quinta-feira, 22 de junho de 2017

O Clima Pós-Trump

Autossustentável: Saída EUA Acordo de Paris
Imagem: One Índia

No início desse mês, Donald Trump cumpriu mais uma promessa de sua campanha e anunciou a saída oficial dos Estados Unidos do Acordo de Paris.

Sob alegação que o acordo não era bom para o seu país, que tirava empregos, que a mudança do clima não é comprovada cientificamente e tantas outras de suas conhecidas pós-verdades. Sem dúvida um baque forte nas pretensões da UNFCCC (Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas) e de seus países signatários na contenção da insistente elevação da temperatura média global.

Autossustentável: Saída EUA Acordo de Paris
Imagem: Twitter

O Acordo de Paris é, na falta de um termo melhor, agridoce. Foi o melhor que se alcançou, dada a situação e a necessidade de consenso para que pudesse avançar. Se por um lado o acordo conseguiu fazer com que os principais emissores de gases de efeito estufa acordassem que é necessária a redução dos mesmos (fato que não aconteceu, por exemplo, no Protocolo de Quioto); por outro, o acordo se baseia no conceito das Contribuições Nacionalmente Determinadas, metas individuais auto-impostas e divulgadas pelos países que fazem parte do acordo. Em outras palavras, o Acordo de Paris, em sua essência, é a soma dos esforços voluntários individuais de todos os países.

Autossustentável: Acordo de Paris
Imagem: Resíduo Zero

O Brasil, por exemplo, apontou que diminuiria suas emissões potenciais até 2030 em cerca de 40%. E o que acontece caso ele não cumpra essa meta? Nada. Não há sanções, não há nenhum tipo de punição, pois o acordo parte do espírito voluntário dos países.

Ainda assim, é o instrumento que temos. E notem que não coloco o verbo no plural: a saída dos EUA é um baque, mas não o fim do acordo e está longe de ser o fim do esforço sério dos países na diminuição de suas emissões e adaptações de mudanças climáticas vindouras. 
Autossustentável: Saída EUA Acordo de Paris
Imagem: Dom Total

Imediatamente após o anúncio de Trump, diversos líderes globais reforçaram seu comprometimento ao que haviam acordado há 2 anos em Paris. Mesmo dentro dos Estados Unidos, diversos estados (que tem autonomia para legislar nesse sentido) minimizaram a saída de seu governo federal e reiteraram seus esforços e compromisso no tema.

A análise sóbria feita algumas semanas depois do anúncio do mandatário norte-americano é que os EUA parecem tão somente terem se isolado do resto do mundo. Unem-se à Síria e à Nicarágua como os únicos países dentro das Nações Unidas que estão fora do acordo. E a justificativa nicaraguense foi que eles não entraram no acordo porque o mesmo não era “sério o suficiente” justamente por partir de premissas voluntárias.

Autossustentável: Acordo de Paris
Imagem: Business Insider

Com Obama, os Estados Unidos eram claramente uma das lideranças no combate à mudança do clima, ante diversas ações multilaterais, bilaterais e unilaterais que o país tomou. Com Trump, isola-se de praticamente todo o resto do mundo. Aqueles que inacreditavelmente ainda negam a ação humana no clima aplaudirão a coragem do presidente norte-americano. Os demais lamentarão mais tempo perdido, porém, não devem desanimar, pois a humanidade certamente resistirá ao lapso de razão de poucos, mesmo que estes ocupem a presidência de potências.


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terça-feira, 20 de junho de 2017

O Futuro sem Futuro

Imagem: Tiago Benevides

A violência se banalizou no Brasil. Violência doméstica, moral, violência nas ruas e na política. É tanta notícia ruim que parece que o povo brasileiro já se acostumou, e já não se espanta com o que escuta e vê.

Imagem: Entre Todas as Coisas

Talvez, algumas estatísticas ajudem a trazer a tona um dado super preocupante: nossos jovens estão morrendo. A juventude morre a cada falta de oportunidade, a cada acesso negado na educação e saúde, a cada descaso e tiro trocado nas comunidades país afora.

Recomendo a leitura do Atlas da Violência 2017, estudo realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que mostra que de 2005 a 2015, a taxa de morte entre jovens de 15 a 29 anos teve um aumento de 17,2%, representando 54,1% do total de homicídios. O perfil típico continua sendo o mesmo: homens, jovens, negros e com baixa escolaridade. Por outro lado, enquanto a taxa de homicídios para mulheres não negras reduziu em 7,4%, houve um aumento de 22% na mortalidade de mulheres negras.[1] Para maiores informações, clique aqui.

