sexta-feira, 28 de abril de 2017

Fashion Revolution: Faça parte dessa revolução ética, ecológica e empoderadora no mundo da moda!

O Fashion Revolution Day é um movimento que procura aumentar a conscientização dos consumidores para os verdadeiros custos da moda, que vão muito além das etiquetas de preço das roupas. 
Imagem: Fashion Revolution

Além dos custos produtivos e do lucro, existem custos que muitas vezes não imaginamos como o impacto causado por todas as fases do processo de produção e consumo, que comumente são englobados como externalidades de mercado.

O quarto maior desastre da indústria da moda, o desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, ocorrido em 24 de abril de 2013, deixou 1.133 mortos e 2.500 feridos, todos funcionários terceirizados da indústria têxtil de grandes empresas do mundo da moda.


Foto do edifício do Rana Plaza após o desabamento. Imagem: Benfeitoria

Apesar de toda a brutalidade desse desabamento, que também revelou ao mundo as péssimas condições de trabalho a que esses trabalhadores eram submetidos, nosso sistema econômico ainda enxerga o ocorrido como externalidade.

Outro fato que colabora para esse cenário é o crescimento do modelo de negócio conhecido como Fast Fashion, onde a produção de roupas ocorre em larga escala graças ao número cada vez maior de coleções lançadas por grifes e também a cada vez maior terceirização de trabalhadores da indústria têxtil em confecções e oficinas de costura. Em outras palavras, o Fast Fashion representa a aceleração do processo de produção, consumo e descarte, causando graves impactos ao meio ambiente e aos trabalhadores.

A indústria da moda é a segunda maior poluidora do mundo, atrás somente da do petróleo, provocando não só graves problemas ambientais como sociais. Imagem: Benfeitoria

O tão celebrado modelo de negócios que oferece aos consumidores produtos a preços cada vez mais baixos (e muitas vezes de qualidade também baixa), esconde atrás dessa eficiência produtiva o barateamento da mão de obra através da terceirização ilícita, do trabalho infantil e do trabalho em condições análogas à escravidão, é o chamado dumping social.


Vamos fazer um pequeno exercício para entender melhor o que está acontecendo. Já parou para pensar a que custo é produzida uma peça que é vendida em lojas ao preço de R$ 10,00? Quanto será que o trabalhador que costurou a peça ganhou? Quanto será que o trabalhador que manejou produtos químicos no tingimento do tecido ganhou? Será que os ganhos são distribuídos entre a cadeia produtiva? Em que situação trabalham e vivem essas pessoas?


Ao expor milhares de pessoas, inclusive crianças, a condições precárias de trabalho e jornadas excessivas que se aproximam aos regimes de escravidão, a moda Fast Fashion cria um grave problema social. ImagemStylo Urbano

Imagem: Stylo Urbano

Imagem: DMT em Debate

E mais! Será que estamos fazendo um bom negócio ao comprar roupas mais baratas do outro lado do mundo? O caminho que essa peça percorre cruzando continentes e oceanos em uma logística cada vez mais elaborada, mas não por isso menos poluidora, compensa nossa economia imediata? E olha que nem falamos sobre o descarte dos resíduos químicos utilizados na produção, como as tintas que tingem os tecidos e o uso de catalizadores altamente perigosos como o antimônio (usado na produção de poliéster).

Foi desejando a mudança dessa realidade que surgiu em Londres o movimento Fashion Revolution, criado pelas designers e ativistas Carry Somers e Orsola de Castro. Hoje o movimento está presente em mais de 90 países, entre eles o Brasil, e tem o intuito de mostrar que é possível mudar esse cenário e construir um futuro mais sustentável através de envolvimento e transparência no processo produtivo. 

Imagem: Fashion Revolution
O primeiro passo para essa mudança é alertar o consumidor para o que ele, de fato, está comprando. É questionar de onde vem nossas roupas, quem faz nossas roupas. E analisar se é necessário consumir na quantidade e velocidade das últimas décadas. É despertar o consumidor para o poder que ele tem de mudar essa situação, exigindo produtos de melhor qualidade, com maior durabilidade e com uma cadeia produtiva mais justa.


Imagem: Blog Moda Verde

“Nós queremos que você pergunte: ‘Quem Fez Minhas Roupas?’. Essa ação irá incentivar as pessoas a imaginarem o ‘fio condutor’ do vestuário, passando pelo costureiro até chegar no agricultor que cultivou o algodão que dá origem aos tecidos. Esperamos que o Fashion Revolution Day inicie um processo de descoberta, aumentando a conscientização sobre o fato de que a compra é apenas o último passo de uma longa jornada que envolve centenas de pessoas, realçando a força de trabalho invisível por trás das roupas que vestimos”. Orsola de Castro

A Fashion Revolution Week desse ano acontece entre 24 e 30 de abril. No Brasil, temos eventos em diversos estados e ações realizadas pelos estudantes de moda.



