quarta-feira, 13 de maio de 2015

99% de Todo o Lixo da Suécia é Reciclado


Você se lembra da marcante cena do filme “De Volta para o Futuro” em que o personagem Doc Brown utiliza lixo para servir de combustível para o icônico DeLorean? Trata-se de um conceito muito interessante capaz de resolver dois problemas de uma vez, garantindo geração de energia e a eliminação de todos os materiais que geralmente são jogados em aterros e só prejudicam o meio ambiente.


A humanidade ainda não conseguiu chegar no exato ponto do que é exibido na ficção de Robert Zemeckis, mas é muito provável que em poucos anos sejam implementadas novas formas de reciclagem. E, se depender da Suécia, isso não vai demorar muito a acontecer.



Através de diversos investimentos em formas de geração de energia alternativas, o país escandinavo já consegue reutilizar 99% de todo o lixo produzido no território nacional.

Usinas WTE

Um dos fatores que contribuíram para que esse número aumentasse consideravelmente foi a implementação de usinas WTE (Waste-To-Energy), que possibilita a geração de energia através dos gases emitidos durante o processo de queima de uma grande quantidade de resíduos que geralmente seriam descartados.



Além de aproveitar praticamente quase todo o detrito produzido por seus residentes, os suecos realizam a importação de lixo vindo de países próximos, como Reino Unido, Itália, Noruega e Irlanda. No total, a Suécia possui 32 usinas WTE para lidar com essa grande quantidade de resíduos.


O vídeo a seguir (em inglês) mostra algumas usinas em funcionamento e a explicação dos principais responsáveis por este tipo de programa ambiental:






terça-feira, 28 de abril de 2015

Descarte Adequado de Lâmpadas em São Paulo


Você sabe onde descartar corretamente lâmpadas em São Paulo? Se a resposta for não, acompanhe os próximos parágrafos. Se a resposta for sim, ótimo! Aproveite e multiplique sua prática e atitude.

Mudei para São Paulo em março deste ano e, na mudança, trouxe duas lâmpadas para encontrar o lugar adequado de descarte. No Rio, onde estava morando, tentei buscar informalmente lugares como lojas de material de construção no trajeto entre casa e trabalho mas não tive sucesso. Então guardei as lâmpadas e me deparei com elas novamente no momento da mudança.  Aliás, mudança é sempre bom para renovarmos as energias, e jogarmos fora aquelas ‘tralhas’ que acumulamos durante os anos, correto? NÃO! Mudanças são boas para doarmos o que não usamos mais, reutilizar e reciclar aqueles móveis e objetos esquecidos, e principalmente, de destinarmos corretamente os resíduos que já não nos servem mais ou perderam sua vida útil.


Em novembro de 2014, foi assinado o acordo setorial de Logística Reversa de lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010. Este acordo prevê a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, facilitando o reaproveitamento depois de usados (Ministério do Meio Ambiente, 2015). As metas para o recolhimento das lâmpadas são nacionais e progressivas, em um prazo de até cinco anos, e deverão ser restabelecidas após este período. No Estado de São Paulo, a estimativa é de que no primeiro ano sejam instalados 221 pontos de coleta com 486 recipientes para coleta, distribuídos em 10 cidades (FECOMERCIO SP, 2015).

Apesar da obrigatoriedade do poder público em divulgar a medida, e da conformidade legal do comerciante e fabricante, o consumidor acaba assumindo o papel principal no que diz respeito ao correto descarte de lâmpadas no Brasil. Enquanto não descobrirmos como os fabricantes estão se responsabilizando pelas lâmpadas que já não servem mais, bem como entendermos o correto processo da logística reversa, o jeito é encontrarmos lojas que aceitem e as destinem de forma ambientalmente adequada.


Por que descartar corretamente?

As lâmpadas fluorescentes possuem componentes tóxicos que, ao serem descartadas no lixo comum, podem contaminar pessoas, animais, o solo e a água. Dentro delas estão o mercúrio e o chumbo. Estes componentes químicos são muito perigosos à saúde, e o contato excessivo pode provocar náuseas, dor de estômago, entre outros sintomas. Na água, o contato com mercúrio pode contaminá-la, deixando-a imprópria para o uso. Vale destacar que o problema maior não é devido à quebra de uma lâmpada isolada, mas se considerarmos que a maioria das pessoas descarta este tipo de produto no lixo comum, esses materiais passam a oferecer riscos.