Imagem: Ipea

Outro indicador apontado no estudo é que a cada 1% na redução de taxa de desemprego de homens, a taxa de homicídio diminui 2,1%. Este é um dado super alarmante quando consideramos o cenário de crise dos últimos 3 anos, com taxa de desemprego crescendo a 66% entre pessoas de 14 anos ou mais[2]. Ou seja, o desempenho econômico, político e social tendem a agravar ainda mais este quadro tão caótico. Para acessar o Atlas da Violência 2017, basta clicar aqui.
  
Nosso país carece em oportunidades e projetos para crianças e idosos também, mas sinto que os jovens de 15 a 29 anos são menos favorecidos, justamente pela dificuldade em captá-los e dar-lhes algo valioso em troca. Vale ressaltar que esta é minha percepção e muito particular, baseada na minha experiência e vivência.

Imagem: Pinterest

Nossos jovens querem oportunidades dignas para crescimento pessoal e profissional. Estão cada vez mais exigentes e menos preparados. Algumas empresas oferecem programas de jovem aprendiz e apostam nos jovens para construção de carreira dentro da companhia. Outras instituições passaram a olhar para os jovens de baixa renda e dar-lhes oportunidades através dos seus negócios sociais, gerando empoderamento e capacitação profissional.

Imagem: Educa Rio BlogAdaptação: Autossustentável

Busque informações e colabore com quem de fato contribui para as mudanças sociais em nosso país. Doe seu tempo e amor aos jovens mais próximos a você. Isso também faz diferença. Seja a mudança que você quer ver no futuro.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Dia do Meio Ambiente: mais um ou menos um?

Imagem: IX Simpósio sobre Meio Ambiente

Ambiente é tudo aquilo que está dentro e fora de nós e que, além de simplesmente existir, possui estreita relação de complementaridade e interdependência.

É impossível separar, fragmentar, isolar e ainda assim entender o todo em sua complexidade e harmonia.

Imagem: LinkedIn

É impossível compreender o ambiente como somente a soma das partes, pois delas emerge o improvável, o novo, garantindo adaptação e resiliência.

Imagem: Vyacheslav Mishchenko

Imagem: Pinterest

Imagem: National Geographic

O ambiente, os ambientes, é e são, é e não são, ao mesmo tempo.
Nas palavras de Enrique Leff 1:

…”la crisis ambiental no es sólo la de una falta de significación de las palabras, la pérdida de referentes y  la  disolución  de  los  sentidos  que  denuncia  el  pensamiento  de  la posmodernidad:  es  la  crisis  del efecto del  conocimiento  sobre  el  mundo”.
  
Apesar de toda a complexidade das teias das vidas e das não-vidas, a nossa falta de conhecimento (e sentimento) sobre o mundo nos leva a simplificar e externalizar os desafios. Fechamos os olhos para o óbvio em prol de um modelo em crise focado no acúmulo e na separação, na geração de diferenças disfarçadas de diferenciais.

Imagem: Pinterest

Ambiente é prioridade.
(Mas não em épocas de crise).
Ambiente é fundamental.
(Desde que minhas necessidades estejam satisfeitas).
Ambiente é riqueza.
(Que seja a minha).

Mudar paradigmas, acreditar que a exceção pode tornar-se regra, estimular e fomentar que a cooperação e o diálogo são caminhos para a generosidade tem sido o papel escolhido por uma grande quantidade de educadores, ambientais ou não.

Imagem: The Vegan Strategist

Tenho orgulho de fazer parte desse seleto grupo, teimoso por natureza e que acredita que juntos vamos mais longe.

Que o dia do (meio) ambiente não seja apenas mais um, mas que seja de tudo e de todos. Torço que um dia você também junte-se a nós.


1 Do prólogo do livro Racionalidad Ambiental: La reapropiación social de la naturaleza (2004).


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sexta-feira, 9 de junho de 2017

A Importância das Atividades Físicas para a Saúde


Se antigamente cuidar da nossa saúde se resumia a uma dieta balanceada, hoje em dia sabemos que é preciso equilibrar a ingestão de calorias e atividades físicas - o tal balanço energético - para mantermos o nosso organismo saudável e termos uma vida equilibrada.

