símbolo da luta contra o Apartheid.

No Dia Internacional Nelson Mandela, a ONU e a Fundação Mandela estão incentivando pessoas do mundo todo a é dedicar 67 minutos de seu tempo hoje para participar de obras de caridade ou trabalhos sociais em prol do outro. O período simboliza os 67 anos em que Madiba - como Mandela é popularmente conhecido em seu país -  lutou pelos direitos humanos e pela justiça social. Este dia 18 de julho marca ainda o aniversário de 95 anos do líder sul-africano.

Nobel da Paz, advogado e líder negro, esteve preso por 27 anos, quatro anos depois de ser libertado se tornou o presidente da África do Sul nos anos 90.

Ao longo da África do Sul, escolas, igrejas e todo tipo de instituições já têm planejados seus 67 minutos para contribuir com um mundo melhor, assim como fez Mandela durante seus 67 anos.

Assistência aos moradores de rua, a limpeza de ruas e campos ou o plantio de árvores são algumas das atividades mais populares previstas para celebrar a festa para Madiba.

 A Fundação Nelson Mandela tem mais ideias de ações, como organizar a limpeza de parques, ruas e praias; ler para uma pessoa cega; ajudar um idoso a fazer compras no supermercado, ajudar em um canil para animais abandonados e doar livros usados para escolas ou bibliotecas públicas.

Fora da África do Sul, uma das homenagens mais destacadas deverá ocorrer na sede nova-iorquina da ONU, que realizará uma sessão especial para homenagear Mandela e comemorar o 50º aniversário do julgamento no qual os tribunais do "apartheid" o condenaram a prisão perpétua.

Em Nova York, funcionários das Nações Unidas vão trabalhar como voluntários em duas das áreas mais afetadas pelo furacão Sandy, que atingiu a cidade no ano passado. Equipes irão limpar e coletar material de residências destruídas, além de lixar, passar massa e pintar as casas. O voluntariado será realizado em duas áreas próximas ao mar: Long Beach e Far Rockaway.


  


“A vida de Nelson Mandela é uma educação para todos nós – um exemplo de perseverança em superar adversidades, de coragem em encarar os desafios mais difíceis, de clareza moral em promover a reconciliação e a paz.

Nelson Mandela tem ensinado ao mundo que a dignidade de mulheres e homens é a única fundação sobre a qual se constroem sociedades justas.

Ele tem nos mostrado que a paz não é somente um ideal ou algo abstrato, mas um modo de vida, um caminho para interagir com outros e com o mundo.

Neste dia, vamos prestar homenagem a Nelson Mandela ao apoiar e compartilhar os valores que o inspiram. Em um mundo onde todas as sociedades estão se transformando e todas as mulheres e homens enfrentam pressões crescentes, vamos todos mantermo-nos verdadeiros aos princípios morais estabelecidos por Nelson Mandela.

Respeito, compreensão mútua e reconciliação são os fundamentos mais fortes para a paz e a liberdade. Neste espírito, devemos ajudar os outros, ultrapassar todas as barreiras divisórias e apreciar o mundo em que vivemos.” 

Mensagem da UNESCO


sábado, 2 de julho de 2016

A primeira bicicleta de plástico reciclado do mundo é brasileira


Que tal uma armação de bicicleta produzida a partir de plástico de garrafas PET, embalagens de shampoo e peças de geladeira? Pelo menos a 2.500 pessoas essa ideia interessa. Elas estão numa lista de espera para adquirir uma bike de quadro reciclado que é fabricada, sob encomenda, em São Paulo. Essa bicicleta é mais resistente, flexível e barata. Isso porque o plástico não enferruja, amortece naturalmente e sua fabricação transforma resíduos sólidos em um novo produto.

 

A invenção é do artista plástico uruguaio Juan Muzzi, radicado no Brasil. Ele iniciou em 1998 pesquisa de materiais PET e Nylon como fonte de matéria prima, em São Paulo. A produção concluída em 2008, mas foi necessário um ano de teste para a comercialização do produto para garantir o selo do INMETRO de qualidade e patenteada na Holanda em 2012. “Tenho a patente da primeira bicicleta de plástico reciclado do mundo”, diz.

 

Para fabricá-las, Muzzi conta com o trabalho de algumas ONGs que recolhem sucata e vendem para uma empresa que granula o material. Os grãos são vendidos para a Imaplast, empresa de moldes que Muzzi dirige. Também é possível que o próprio interessado leve o material reciclável. No processo de produção, o plástico granulado entra em uma máquina e é injetado no molde de aço. “Cada quadro demora dois minutos e meio para ser fabricado e, se for feito só de PET, usa 200 garrafas”, explica o empresário.