Para conferir a programação completa do evento, basta acessar o site Fashion Revolution ou a fanpage do Fashion Revolution Brasil no Facebook. No site também estão disponíveis para download diversos materiais para conhecer melhor a proposta do movimento, para acessar basta clicar aqui.

Vale conhecer o trabalho de algumas das marcas apoiadoras do evento:

Com a intenção de fomentar uma cadeia mais justa e humanizada, Flavia Aranha é uma marca brasileira preocupada com o desenvolvimento sustentável da moda e do meio em que está inserida.

A empresa trabalha com mão de obra, beneficiamentos e fornecedores nacionais, fortalecendo assim o mercado local e a indústria brasileira. Valoriza o trabalho artesanal, manual e os pequenos produtores, priorizando serviços e produtos vindos de empresas com políticas ambientais e sociais coerentes e sustentáveis.

O objetivo principal da Green Co. é desenvolver e produzir coleções da maneira mais sustentável possível, impactando minimamente o meio ambiente. A empresa aposta na inovação, apresentando uma variedade de produtos ricos em design, qualidade, estilo, significado e valor agregado, utilizando sempre matérias-primas reutilizáveis, naturais, orgânicas, recicláveis e biodegradáveis.

O Grupo Malwee é uma das principais empresas de moda do Brasil e uma das mais modernas do mundo. Atualmente, a empresa se destaca pelo pioneirismo e notória atuação no campo da sustentabilidade, incorporando tecnologias e processos inovadores que vão do reaproveitamento de garrafas PET como matéria-prima ao reuso de até 200 milhões de litros de água por ano no processo produtivo.

PanoSocial reinveste todo o lucro no próprio negocio para aumentar o impacto social e ambiental positivo. No desenvolvimento humano prima pela inclusão social, incentivando a ressocialização de ex-detentos, inserindo-os em sua rede de produção. Utilizam como matéria-prima algodão 100% orgânico, PET 100% reciclado, algodão reciclado, além de corantes, extratos e pigmentos naturais.

A marca preza pela sustentabilidade em toda a cadeia produtiva, por isso acredita que a parceria com ONGs e comunidades é a melhor maneira de confeccionar os produtos. Além disso, também capacita mão de obra, e mantém a produção 100% brasileira, reciclando materiais descartados e empregando mão de obra local. 

Imagem: Fashion Revolution

Para uma reflexão mais profunda sobre o assunto, sugerimos a leitura dos seguintes artigos Escravos da moda: os bastidores nada bonitos da indústria fashion; e  Fast Fashion não é democratização da Moda.

Com informações de Fashion Revolution, Estadão e G1.

Clique aqui para ler mais artigos de Nathália Abreu



terça-feira, 25 de abril de 2017

A lei brasileira reconhece que os animais têm sentimento?

Circula na internet nos últimos dias um artigo em português informando que a lei reconhece que os animais não são coisas, mas que por possuírem sentimentos teriam passado para uma posição especial na lei – seres sencientes.

Imagem: Pinterest

Infelizmente este artigo teve como base uma lei aprovada em Portugal e não no Brasil.

Nas terras tupiniquins os animais ainda não saíram da classificação de objetos animados. O Código Civil os trata como coisa, algo que pertence a alguém e sobre essa coisa o dono tem direitos e responsabilidades. Da mesma forma que teria sobre um terreno ou um carro.


O primeiro decreto brasileiro, esse bem antigo (de 1934), mencionando que maus tratos aos animais é crime, já possuía uma lista grande de situações em que se considera ter acontecido o crime de maus tratos. Depois dele vieram outras leis, e a última é a Lei de Crimes Ambientais - lei 9.605/98.

Aí sim podemos ver uma lei que protege e que reconhece que eles sofrem, mas ainda sem considerar os direitos.

Esta lei aumenta a pena para o crime de maus tratos de 15 dias para 3 meses podendo chegar a um ano de detenção e multa. Mas a lista do que significa maus tratos ainda continua sendo aquela de 1934.

No entanto, o principal responsável pela tutela (cuidado) em relação aos animais é o Estado, o que é reconhecido na lei e na Constituição Federal, o principal documento jurídico do país. Por este motivo, o Ministério Público possui um promotor responsável pelo meio ambiente em cada comarca.

Na prática, os promotores de justiça e mesmo os advogados de ONGs têm defendido os direitos dos animais com argumentos baseados na experiência de que os animais têm sentimentos, sofrem maus tratos físicos e psíquicos.