Excesso de trabalho, vida corrida, doses de estresse e as comodidades diárias são alguns dos ingredientes para as pessoas darem pouca importância à atividade física. Atualmente, o sedentarismo é mais perigoso para a saúde do que a obesidade. Mais gente morre em decorrência de um estilo de vida sedentário do que de diabetes, afirma o médico Victor Matsudo.
  

Importante por beneficiar amplamente qualquer indivíduo, seja fisicamente e/ou mentalmente, a atividade física é uma das principais medidas para a prevenção de doenças cardíacas. E você só precisa começar, dar o primeiro passo para deixar o sedentarismo de lado.

Segundo as recomendações do ACSM (American College of Sports Medicine), para deixar de ser sedentário e se manter saudável, deve-se realizar pelo menos 30 minutos de atividade física moderada e de forma contínua ou acumulada (3 x 10 minutos ou 2 x 15 minutos) por dia.

Nesses 30 minutos diários, pode tudo. Você pode andar, pedalar, nadar, dançar, subir as escadas ao invés de usar o elevador ou escada rolante e até brincar com o seu cachorro. Mexa-se! O importante é não ficar parado!


Entretanto, é sempre bom lembrar que nenhuma atividade física deve ser iniciada antes de uma consulta com um cardiologista para avaliação do estado geral de saúde. A consulta se torna ainda mais importante para indivíduos que apresentam fatores de risco, como: hipertensão, diabetes, colesterol elevado e obesidade.

Vale também lembrar que cada indivíduo deve praticar atividade física respeitando suas limitações e seus problemas de saúde

Mas quais as vantagens da atividade física para a saúde?

Os motivos para buscar este equilibro são inúmeros. Pessoas que realizam atividades físicas continuamente tem melhora da circulação sanguínea, fortalecimento do sistema imune, redução do colesterol e também tem efeitos sobre a glicemia e metabolismo do cálcio.


Além disso, a liberação de endorfinas proporciona nítido bem-estar aos praticantes, com melhora da sua qualidade de vida. Garante mais alegria, qualidade de sono, além da melhora da autoestima, pois reduz a gordura corporal e aumenta a massa magra.

Mas os benefícios da atividade física não param por aí! Ao eliminar o sedentarismo, passa-se a ter uma menor chance de desenvolver doenças cardíacas (como o infarto) e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), conhecidos como derrames cerebrais.


Baseado em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde concluiu que seria possível evitar 260 mil mortes por ano causadas por câncer e doença coronariana crônica se toda a população brasileira fizesse, ao menos, 30 minutos de atividade física moderada por dia, mantendo uma boa alimentação.

Antes de começar o seu #30TodoDia, uma dica para levar para sempre: hidrate-se! A água além de proteger a saúde também garante a disposição e o harmônico funcionamento do corpo tão necessários à prática de exercícios físicos.

E aí? Está esperando o que para se exercitar? Xô sedentarismo!




Com informações de: Mais Equilíbrio, Personal Athletic, SOCESP,  Terra e Tua Saúde


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quinta-feira, 8 de junho de 2017

A Vida Moderna e os Transtornos Alimentares – Parte II


Como vimos na segunda matéria sobre a Semana Temática de Saúde e Bem Estar (clique aqui para conferir), o estresse e a agitação da vida moderna, aliados a um volume cada vez maior de informações e de padrões de vida favorecem o aparecimento de vários transtornos alimentares.


A bulimia nervosa e a anorexia nervosa, infelizmente, são alguns dos transtornos mais observados atualmente na sociedade, atingindo principalmente adolescentes e jovens. E a pressão cada vez maior pela busca de um corpo perfeito também tem intensificado a incidência de um conhecido transtorno alimentar, a compulsão alimentar; assim como o aparecimento de novos transtornos como a ortorexia nervosa e a vigorexia nervosa.
  

Compulsão Alimentar
A compulsão alimentar ou TCAP (Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica), como é denominado cientificamente, é um transtorno alimentar caracterizado por episódios recorrentes de compulsão, onde o indivíduo ingere grande quantidade de alimentos rapidamente, perdendo o controle sobre sua alimentação. Muitas vezes a compulsão alimentar não permite que o indivíduo interrompa a ingestão de alimentos nem mesmo quando já está plenamente saciado.  Por isso, os episódios de compulsão cessam apenas quando o desconforto aparece. Após o episódio, o indivíduo é tomado por um grande sentimento de culpa e perda de controle, o que ocasiona vergonha e angústia.