Contudo, as lâmpadas também não devem ser separadas junto aos materiais recicláveis para coleta seletiva, já que o processo de reutilização e reciclagem é diferenciado e bastante específico (para maiores informações sobre materiais recicláveis acesse o site da Prefeitura da cidade de São Paulo ou acesse Saiba como Implantar a Coleta Seletiva em Casa). É importante lembrar que os ecopontos da prefeitura de São Paulo não recebem lâmpadas para destinação.

Onde descartar em São Paulo?

O Walmart possui cerca de 250 estações de reciclagem instaladas em suas lojas, que recebem resíduos de vidro, papel, papelão, plástico e metal. A rede de supermercados também recebe lâmpadas de todos os tipos em pequenas quantidades para o correto descarte. Segundo uma atendente da rede, o cliente deve dirigir-se ao balcão de atendimento para informar-se como proceder. As lojas em São Paulo compreendem os supermercados Walmart, Sams Club, Todo Dia, Maxxi, Mercadorama e Big.

A Leroy Merlin é uma rede de varejo que possui postos de coleta seletiva em todas as unidades para recolhimento, descontaminação e reciclagem de lâmpadas fluorescentes. Elas ficam em estações externas às lojas e são armazenadas na horizontal para evitar quebras e consequentes contaminações. O site G1 disponibilizou uma lista das lojas da Leroy Merlin na grande São Paulo que aceitam lâmpadas fluorescentes (clique aqui para conferir a loja mais próxima de você).


O Hipermercado Zaffari em São Paulo, localizado no shopping Bourbon, aceita o descarte de lâmpadas fluorescentes pequenas, segundo uma atendente. Elas são armazenadas próximas aos caixas do supermercado. O endereço é Rua Turiassú, 2.100 – Perdizes, São Paulo/SP. Fone: (11) 3874 5000. De segunda a sábado das 8h às 23h.


Eu já descartei as minhas lâmpadas corretamente, e na casa nova em São Paulo, optei por usar lâmpadas LED, que iluminam mais e consomem menos, além de não possuir mercúrio e não emitir calor nem raios ultravioletas. Pequenas atitudes fazem a diferença. Pratique você também atitudes sustentáveis!

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

A Grande Teia


Abordar o tema “desenvolvimento sustentável” pode se tornar infrutífero se não houver uma visão do todo e da fina harmonia entre os elementos que o constitui. É preciso ter em vista que a interferência em um desses elementos afeta todos os outros, assim como uma enorme teia de aranha.

Sustentabilidade é essa sensível teia compostas pelas esferas sociais, econômicas, ambientais e individuais. A capacidade de se sustentar uma vida, uma relação ou de gerir uma empresa de forma saudável são concebidas de forma bem parecidas.

Essas esferas só estarão em harmonia se houver respeito, intimidade e troca de informações entre os indivíduos que as compõem. Sendo assim, todos nós temos uma responsabilidade a assumir, e somos incapazes de abrir mão dessa responsabilidade enquanto membros dessa grande Teia que chamamos de planeta Terra.

Animação de Steve Cutts que ilustra de maneira crítica a forma como o meio ambiente tem sido transformado pelo ser humano.

A nós, cidadãos comuns, cabe o comprometimento para a construção e administração de um ambiente social que promova o bem estar, a segurança, a justiça e a saúde de cada um de seus semelhantes. Esse objetivo pode ser atingido assumindo várias responsabilidades, no caso voltado à sustentabilidade: desde a separação do lixo até a promoção de ideias e debates a respeito do tema.

Aos empreendedores é preciso, para a manutenção dessa esfera, em primeiro lugar, comunhão e bom senso entre seus indivíduos. Sabendo-se do elevado grau de competitividade existente nesse meio, uma relação intraorganizacional onde os conceitos de desenvolvimento sustentável estejam sempre à mesa é fundamental. E essa será a campanha mais difícil de suas existências, que não tem relação com a maximização de lucros ou minimização de custos. Mas sim, com conciliar suas ações com os princípios sustentáveis, como por exemplo: “satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a habilidade de gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades.”