O que já se sabe é que a lei somente vem como uma forma de reconhecer uma vontade da sociedade. Primeiro acontece algo, para que depois a lei seja feita regulamentando a situação.

Imagem: Pinterest

E aqueles que têm um animal de estimação sabem que eles sentem, correspondem ao afeto, comunicam seu afeto e necessidades, que são muito mais que meros objetos.

Quer saber mais sobre maus tratos?

Acesse o Decreto n. 24.645/1934, que contem as práticas consideradas como maus tratos. 

E também a cartilha preparada pelo Ministério Público de São Paulo sobre maus tratos e como proceder.

Conheça o Projeto de Lei 6799/13 que considera os animais não humanos como sujeitos de direitos despersonificados.

Clique aqui para ler mais artigos de Janaína Helena Steffen


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Quem é responsável pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável?

Estive presente nessa semana em um interessante evento promovido pela Siemens e pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável). O evento, vinculado ao lançamento de uma publicação da empresa que teve como foco a mensuração de seus impactos na economia brasileira, teve como mote a agenda de desenvolvimento de 2030, os cada vez mais conhecidos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável). Para saber mais sobre os ODS, clique aqui.

Imagem: UNESCO Etxea - Centro UNESCO del País Vasco. Adaptação: Autossustentável

O evento foi bem interessante. Provocações, falas incisivas e apresentação de dados. E críticas a Agenda 2030, aos ODS. Algumas foram levantadas no conteúdo dos Objetivos – pontos que faltaram ser abordados, pontos que poderiam ter entrado, mas não o foram. Críticas também ao entendimento da sociedade e seus atores sobre o total da agenda, sobre metas sem número ou tempo de cumprimento e outros pontos. Mas me atenho aqui nesses parágrafos a um dos debates mais interessantes: a responsabilização.

Quando os governos globais assinaram a agenda, colocaram, voluntariamente, o seu intuito de cumprir suas 169 metas. Mas há uma forma de garantir que sejam cumpridas? Ou, em outras palavras, há uma forma de punir aqueles países que falhem em cumprir os objetivos propostos?

Imagem: ONU Media (OMS/L. Cipriani)

Sim e não. Por um lado, não há qualquer poder supranacional, um órgão mais poderoso que a ONU, por exemplo, capaz de obrigar que os países cumpram com a agenda. Não há sanções econômicas, intervenções militares ou algo do gênero; quando muito, há o constrangimento de um não cumprimento que aquele país terá perante o restante do mundo.

De acordo com dados da ONU de 2014, 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico em todo o mundo. Imagem: ONU Brasil

Pouco? Sim, mas não sem efetividade. Um dos palestrantes do evento, o jornalista André Trigueiro fez analogia explícita sobre o assunto: “o chefe de Estado brasileiro terá que carregar no peito, em qualquer lugar que visitar internacionalmente, o fardo de que o Brasil é incapaz de entregar a metade de sua população saneamento básico”. E é essa a responsabilização possível no momento: a pressão da opinião pública, nacional ou internacional.

A guerra na Síria, que já dura 6 anos, já deixou mais de 5 milhões de refugiados, 400 mil mortos e mais de 6,3 milhões de deslocados internos, segundo Acnur (Agência da ONU para os Refugiados). Imagem: New York Times

Crise humanitária no Sudão do Sul onde 100.000 pessoas não têm absolutamente nada para comer, 1 milhão são classificadas à beira da fome e 5 milhões vivem em estado de insegurança alimentar. 250.000 crianças já estão gravemente desnutridas e mais de 1 milhão atingirão esse estágio em pouco tempo. ImagemONU Brasil

Ainda que sem uma responsabilização mais efetiva, essa é a pressão possível. E necessária. Os objetivos levam às metas, que por sua vez levam a indicadores e que fazem a mensuração e o controle social simplesmente possível. A sintonia entre as vontades e objetivos de atores sociais, empresas e governos não é algo natural, mas foi acordada há dois anos. Desperdiçá-las como mais uma ferramenta de governança e empoderamento da sociedade é jogar fora não nossa chance de um bom futuro em 2030, mas principalmente para além deste ano.

 Clique aqui para ler mais artigos de Fernando Malta


terça-feira, 18 de abril de 2017

Jeito Indígena de Ser

O ciclo da vida é simples, ele viaja da morte até o renascimento e toda a nossa experiência de vida e aprendizado é feita entre estas etapas. O povo Lakota, Nativo Norte Americanos, tem um princípio fundamental que rege suas vidas e experiências na Terra: Viva para as gerações que ainda não nasceram.Live for the generations unborn.”

