terça-feira, 26 de abril de 2016

Sustenta Habilidade

Neste meu primeiro artigo do ano, decidi citar duas pessoas que recentemente me proporcionaram boas reflexões internas. O primeiro é um colega de trabalho, Pedro Figueiredo, que escreveu um livro sobre suas experiências durante anos com catadores de rua. O segundo é meu sogro, Newton Campos, que como um bom geógrafo possui um olhar bastante interessante sobre o meio ambiente e dividirei um pouco com vocês também.

Em seu livro, Pedro nos faz enxergar a diferença entre os catadores que trabalham nos galpões e que tem uma vida minimamente digna, com casa, comida e roupa lavada (literalmente), daqueles trabalhadores, homens e mulheres, que acabando suas atividades não tem onde dormir, e dali se entregam ao mundo das drogas, álcool e prostituição. Passei instantaneamente a me interessar ainda mais sobre os desafios e dificuldades desses grupos, e como efetivamente desenvolver e alavancá-los através dos recursos disponíveis.


Suas palavras e vivencias me tocaram profundamente, e fiquei feliz por ter a oportunidade de conviver e aprender com essas pessoas que enfrentam diariamente o preconceito, as doenças, o medo e a solidão. Pedro acredita que todo mundo devia passar um dia num galpão ou pelo menos visitar uma cooperativa ou associação de catadores. Eu também nisto. As pessoas não têm noção do que acontece e para onde vai o lixo que colocam para fora de suas casas, terceirizando e se livrando de suas responsabilidades. Nas montanhas de lixo, é possível encontrar das coisas mais óbvias, como uma sacola que antes guardava um produto de consumo e agora vazia, foi descartada e virou lixo, até celulares em perfeito estado de uso, perfumes e outras coisas que nem vale citar aqui. Nesses barracões encontramos a resposta para grande parte dos dilemas cotidianos. Descartam-se licores e livros, mas também descartam-se amores, respeito, gente, para amanhã consumir novamente outras coisas, outras pessoas.

Newton compartilhou comigo uma visão positiva sobre o caminho que estamos trilhando no sentido de nos harmonizar cada vez mais com o ambiente que nos cerca. Isso me animou sobre a perspectiva da reciclagem e resíduos sólidos de um modo geral. Segundo ele, usamos o fogo para queimar casas e plantações, mas também aprendemos a usá-lo para cozinhar, para siderurgia, para purificação de água. Desenvolvemos armas químicas e biológicas, e aprendemos a desenvolver fármacos para prolongar a vida, ou para aumentar a produtividade do cultivo agrícola. Fizemos armas atômicas, mas aprendemos a usar essa energia para fins pacíficos, ou até para diminuir tumores cancerígenos. Desenvolvemos embalagens metálicas e plásticas que sujam as praias, mas estamos aprendendo a reciclar os materiais. Poluímos os rios, mas aprendemos a dessalinizar a água do mar com uso de energia eólica - inesgotáveis.

Processo de beneficiamento do plástico reciclável

Concluiu seu pensamento dizendo que só erra quem faz. E estou totalmente de acordo com seu raciocínio. Ressaltou que temos feito e errado, mas os conhecimentos acumulados e globalmente difundidos vão progredindo em termos de corrigir nossos erros. Somos muitos errando, mas também somos muitos consertando os erros. Nós somos a humanidade, imbatível em termos de capacidade de aprendizagem. Sabemos aprender, e estamos aprendendo a evitar poluir, aprendendo a reciclar. Somos muitos tentando e errando. Precisamos ser muitos nos esforçando pelo desenvolvimento sustentável. Muitos criando problemas, mas muitos mais resolvendo.

 Somos uma diversidade de indivíduos, mas buscamos uma unidade de tendências: uma cultura humana. Cada um, com um pouquinho, e contribuindo com suas habilidades, vamos construindo um futuro melhor. Uma cultura sustentável.