A esfera ambiental precisa continuar promovendo a vida, e isso nos basta. Mas essa promoção se mostra cada vez mais dependente do sucesso das esferas citadas anteriormente.

E por fim, o indivíduo. Esse parágrafo diz respeito ao íntimo de cada ser e como estes estão comprometidos também consigo mesmos. Desde a maneira de pensar e agir à forma como veem o mundo ao seu redor. Será que para você, hoje, o comprometimento com práticas socioambientais é uma virtude ou ainda é um fardo? O quão lapidado anda seu ponto de vista em relação ao assunto?

Fonte: WWF

Essa enorme teia que nos une é tão sensível que sequer podemos tentar fugir sem provocar mudanças em vários outros pontos. Então, para que fugir, já que é impossível se desgrudar? Trabalhemos para a manutenção desta teia e de suas esferas e então a faremos vibrar de forma que desperte a vontade de todos os outros seres envolvidos na mesma!

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sábado, 11 de abril de 2015

Design Orientado para Sustentabilidade na Formação Profissional

Autossustentável: Design

A sustentabilidade tem sido cada vez mais discutida tendo em vista a conscientização acerca dos problemas ambientais, decorrentes do sistema de produção e consumo vigentes. Este sistema caracteriza-se por um ritmo de produção acelerado, que utiliza-se de recursos naturais renováveis e não-renováveis.

Cardoso (2008) argumenta que o dilema do designer no contexto atual é conciliar as questões ambientais com o modelo econômico. Não se pretende, e nem é possível, cessar a produção e consumo, mas busca-se mudar o ritmo em que estes se dão que, a longo prazo, é insustentável. Nesse panorama, Vezzoli (2010) argumenta que o design é uma parte do problema, contudo, pode vir a se tornar um agente promotor da sustentabilidade ao buscar novas alternativas de projeto.

Dentre essas alternativas, a abordagem de ecodesign apresenta-se como uma ferramenta valiosa, uma vez que busca minimizar os impactos ambientais ao longo de todo o ciclo de vida do produto, desde sua concepção até seu descarte. O termo, de acordo com Manzini e Vezzoli (2002) caracteriza-se pela composição dos termos ecologia e design, ou seja, um modelo projetual orientado por requisitos ecológicos.

Autossustentável: EcoDesign


Design, em sua acepção mais abrangente, caracteriza-se por ser uma atividade projetual que visa à concepção de artefatos (MANZINI E VEZZOLI, 2002). Nesse processo de concepção, e em seu ciclo de vida, os artefatos geram impactos no meio ambiente e, portanto, é de responsabilidade do designer orientar esse processo por critérios ecológicos. Tendo em vista o papel do designer nessa mudança de cenário, é importante que, desde a sua formação, o profissional seja preparado para lidar com as questões ambientais ao longo do projeto.

Desta forma, propõe-se que, juntamente com as disciplinas de projeto, que os alunos dos cursos de Design tenham contato com a abordagem de ecodesign, para que possam articular a metodologia projetual com os critérios ecológicos, a fim de conceber produtos mais sustentáveis.

A problemática sustentável teve suas primeiras manifestações no âmbito de contrariedade à contaminação do meio ambiente, nos anos 1960 e, a partir dos anos 1990, o debate do tema passou a ser apresentado de forma mais madura e consistente. Nessa época, o design se inseriu no desafio devido ao “seu papel de protagonista dentro da trilogia: ambiente, produção e consumo” (DE MORAES, 2010).

Autossustentável: Impactos Ambientais

A importância de estudar as questões da sustentabilidade, atualmente, se deve ao fato de que é clara a situação de degradação na qual o planeta se encontra. É necessário que as pessoas em processo de formação de conhecimento e opinião compreendam as condições atuais, de impactos. Percebe-se, desta forma, a relação do design com a sustentabilidade, uma vez que o primeiro implica na fabricação de artefatos que, em seu ciclo de vida, geram impactos no meio ambiente.