Autossustentável: Índio abraçando árvore
Imagem: Pinterest

Hoje estamos sofrendo os impactos de gerações e ancestrais desconectados da natureza. Apesar de enxergarmos esse desequilíbrio continuamos agindo de maneira predatória, deixando como herança poluição, escassez de recursos, crises climáticas, agricultura tóxica e doenças. Agimos ainda pior que as gerações que tanto criticamos.

A nova era, para qual estamos transitando, é o renascimento de práticas tradicionais à luz de tempos contemporâneos. É uma transição para honrar a Terra e todos os seus filhos. O modo de vida dos povos Nativo Americanos envolve respeitar a Terra e todos os seus habitantes. Eles escutam os ventos, o reconhecendo como poder do Grande Espírito, que pode mudar a realidade na Terra. Escutam a sabedoria das árvores das quais chamam standing people (o povo de pé) e as enxergam como guardiões, extremamente sábias, os anciãos da Terra. Os Povos Nativos detêm a sabedoria da natureza, a linguagem secreta da floresta.

O vídeo a seguir, How Wolf Change Rivers, retrata a conexão entre as espécies e a complexidade deste relacionamento.


Na cosmologia indígena, espiritualidade permeia todos os aspectos da vida, não existe separação. Povos indígenas agradecem a natureza por prover com abundância, cuidar das necessidades de suas famílias e pelos ensinamentos espirituais.

De acordo com Joseph Epes Brown, Nativos Americanos insistem que as músicas e cantos usados em suas cerimônias não foram nunca compostos, mas sim oferecidas pelos espíritos.[1] Angeles Arrien, antropóloga e autora do livro The Four Fold Way descreve como curandeiros indígenas ao redor do mundo fazem o uso de música, ritmo e canto nas suas práticas espirituais. A antropóloga também afirma que a música é uma das quatro maneiras universais para a prática da cura e conexão, bem como: contar histórias, dançar e o silêncio.

Autossustentável: Povo Lakota

Para os povos indígenas Norte Americanos "medicina" significa mais que uma substância capaz de restaurar saúde e vitalidade a um corpo doente ou desajustado. Medicina é energia, um poder vital ou força que é inerente a própria Natureza. A medicina de uma pessoa é seu próprio poder e expressão de sua própria energia vital. Segundo o autor Kenneth Meadow, a palavra medicina é usada pelos povos Nativos Americanos para implicar empoderamento que surge de dentro e permite ao indivíduo se tornar mais completo. Esse empoderamento o conecta com a Terra e com a realidade física, realidade sendo o cosmos.[2]

A anciã do povo Lakota, Loretta Afraid of Bear Cook, afirmou em sua palestra na Schumacher College que apesar de todas as tentativas de desmantelar a sua cultura, seu povo trabalha para manter seus ensinamentos e tradições vivos, pois eles acreditam que irá chegar um momento em que o mundo vai perguntar aos povos indígenas o que fazer. E quando este dia chegar seu povo deve compartilhar sua sabedoria. Será que este dia já chegou?

Ao investigar as tradições celtas, tribos que coletivamente cobriram a Europa Ocidental, os povos africanos ou nativos das Américas é possível aprender a verdadeira essência do nosso ser, o pertencimento e profundo relacionamento com a Terra. Os povos indígenas sabem que são seres sagrados, pois não se enxergam como separados ou menores que o Criador. Eles são colaboradores da evolução e não competidores.


Autossustentável: Geração Índios
Imagem: David Lazar

Nós, mulheres e homens contemporâneos, rompemos e reprimimos nosso elo com a Terra. Vivemos uma profunda crise espiritual. Agora é o tempo para entendermos que espiritualidade não depende de nenhum governo, organização, ideologia, doutrina, religião ou igreja. Depende só de nós mesmos, da nossa experiência humana. Ao retornar o sagrado para nossas vidas a consciência sobre nosso propósito na Terra é ampliado alcançando todo o mundo natural e a comunidade não humana.

Nós precisamos retornar ao jeito indígena de ser, e isto não significa só viver na floresta. O jeito indígena de ser é andar como ser sagrado, é sentir a presença da Criação em todos os aspectos das nossas vidas. Talvez não vivamos o suficiente para ver a Terra restaurada, mas precisamos começar a retornar ao nosso modo indígena de ser em nome das gerações que ainda estão por vir.