As encomendas devem ser feitas pelo site MuzziCycles – http://www.muzzicycles.com.br/. Eles possuem diferentes modelos que custam a partir de R$ 680. Hoje é necessário encomendar sua bicicleta online e esperar na fila de espera. Tanto sucesso que existem já em 12 países do mundo e 90% da matéria prima é produzida no Brasil.

Para mais informações visite: http://www.muzzicycles.com.br/


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Em Defesa da Comida (de Verdade), por Michael Pollan

Autossustentável: Comida de Verdade

Comida é tudo. O ato de comer é uma de nossas necessidades humanas, é um instinto. Precisamos comer para sobreviver. Mas os seres humanos, ao longo de sua evolução, transformaram o ato de comer em algo muito mais significativo do que a mera satisfação de uma necessidade básica. Comer é um ato emocional, uma das mais ricas experiências sensoriais que podemos ter. Traz prazer, conforto, tranquilidade. São muitos sentimentos envolvidos.

Nas últimas décadas, o surgimento da indústria alimentícia mudou completamente a nossa relação com a comida. Alimentos ultraprocessados, produzidos em grande escala, passaram a compor a nossa dieta, e, consequentemente, houve um grande aumento nas taxas de doenças crônicas como a obesidade, pressão alta, diabetes... A partir do momento em que essas doenças passaram a ser associadas com a nossa má alimentação, comer bem deixou de ser apenas uma atividade prazerosa e cultural, e tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil. No lugar da comida, passamos a enxergar nutrientes, calorias, gordura, carboidratos.... Por que, e quando o ato de comer deixou de ser apenas algo prazeroso para se tornar algo tão complexo e científico?

Todas essas perguntas são respondidas por Michael Pollan em sua obra “Em Defesa da Comida”. Pollan é jornalista e professor autor de sete livros, quatro deles best-sellers do New York Times. Dedica sua vida a estudar a alimentação moderna, sendo considerado como uma das pessoas mais influentes no mundo nessa área.

Autossustentável: Michael Pollan
A história da ciência moderna da nutrição tem sido uma história de guerra entre os macronutrientes: proteínas contra carboidratos; carboidratos contra proteínas, e então gorduras; gorduras contra carboidratos.

Em seu livro, Pollan faz uma investigação profunda sobre a história da indústria alimentícia e da ciência da nutrição, e explica como ambas caminham juntas. Nós deixamos de comer “a comida da mamãe”, perdemos um pouco desse elo entre a alimentação e a cultura, e passamos a escolher o que comemos a partir de recomendações de pesquisadores, das empresas alimentícias e do governo. E aí surgiram tabelas nutricionais complexas, rótulos nos alimentos cheios de ingredientes desconhecidos, pirâmides alimentares e recomendações controversas e que mudam a cada dia, deixando os consumidores cada vez mais confusos. Não existe uma unanimidade sobre o que comer nem mesmo entre os próprios pesquisadores e nutricionistas; tantos alimentos já se passaram como vilões da nossa dieta: ovo, carne, gordura, carboidrato, proteína (e alguns já até passaram de vilões para aliados da nossa saúde, inúmeras vezes). E o pior de tudo é que todas essas informações, além de gerarem confusão, não estão contribuindo para a nossa saúde. Pollan argumenta que a maioria das recomendações nutricionais que recebemos nas últimas décadas, paradoxalmente, têm contribuído para nos tornar menos saudáveis e mais obesos.

As recomendações nutricionais servem de apoio para as empresas venderem seus produtos como alimentos saudáveis. Através de apelos como “light”, “diet”, “0% gordura”, “sem açúcar”, “sem colesterol”, “com ômega 3”, “com vitaminas”, essas “substâncias comestíveis parecidas com comida” produzidas pelas indústrias transformaram-se magicamente em alimentos saudáveis aos olhos dos consumidores.