Manzini e Vezzoli (2002) afirmam que é possível conceber produtos mais sustentáveis, utilizando-se tecnologias limpas, reduzindo-se recursos e energia utilizados na produção, dentre alternativas que caracterizam-se como novo campo de pesquisa do design. Os profissionais da área devem ser preparados para entrar no mercado de trabalho, atuando como agentes promotores da sustentabilidade, aplicando os requisitos ambientais em seus projetos, e considerando, ainda, os fatores econômicos e sociais.

Autossustentável: Green Designer

Dentre as abordagens sustentáveis possíveis, o ecodesign, ou design do ciclo de vida, apresenta-se como uma alternativa em bom nível de consolidação, mas em nível discreto de incorporação na prática profissional, conforme sugere Vezzoli (2010). O ecodesign prevê, sistêmica e antecipadamente, a redução de impactos ambientais durante todas as etapas do ciclo de vida do produto, ou seja, sugere redução do consumo de recursos (materiais e energéticos) desde a concepção até o descarte.

Essa necessidade de novos caminhos no âmbito projetual, aponta a responsabilidade do designer em conceber artefatos utilizando materiais e processos de baixo impacto ambiental; considerando o ciclo de vida inteiro do produto e, atuando de forma orientada para a sustentabilidade ambiental. O ciclo de vida compreende as etapas de pré- produção, produção, distribuição, uso e descarte e, em cada uma delas, os produtos acarretam impactos ambientais negativos (KAZAZIAN, 2005).

A abordagem de ecodesign propõe a minimização destes, através da redução do consumo de recursos, de energia utilizada nos processos, na maior durabilidade dos produtos, entre outros fatores relacionados a cada uma das fases do ciclo de vida. Cardoso (2008) aponta o profissional de design como o agente capaz de projetar com uso mais eficiente dos recursos, maximizando o aproveitamento dos materiais consumidos.

Se os resíduos descartados são uma das ameaças ao meio ambiente, a reciclagem e o reaproveitamento aparecem como alternativas de design sustentável. O designer deve pensar no tempo de vida do objeto, desde sua concepção, reduzindo matéria-prima e energia; até o descarte. Também precisa considerar a durabilidade do produto e sua posterior reutilização e reciclagem.

Autossustentável: Cadeia Produtiva

O design orientado para a sustentabilidade é um novo campo de pesquisa na área, no qual se buscam novas alternativas de produtos e processos, que minimizem os impactos ambientais decorrentes do sistema de produção e consumo vigente. A abordagem de ecodesign é uma estratégia importante, pois considera o ciclo de vida dos produtos, o que compreende uma visão sistêmica e integrada.

Desta forma, o designer deve atuar no desenvolvimento de projetos considerando essa metodologia. Manzini e Vezzoli (2002) argumentam que o desenvolvimento de produtos sustentáveis requer uma nova capacidade de projetar, para que se encontrem soluções promissoras que despertem desejo do consumidor. “O papel do design industrial pode ser sintetizado como a atividade que, ligando o tecnicamente possível com o ecologicamente necessário, faz nascer novas propostas que sejam social e culturalmente aceitáveis” (MANZINI; VEZZOLI, 2002, p. 20).

Autossustentável: Novo Designer

Para tanto, é importante que essa cultura sustentável no desenvolvimento de projetos se dê desde a vida acadêmica, na formação do profissional. É importante que as disciplinas que compõem a proposta pedagógica dos cursos de Design enfatizem a problemática ambiental, bem como orientem para a utilização de diretrizes ecológicas ao longo do processo projetual, ou seja, é necessário que as metodologias de projeto sejam articuladas com os requisitos ambientais em todas as etapas do ciclo de vida.

O ensino de design basicamente mistura teoria e prática desde as primeiras escolas de ensino superior de design na Alemanha que serviram de base e inspiração para as que surgiram no Brasil. Cada instituição possui suas próprias grades curriculares e propostas pedagógicas dentro das normas decretadas pelo Ministério da Educação (MEC) para o funcionamento dos cursos no país. É vigente a necessidade de apresentar a questão da sustentabilidade e desenvolvimento sustentável dentro dos cursos de design, por ser um assunto de extrema importância na atualidade, bem como pela questão emergencial na qual se encontra o planeta.