Clique aqui para ler mais artigos de Aline Lazzaroto



terça-feira, 29 de março de 2016

A Proteção do Conhecimento e dos Saberes Tradicionais e a Lei nº 13.123/2015


O conhecimento é um de nossos maiores tesouros. Ao lado do tempo e da saúde, é de reconhecer que a ampliação da consciência do nosso entorno, o entendimento dos processos que ocorrem a nossa volta, as melhores formas de agir, as aplicações de cada planta, objeto e teoria, todo tipo de conhecimento enriquece o ser humano. Contudo qual é o valor deste conhecimento? Já mencionei anteriormente uma das formas tortas com as quais nos relacionamos hoje com o saber.


Em maio de 2015, tivemos a promulgação de uma nova lei protetiva da Biodiversidade - Lei nº 13.123, de 20 de maio de 2015. Ela entrou em vigor em novembro último. Segue quadro elaborado pelo Planalto ressaltando as alterações trazidas por esta lei:


Claro está o caráter “promocional” deste quadro. Mas gostaria de ressaltar o aspecto da proteção dos saberes. Um dos grandes dilemas que envolve o conhecimento tradicional de tribos e populações tradicionais é justamente aquele que surge quando estamos frente a um outro direito: o direito ao registro de patente. É uma questão mais delicada ainda quando este saber está ligado à manutenção da saúde e da vida.

Exemplo clássico é o de plantas medicinais utilizadas há muito tempo por tribos e seus xamãs. O que vinha ocorrendo principalmente na Amazônia era a realização de pesquisas por empresas do ramo farmacêutico e posterior registro de patente de medicações que já eram usadas há séculos por comunidades tradicionais.


Ocorreu caso pitoresco quanto aos bordados do povo andino (para saber mais clique aqui). Uma francesa decidiu efetuar registro de uma forma tradicional de fazer. Não apenas o saber tradicional merece proteção, mas igualmente as formas de fazer bordados, receitas, cultivos. Alguns saberes e fazeres inclusive foram Tombados como Patrimônio da Humanidade, a fim de serem preservados.

Mas o que a atual lei brasileira de proteção à biodiversidade pretende implantar é um cadastramento, um controle, uma fiscalização e um monitoramento dos saberes e fazeres tradicionais que fazem parte do Patrimônio genético do país.


Adiante, com a clara finalidade de regulamentar algo que já ocorre, busca soluções para o uso comercial destes saberes e fazeres. E neste ponto começa a haver uma tensão. A legislação foi objetiva e determina que se for realizado o uso de saber tradicional, então deve haver a competente repartição dos benefícios nas seguintes modalidades:

Art. 19. A repartição de benefícios decorrente da exploração econômica de produto acabado ou material reprodutivo oriundo de acesso ao patrimônio genético ou ao conhecimento tradicional associado poderá constituir-se nas seguintes modalidades:

I - monetária; ou

II - não monetária, incluindo, entre outras:
a) projetos para conservação ou uso sustentável de biodiversidade ou para proteção e manutenção de conhecimentos, inovações ou práticas de populações indígenas, de comunidades tradicionais ou de agricultores tradicionais, preferencialmente no local de ocorrência da espécie em condição in situ ou de obtenção da amostra quando não se puder especificar o local original;
b) transferência de tecnologias;
c) disponibilização em domínio público de produto, sem proteção por direito de propriedade intelectual ou restrição tecnológica;
d) licenciamento de produtos livre de ônus;
e) capacitação de recursos humanos em temas relacionados à conservação e uso sustentável do patrimônio genético ou do conhecimento tradicional associado; e
f) distribuição gratuita de produtos em programas de interesse social.
§ 1o No caso de acesso a patrimônio genético fica a critério do usuário a opção por uma das modalidades de repartição de benefícios previstas no caput.
§ 2o Ato do Poder Executivo disciplinará a forma de repartição de benefícios da modalidade não monetária nos casos de acesso a patrimônio genético.
§ 3o A repartição de benefícios não monetária correspondente a transferência de tecnologia poderá realizar-se, dentre outras formas, mediante:
I - participação na pesquisa e desenvolvimento tecnológico;
II - intercâmbio de informações;
III - intercâmbio de recursos humanos, materiais ou tecnologia entre instituição nacional de pesquisa científica e tecnológica, pública ou privada, e instituição de pesquisa sediada no exterior;
IV - consolidação de infraestrutura de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico; e
V - estabelecimento de empreendimento conjunto de base tecnológica.