Autossustentável: Comida de verdade
Foto: Sabores com Saberes

Depois de explicar o papel da indústria, da ciência e do governo na mudança em nossos hábitos alimentícios e na forma de produzir comida, Pollan nos mostra o caminho para recuperar a nossa saúde e nossa felicidade com o ato de comer. Esse caminho é mostrado através de alguns “mandamentos” a serem seguidos para guiar essa mudança de hábitos, mostrados a seguir: 
  • Não coma nada que sua tataravó não reconheça como comida.
  • Evite produtos que contenham ingredientes que são desconhecidos, impronunciáveis, e mais do que cinco em número.
  • Evite produtos que aleguem vantagens à sua saúde no rótulo.
  • Dispense os corredores centrais dos supermercados e prefira comprar nas prateleiras periféricas.
  • Melhor ainda, se puder, evite os supermercados: compre comida em outros lugares, como feiras livres, mercados orgânicos ou mercados hortifruti.
  • Pague mais, coma menos.
  • Coma uma variedade maior de alimentos.
  • Coma devagar, sentado em uma mesa (sua escrivaninha não é uma mesa!)
  • Tente não comer sozinho.
  • Coma mais como os franceses, ou italianos, ou japoneses, ou indianos, ou gregos.
  • Consulte seu estômago.
  • Cozinhe e, se puder, plante alguns itens do seu cardápio.

Basicamente, tudo se resume em cozinhar mais, não comer comida industrializada (apenas comida de verdade) e reestabelecer uma conexão com a comida. Devemos conhecer a origem de nossos alimentos, para garantir que seja de uma boa procedência. Mas principal mensagem é que devemos desfrutar e muito do prazer de comer, de preferência em boa companhia, pois a comida, quando proveniente da natureza e preparada com amor e respeito aos ingredientes, nos dá muito prazer e não agride a nossa saúde e a natureza. Nada de contar calorias, nada de viver uma vida evitando as gorduras e os carboidratos. Apenas ser feliz.

Pollan, M. AZQuotes.com. Disponível em: http://www.azquotes.com/quote/1272428

Pollan, M. Em Defesa da Comida – Um Manifesto. Tradução de Adalgisa Campos Da Silva. Intrínseca, 2008. 272 p.



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terça-feira, 28 de junho de 2016

Ativismo: É preciso um novo modelo de ação

Nos últimos 6 anos eu me dedique à defesa dos direitos indígenas e da floresta. Não foi inconscientemente que me envolvi com a causa, mas ao pisar pela primeira vez na Amazônia meu espírito se abriu para um novo universo.

Eu tinha 18 anos quando fui ao coração da Terra pela primeira vez. Me conectei com a energia da Criação, força que é a base de toda vida. Ao perceber o novo cenário, me envolvi e foi impossível não investigar. Minhas pesquisas teóricas e in loco geraram um certo incômodo quando comecei a enxergar as ameaças sob as quais vivemos. Em cada notícia lida e experiência vivida, uma guerreira de pele vermelha ia nascendo dentro de mim. Enquanto me deslocando entre aldeia e cidade, me especializei, busquei informações acerca do tema, me envolvi em campanhas, debates, protestos, denúncias e tudo que poderia ampliar minhas experiência e conhecimento.

Minhas pesquisas expunham também os horrores do envenenamento do nosso planeta, da nossa terra e gens. Não há separação entre comunidade e natureza. Somos o meio ambiente.

O comprometimento com a causa já fazia parte de mim. Me juntei à outros que partilhavam do mesmo incômodo e esgotamento. Com parceiros, desconhecidos, irmãos de causa e guerreiros nós fomos às ruas, ao Congresso, às escolas, faculdades, jornais, redes sociais e até finalmente à ONU, ao Forum Permanente para Questões Indígenas das Nações Unidas (UNPFII) em Nova Iorque. A busca pela mudança de olhar e comportamento e compartilhamento da informação me moviam. E ainda me movem. Tudo na busca pela mudança e a tão esperada transformação.

Durante o processo vi mudanças, mas elas não eram em benefício dos povos indígenas ou da floresta, pelo contrário: O novo Código Florestal foi aprovado anistiando produtores rurais que haviam desmatado ilegalmente, Belo Monte foi aprovada apesar de ser um escândalo de corrupçãe degradação, a PEC215 parece não ter fim, comunidades tradicionais (leia-se, centenas de famílias: homens, mulheres e crianças) continuam sendo removidas de suas terras originárias e o Brasil continua sendo o país com maior índice de assassinatos à ambientalistas. Tais questões são pontuais assuntos pinçados de uma pilha de sujeira que segue aumentando. 

Running Trees por Maria Antonia Souza

Enquanto o agronegócio estava destruindo as florestas e outros ecossistemas no Brasil e no mundo, eu estava destruindo o meu espírito no meio de tanta decepção e me exaurindo ao lutar uma batalha tóxica, sem fim, sem direitos, sem, ao meu ver naquele momento, saída.