A compulsão alimentar é uma doença causada por um distúrbio químico nos mecanismos da saciedade, ou seja, devido a uma falha química o cérebro do indivíduo compulsivo não recebe a mensagem de que já comeu o suficiente para se saciar, fazendo o mesmo continuar a comer até sentir desconforto físico.

Imagem: G1

Normalmente, a compulsão resulta de uma combinação de fatores, como características genéticas, sociais, e psicológicas relacionadas a experiências de vida. Exemplo disso é a pressão social de um padrão de vida que exige indivíduos magros, cenário que para os compulsivos só potencializam a vergonha que sentem devido à sua condição e acaba intensificando o ciclo de culpa e piorando a doença.

Apesar da semelhança com a bulimia, ambas têm como principal sintoma o “descontrole” alimentar, a compulsão alimentar não é seguida por quaisquer formas de medidas compensatórias.

Imagem: G1

Comprometimento funcional do organismo, ansiedade, depressão, risco de suicídio e uma alta frequência de transtornos psíquicos são algumas das consequências desse transtorno alimentar. Além disso, cerca de 75% das pessoas que apresentam essa doença ganham muito peso, devido ao consumo de calorias ser muito maior do que o necessário.

E o pior, comumente as pessoas obesas, ou fora dos padrões considerados normais, ainda são estigmatizados pela sociedade como preguiçosos ou sem força de vontade para controlarem a alimentação. Fica o alerta de como se pode estar piorando a vida de alguém com críticas sobre o peso ou medidas que não se encaixam nos padrões de beleza.

Ortorexia Nervosa
A ortorexia nervosa, termo (do grego, ortho: correto; orexis: apetite) criado pelo médico americano Steven Bratman, é um novo distúrbio do comportamento alimentar caracterizado por obsessão por comidas saudáveis. As pessoas que apresentam ortorexia desenvolvem obsessão pela qualidade da alimentação, passando a limitar a variedade de grupos alimentares, excluindo, por exemplo, carnes, laticínios, gorduras, carboidratos sem fazer a substituição adequada. O que pode provocar quadros de carências nutricionais ou distúrbio da conduta alimentar.


A ortorexia ainda não é reconhecida como um transtorno alimentar, porém, tem sido bastante discutida devido às suas características, interações e sintomas que preocupam pela alta incidência observada. Geralmente as informações sobre alimentação saudável são obtidas de fontes genéricas como, meios de comunicação e redes sociais, onde, por vezes, são passadas de forma distorcida e exagerada.


Fixação em alimentação saudável e definição bastante rígida do conceito de saudável são alguns exemplos de comportamento ligados à ortorexia. Além disso, pode-se observar o isolamento social provocado pela necessidade de seguir um padrão alimentar tão rígido que apenas em casa poderá ser alcançado.

Vigorexia
A vigorexia ou transtorno dismórfico muscular é um distúrbio de ansiedade pouco conhecido, onde o indivíduo tem uma visão distorcida de seu corpo, os vigoréxicos se veem fracos e franzinos, apesar de fortes e muito musculosos. Devido a essa distorção a vigorexia leva seus portadores à prática exagerada de exercícios físicos, em busca do corpo perfeito de acordo com os padrões de beleza impostos pela sociedade.


Especialistas acreditam que sua origem pode estar relacionada à condição genética ou a um desequilíbrio químico no cérebro. Cansaço, inapetência, insônia, ritmo cardíaco alterado mesmo em repouso, dores musculares, tremores, queda no desempenho sexual, irritabilidade, depressão e ansiedade, e desinteresse por atividades que não estejam ligadas ao treinamento intensivo para adquirir massa muscular são alguns dos sintomas desse distúrbio.


Além disso, a vigorexia também causa mudanças de hábito como por exemplo treinamento intensivo para adquirir massa muscular, alterações na dieta (constituída basicamente por proteínas), consumo de suplementos alimentares (muitas vezes sem orientação médica) e uso de esteroides e anabolizantes.


Vale ressaltar que todo comportamento que fuja do equilíbrio seja comportamental, alimentar e emocional necessita de tratamento especializado! É importante a busca por especialistas tanto na área psicológica quanto nutricional e endócrina. A investigação química e psíquica dos fatores causadores dos transtornos alimentares é essencial para o tratamento. Busque ajuda!

Com informações de ABRAN, BBC, Drauzio Varella, Estadão, G1, GNT e GTDA.

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