Como se vê, a população tradicional ou indígena poderá ser beneficiada não apenas com retribuição monetária. São soluções que permitem uma troca de valores: a empresa recebe a permissão para o uso comercial (o que é faticamente inevitável hoje em dia), mas compensa este uso com alguma das modalidades de incentivo à proteção e ao desenvolvimento tecnológico do nosso país.


Na lógica capitalista, fechamos o círculo virtuoso e estamos entregando o que temos e recebendo o que precisamos. Na minha tendência preservacionista xiita, a ideia de uma cerca impedindo o acesso à Amazônia ainda é tentadora (e impraticável!). Contudo, isolar já não é uma postura aceitável na atual conjuntura. A opção legislativa de um país representa parte da postura frente à questão do meio ambiente. É parte de uma escolha maior.

Os questionamentos que ficam são os mesmos que já tínhamos antes da lei: é possível ter controle? O Brasil tem “cacife” para manejar o processo que a lei prevê – cadastro, monitoramento, fiscalização? Haverá uma compensação real às populações tradicionais?


Assim é possível concluir que a Lei nº 13.123/2015 vem no sentido de buscar harmonia entre o saber e o uso comercial e de demonstrar nosso esforço em criar um ambiente de “ecodesenvolvimento” (querendo significar uma harmonia entre meio e capital). Como toda lei, apenas após alguns anos poderemos aferir se foi uma boa escolha e se conseguimos realizar tudo aquilo que a lei tencionava tornar realidade.

Quem (sobre)viver, verá!

Veja também este vídeo: 



Clique aqui para ler mais artigos de Janaína Helena Steffen


quarta-feira, 2 de março de 2016

#DesafioAbraça: RIO 2016 Lança o Desafio Provocando Atitudes Mais Sustentáveis da População


O Comitê Rio 2016 está lançando uma campanha digital super bacana, o Desafio Abraça. A equipe de sustentabilidade do Comitê Organizador está apostando todas as suas fichas nesta convocação. A ideia é usar a força do esporte para engajar a população a adotar atitudes mais responsáveis com o meio ambiente e as pessoas.

Está chegando a hora. Em seis meses o Rio de Janeiro estará em todas as partes do planeta ao mesmo tempo. Seremos vistos por todos e seremos anfitriões de todas as nacionalidades e diferentes culturas. É por isso que o Comitê Organizador Rio 2016 vai aproveitar a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Brasil para engajar a sociedade para uma causa nobre: a sustentabilidade.

Acreditando nas ações individuais, o novo aplicativo Rio 2016 está lançando hoje o Desafio Abraça, que vai incentivar hábitos mais responsáveis no cotidiano das pessoas.


“Através do Desafio Abraça, queremos tocar as pessoas e despertar a responsabilidade com o meio ambiente e a sociedade que pode estar adormecido dentro de cada um”, conta Tania Braga, Gerente Geral de Sustentabilidade do Comitê Rio 2016.

Desde o início dos trabalhos, a organização está envolvendo a sustentabilidade na produção do maior evento esportivo do planeta.

“O Rio de Janeiro vai realizar Jogos excelentes usando somente o necessário. O amor pelo esporte e a visibilidade do evento vão servir como combustível para o Rio 2016 levar a causa da sustentabilidade para as ruas” acrescenta Tania. 

Os espectadores devem postar vídeos de até um minuto no aplicativo do Rio 2016, mostrando como suas atitudes individuais podem, mesmo em pequena escala, trazer benefícios sociais e ao meio ambiente.

Por exemplo: indo para o trabalho de bike, na praia com seu próprio saquinho de lixo e sua squeeze, mostrando a coleta seletiva do lixo em sua casa, pouco tempo no banho etc .... Tudo isso de forma bem criativa levando em consideração que os mais interessantes/criativos têm mais chances de ganhar.

Como funciona a premiação? Os melhores vídeos de cada categoria ganharão um par de ingressos para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio2016. Os vencedores escolhem o prêmio. Vale qualquer esporte Olímpico ou Paralímpico.