A tentativa de conscientizar as pessoas sobre o sistema que anda nos destruindo estava me aniquilando, de dentro pra fora. A maioria da população, claro, prefere continuar acreditando que tudo sobre mudanças climáticas até a multitude de problemas ambientais - desde a saúde de cada indivíduo até a destruição do nosso solo, sementes e animais - é assunto de ficção ou que não lhe diz respeito. Eu não os culpo, adoraria viver nessa bolha também. Mas a essa altura eu já sabia demais, tinha os números da destruição na ponta da língua, com grande angústia devo acrescentar. Eu tinha materiais (fotografias, videos, artigos e relatórios) apresentando em detalhes o desmatamento da Amazônia, o último escândalo de derramamento de óleo, pesquisas detalhadas sobre os efeitos de sementes geneticamente modificadas, informações inadmissíveis, quase conspiratórias, da indústria farmacêutica e empresas como a Monsanto, Nestle, Coca Cola entre outras.

Mas pra quê tudo isso?

O meu amor pela floresta estava correndo risco de extinção. Era tanta perda, estrago, ruína que o fim estava claro para mim. Mas por quê o ativismo tem que ser assim? Por quê para exigir mudanças nós temos que expor em todos os detalhes a destruição? Ou melhor, por quê não estava funcionando? Me apresso logo em responder: uma crise demonstrada em números e tragédias inspira a mudança até certo ponto.
  
De Lama Lâmina por Matthew Barney

Sem muitas esperanças eu decidi tirar meu time de campo, recuar. Um tanto covarde, com uma sensação de fracasso. Mas felizmente, e para minha surpresa, bastou eu parar de lutar para a minha natureza se restaurar. O meu amor pela Terra retornou e começou a curar meu espírito partido. Eu entrei para o time de Gandhi e bani do meu cotidiano as palavras guerra e luta (esse é último texto que escrevo sobre isso, eu prometo). Chega de falar em desmatamento, lobby ruralista e commodities. Ainda há espaço para o tema, mas não no meu processo de cura. Eu quero espalhar exemplos e experiências de reflorestamento e comunidades que estão vivendo no Novo Paradigma - assunto para o próximo texto.

Relembrando  o começo desta jornada ativista eu percebi que o que me inspirou a trabalhar em nome da Terra não foi a minha indignação em relação ao desmatamento. Foi o meu amor pelas árvores que me motivou, foi a capacidade de me sentir conectada e em casa no meio da floresta ou dentro de um rio. É a (re)conexão com a Terra que quero estimular e conscientizar as pessoas.

Eu honro e reconheço todos os meus amigos e colegas da comunidade ambientalista e indigenista que já lutaram, os que seguem lutando e os que virão no futuro. Reconheço todos vocês ativistas e profissionais que continuam fortemente na batalha. À vocês devemos tantas mudanças positivas, sem vocês nada saberíamos da realidade por trás deste véu de ilusão. Mas também lhes faço um convite, vamos examinar o que esta acontecendo conosco e com a Terra através da lentes da consciência espiritual. Como disse o ativista político Rabbi Michael Lerner: O movimento ambientalista não pode mais só nos ensinar sobre os fatos e dados científicos, é preciso também ensinar uma nova visão espiritual.

s precisamos enxergar a Terra como fonte de Vida, como o cientista britânico James Lovelock chama Gaia, um gigante organismo vivo. Ando esperando o dia em que o ativismo vai se tornar sagrado, unindo a compaixão com o desejo pragmático da transformação. Enquanto isso sigo o tambor do xamã e o canto dos passarinhos para dentro da floresta, as sementes que ainda não foram plantadas, a música do espírito. Nós não precisamos salvar a Terra, nós precisamos amar a Terra - é isso que vai salva-la.

Between Art and Nature por Pierre Puvis de Chavannes, 1888

Meus próximos textos serão sobre Ativismo Sagrado, o Trabalho que Reconecta e este novo mundo que ando investigando.


Alguns links sobre Sacred Activism (Ativismo Sagrado ou Novo Ativismo):
  • Deep Ecology and The Work That Reconnects: Joanna Macey http://www.joannamacy.net
  • Livros:
  • The Hope: A Guide to Sacred Activism, Andrew Harvey
  • Sacred Activism Series, North Atlantic Books: www.nabcommunities.com/sacredactivism
  • Occupy Spirituality, Adam Bucko and Matthew Fox
  • Collapsing Consciously, Carolyn Baker
  • Earth Calling, Ellen Gunter e Ted Carter


Clique aqui para ler mais artigos de Maria Eduarda Souza