Ademais, é necessário que os profissionais responsáveis pela colocação de produtos no mercado tenham conhecimento sobre sustentabilidade, considerando, em seus projetos, materiais de menor impacto ambiental, utilização de processos industriais menos agressivos e desenvolvimento de produtos ecologicamente aceitáveis. Para que os projetos de design tenham as questões ambientais aplicadas, e de forma efetiva, é preciso que o aluno de graduação em design tenha a possibilidade de colocar isso em prática ainda dentro da instituição de ensino superior, a fim de verificar as implicações e modificações que decorrem desta implementação.


No entanto, somando-se à necessidade do ensino da sustentabilidade no âmbito acadêmico, visando projetos sustentáveis, existe a necessidade de educar desde cedo os jovens sobre a importância da mudança de hábitos, de forma que isso comece a fazer parte de seu comportamento ao longo da vida.

Nota:Esse material faz parte do artigo publicado por Luciana Della Mea e Luiza Grazziotin Selau na VIII SEPEsq – Semana de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Centro Universitário Ritter dos Reis

Referências:
CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. 3. ed. São Paulo: E. Blucher, 2008. 273 p.
DE MORAES, Dijon. Metaprojeto: o design do design. São Paulo: Blucher, 2010.       
KAZAZIAN, Thierry. Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento sustentável. São Paulo: SENAC São Paulo, 2005. 194 p
MANZINI, Ezio. Design para a inovação social e sustentabilidade: comunidades criativas, organizações colaborativas e novas redes projetuais. Rio de Janeiro: E-papers, 2008. 103 p
MANZINI, Ezio; VEZZOLI, Carlo. O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. São Paulo: EDUSP, 2002. 366 p.
PAPANEK, Victor. Design for the Real World: Human Ecology and Social Change. United Kingdom: Thames& Hudson, 2006. 394 p.
VEZZOLI, Carlo. Design de sistemas para a sustentabilidade: teoria, métodos e ferramentas para o design sustentável de "sistemas de satisfação". Salvador: EDUFBA, 2010. 343 p


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terça-feira, 7 de abril de 2015

Audiência Pública, Meio Ambiente e Democracia Direta

Autossustentável: Democracia e Meio Ambiente

Atualmente, a representatividade política se torna cada vez mais questionada pela sociedade civil no Brasil e no mundo, tendo como perspectiva o distanciamento de representantes e representados.

Passo seguinte, questiona-se a possibilidade de ampliações de instrumentos de democracia direta como plebiscitos, referendos, iniciativa legislativa popular e audiências públicas para maior participação de todos nas principais tomadas de decisão do Poder Público. Tais institutos, aliás, foram pensados pelos próprios constituintes originários, ou seja, no processo de formulação e promulgação do texto constitucional[1].

CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e FAET (Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins) participam de audiência pública sobre Licenciamento Ambiental. Fonte: Folha do Bico

Na área ambiental, a prática deve ser ainda mais estimulada. Ora, tratar sobre um direito de todos, incluindo gerações presentes e futuras, requer o cuidado devido. Dessa forma, a legislação corrente tratou do assunto em diversos pontos ao obrigar, por exemplo, a realização de audiências públicas para casos de impactos ambientais mais significativos.

É preciso, porém, cautela sobre as atuais formulações de audiências públicas para tratar de questões relacionadas ao meio ambiente. Certamente, a participação da sociedade e mais especificamente dos atores influenciados de forma direta é um mecanismo a ser celebrado. Contudo, torna-se imprescindível que a participação seja efetiva, sendo esvaziada quando tornada mero cumprimento de formalidade, conforme se pode verificar em muitos casos nos dias de hoje.

Autossustentável: Democracia

A defesa do meio ambiente é dever de todos, o que remete a necessidade de preservação de um dos institutos mais importantes para atuação direta do cidadão. “Soldados, em nome da democracia, unamo-nos”, diria Chaplin.

[1] Art. 14 - CF/88 A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II - referendo; III - iniciativa popular e Art. 58 - § 2º - CF/88 - às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe: II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil.


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