Baixe logo seu aplicativo e faça o seu filme!!!



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Como Fazer uma Luminária de Mesa com Garrafa Pet

Para a decoração de seu ambiente ser renovada faça uma luminária de mesa com garrafa Pet, que ao final nem vai parecer que foi feita com um material reciclável.
Esta luminária de mesa com garrafa Pet tem modelo sofisticado e elaborado. Foto: ohohblog.com

Para fazer esta linda e diferente peça de decoração você irá precisar de:
  • 1 garrafa Pet;
  • 1 pisca-pisca;
  • Tesoura comum;
  • Lápis;
  • Régua;
  • Papel branco mais grosso;
  • Fita adesiva dupla face;
  • Cola em bastão;
  • Papel de seda branco. 
Comece cortando a parte de cima da sua garrafa Pet, com o auxílio da tesoura comum e com a altura que você quiser. Lembrando que a altura da garrafa Pet cortada será o tamanho final de sua luminária. E faça um corte na parte debaixo da sua garrafa Pet, para você passar o fio do pisca-pisca posteriormente.

Fotoohohblog.com

Em seguida, passe o fio com a tomada pela parte cortada anteriormente na parte debaixo da garrafa Pet e encha a sua garrafa Pet com o pisca-pisca, organizando-o da forma que você quiser ou apenas acomodando-o com as suas lâmpadas de forma aleatória. Depois, no papel branco mais estruturado, desenhe formas geométricas de sua preferência, podendo ser hexágonos, pentágonos, losangos ou a forma ou desenho que você quiser. Então recorte a parte interna estes desenhos, deixando-os vazados. Corte pedaços do papel de seda branco e cole, com o auxílio da cola em bastão, sobre estes desenhos vazados, mas pela parte de dentro, a parte que ficar em contato com a garrafa Pet.  E faça um teste com o papel para ver se está com o modelo que você quer.

Fotoohohblog.com

Logo após, para finalizar a sua peça, basta fixar o papel ao redor da garrafa Pet, com o auxílio de pedaços de fita adesiva dupla face. E está pronto!
Fotoohohblog.com 

Cuidado, utilize apenas luzes lâmpadas LED. Caso contrário, pode superaquecer e ser perigoso.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Comitê Rio 2016 Recebe Certificação ISO 20121 de Gestão Sustentável de Eventos


Estivemos hoje, dia 27, num agradável encontro no Comitê Rio 2016, que acaba de receber a certificação ISO 20121:2012 para gestão sustentável de eventos. A ISO 20121 é uma norma internacional que assegura o planejamento e entrega de eventos com menor impacto ambiental e social e ainda legados positivos para a cidade e sociedade.


Neste encontro, o presidente do Comitê Rio 2016 Carlos Arthur Nuzman e a Gerente Geral de Sustentabilidade do Rio 2016, Tania Braga receberam da SGS a certificação ISO 20121 e comentaram sobre a importância de receber tal certificação e o legado que ela deixará para o setor de grandes eventos no país.

Criada em 2012, a norma ISO 20121 certifica o organizador do evento atestando que a organização trabalhou de forma ampla, sustentável, social, ambiental e com boas práticas de gestão, o que inclui toda a cadeia de produção, consumo de água, produção de resíduos sólidos e consumo de energia e efeitos sobre a biodiversidade, além da seleção de fornecedores e contratados.

No Brasil apenas o "Rock in Rio" tem esta certificação. A certificação faz parte da agenda 2020 do Comitê Olímpico Internacional e será obrigatória nas candidaturas a partir de 2024.


Na foto, o presidente Carlos Arthur Nuzman, a gerente-geral de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado do Comitê  Tânia Braga e sua equipe, Flávio Medeiros, Julie Duffus e Simone Unanue recebem das mãos da SGS a certificação.


Sobre a SGS
A SGS é líder mundial no domínio da Inspeção, Verificação, Análise e Certificação, com sede em Genebra - Suíça.  Fundada em 1878 e reconhecida como referência mundial em qualidade e integridade. Conta com mais de 85.000 colaboradores e opera uma rede com mais de 1.800 escritórios e laboratórios em 142 países.