[1] Brown, Joseph Epes, Teaching Spirits, Oxford University Press, 2001. p. 35
[2] Para mais informações nas medicinas Nativo Americanas recomendo o livro Earth Medicine, do mesmo autor, que é baseado nos ensinamentos da medicine wheel, roda de cura, dos indígenas Norte Americanos e sua correlação com os ensinamentos taoistas do leste, sabedoria xamânica dos caucasianos da Grã Bretanha, Norte Europeu e Escandinávia.


Clique aqui para ler mais sobre artigos de Maria Eduarda Souza


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Menos é Mais: 10 Dicas para Reciclagem!

Ao longo de anos trabalhando com organizações de catadores de materiais recicláveis, percebi que podemos fazer muito mais do que simplesmente separar nossos resíduos. 
Imagem: Ecologia Verde. Adaptação: Autossustentável

Pequenos gestos podem contribuir para o processo se tornar mais eficiente e seguro. Vale lembrar que são percepções divididas com vocês. São práticas que adotei em casa e super fáceis de implementar.

Imagem: ONG OCA

1 - Desdobre as caixas de leite e suco Tetrapak. Além de economizar espaço na sua sacola de resíduos recicláveis, você facilita o transporte, a triagem desse material quando chega a uma cooperativa de catadores e, principalmente a prensagem para enfardamento do material. É rápido e terapêutico, acredite!

2- Tire as tampinhas das garrafas PET e Tetrapak. A garrafa fechada pode explodir na hora de prensar o material e ferir quem está manipulando. Só não esqueça de destinar a tampinha junto com os outros materiais! Ela também é reciclável e valiosa para as organizações de catadores.

Imagem: Trash in the Sea

3- Você sabia que o isopor é um tipo de plástico? Ele é reciclável, porém é pouquíssimo comercializado no Brasil. Isso se deve principalmente pelo armazenamento que requer um espaço grande, pois é um material leve e volumoso. O seu valor pra comercialização acaba sendo muito baixo em função do transporte também. Poucas cooperativas separam o isopor, e se ele não vira rejeito, fica muito tempo armazenado até ser vendido. Portanto evite ao máximo comprar produtos embalados por isopor, e se não puder evitar, não deixe de destinar corretamente pra reciclagem assim mesmo. Pode ser que na sua região ele seja comercializado!

4- O mesmo acontece com o vilão copinho de plástico. Ele é reciclável, porém pouco reciclado. Entende? Não tem mercado para este produto que na maioria das vezes está sujo e contaminado com líquidos. Se você vir um copinho desse passe longe!


Imagem: Recicle o Lixo

5 - Se você ainda tem alguma dúvida se deve lavar os materiais recicláveis que estão com líquidos e resto de alimentos preste bem atenção! Sim, eles precisam ser minimamente higienizados para viabilizar a reciclagem do material e evitar animais indesejáveis e perigosos. Não precisa ser um tratamento completo, basta uma enxaguada para deixá-los limpos.

6 - Gosta de cerveja? Consuma latinhas e evite o vidro. No Brasil 99% do alumínio é reciclado. Ao passo que o vidro possui algumas limitações de transporte, logística e armazenamento. Sem contar que ele depende das indústrias de beneficiamento que estão concentradas no sul e sudeste do país. Ou seja, é muito provável que no Nordeste o vidro seja enterrado em aterro com resíduos orgânicos.

Imagem: Tu Organizas

7 - Sabe aquela gaveta cheia de remédios e pomadas vencidos que você não sabe o que fazer? Existe uma solução! Várias redes de farmácias, como a Droga Raia, têm coletores para receber os medicamentos e destiná-los corretamente. Se informe e faça sua parte! Se você jogar fora como lixo orgânico comum, esse medicamento irá poluir o solo e nossas águas de rios e oceanos. Já pensou que responsabilidade?

8 - E mais! As lâmpadas estragadas também podem ser destinadas corretamente. Grandes redes de supermercado como Walmart e Pão de Açúcar tem coletores para recebê-las. As lâmpadas quando enterradas com lixo comum poluem os solos, pois, possuem mercúrio e outros componentes que podem causar sérios riscos à saúde caso quebrem e entre em contato com a pele e os olhos.

Imagem: Notícias ao Minuto

9 - Aquele pneu velho também já tem solução! O Brasil possui um sistema de logística reversa mega eficiente e exemplo mundial. Os revendedores e distribuidores são obrigados a destiná-los corretamente. Saiba mais sobre os pontos de coleta no site da Reciclanip.

Imagem: Gazeta Online

10 - Se o seu bairro não possui coleta seletiva não se preocupe! Você pode entregar seus resíduos em diversos pontos espalhados pela cidade. São conhecidos como PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) e diversos estabelecimentos possuem este sistema, especialmente as redes de supermercado. Informe-se no site da Rota da Reciclagem sobre os pontos de coleta.

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