quinta-feira, 23 de março de 2017

Mudando para um condomínio: a retomada da aldeia global

Viver em uma casa é algo que nossos avós conheciam muito bem. Um espaço que é só seu, onde você tem total controle. Você é quem manda.  Mas, hoje em dia, está cada vez mais difícil encontrar alguém que não tenha apenas uma parede ou um piso separando sua residência da residência do vizinho.
Imagem: Twitter

Quando a pessoa mora em uma casa ou em um apartamento, casa geminada ou condomínio horizontal, os direitos em relação à propriedade do imóvel são mesmos: você é quem manda.

Mas na medida em que você começa a falar em convivência, com os outros que também são proprietários, isso muda completamente. Você passa a ter que respeitar outras vontades além da sua.

Enquanto é apenas um vizinho, basta não mexer na cerca. Quando o terreno, a casa ou partes do prédio são de propriedade de todos passamos a ter a necessidade de resolver tudo em conjunto. Decidir de acordo com a vontade de todos, todos pagam pelas despesas, todos precisam cuidar da morada comum e respeitar o espaço do outro.

Imagem: Mochila Brasil

A maioria já viveu em condomínio e sabe como é diferente de uma casa. Você pode furar a parede que quiser, desde que dentro do horário permitido. Você pode ter piso laminado, desde que você calce seu salto na porta de saída e que os brinquedos dos filhos não façam barulho. Sabe aquela casinha de zelador que ninguém mais usa e você sonha em fazer uma horta? A ideia só vai se concretizar caso todos os proprietários concordarem, senão vai ficar como terreno baldio e abandonado.

Consenso passar a ser necessidade, assim como aprender a abrir mão de algumas coisas que você queria e aceitar que o outro existe, tem direito de dormir e de não passar o dia ouvindo sapateados sobre a sua cabeça.

Um agravante é quando alguém morre na família e deixa um único imóvel que todos os herdeiros serão proprietários em condomínio, ou seja, juntos! Uma casa, vários donos!

Imagem: Advance Assessoria

A mistura dos sentimentos, daquele pensamento de “recebi uma herança!” mais o fator dinheiro é muito mais complicado. A venda nesses casos é a melhor opção porque liberta cada um para seguir o seu caminho.

Quando transpomos esse raciocínio para a nossa casa comum, o nosso planeta, percebemos o quanto estamos encrencados. É como se cada quarto fosse de propriedade de um herdeiro.

Cada herdeiro/país/ comunidade se acha no direito de decidir e fazer do jeito que bem entende no seu quartinho.

Imagem: Stop Exploration Infantil

Imagem: Green Click

As tentativas de reuniões globais têm obtido relativo sucesso, na medida em que muitos já estão se empenhando para que possamos cuidar da casa comum. Alguns, no entanto, não querem assumir essa realidade e continuam sendo os caciques dos seus quartinhos.

Imagem: Pinterest

Cidade de Mariana após rompimento de barragem de rejeitos de mineração. Imagem: Bombeiros MG/ Divulgação

Estamos no momento da história em que precisamos entender que mudamos para um condomínio e aprender a conviver com os coproprietários da nossa casa.

Nossa casa, entendem? Nossa! Minha, sua e de mais sete bilhões de pessoas. Nós decidimos. Nós pagamos. Nós cuidamos.

Imagem: PlayGround
  
Precisamos de um objetivo comum, de um acordo de prioridades, de uma conversa aberta e um coração limpo. E muita, mas muita disposição para CONviver.

Fonte: Bolton Green Party


No dicionário - Conviver: viver em proximidade, dar-se bem, ter uma vida em comum, ser próximo de alguém, viver em condomínio. Viver junto com alguém ou com algo (fato), mesmo que não concorde com o mesmo, mas já que este existe é importante que convivam.

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terça-feira, 21 de março de 2017

Pra Que Rumo? Amazônia Conectada

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece não é? Meu primeiro artigo no AUTOSSUSTENTÁVEL falava sobre turismo sustentável e ecoturismo. Logo eu, formada em turismo e com pouca atuação nele em si, restou em mim um grande apreço por planejar minhas próprias viagens e conhecer a fundo a cultura e tradição dos locais que visito.

Imagem: Mapa do Mundo

Em 2016 fui agraciada com uma incrível oportunidade de ir pra Amazônia pelo trabalho. Antes de ir à Manaus e embarcar em uma grande aventura de conhecimentos e aprendizados, gastei horas em casa pesquisando passeios que poderiam ser realizados saindo da capital, e que proporcionassem um primeiro contato e interação com a vida na floresta. Lembro que tive dificuldades em encontrar informações unificadas, e passeios que oferecessem vivencias diferentes do que os clássicos mergulhos com botos e visita a aldeias indígenas.

Encontro das águas do Rio Negro com o Rio Solimões. Imagem: Aline Lazzarotto (arquivo pessoal)

Com pouco tempo em Manaus, optei pela programação proposta pela empresa, que tinha dentro do roteiro nada mesmo do que o festival de Parintins e uma viagem de Barco pelas águas misteriosas do Rio Amazonas, com direito ao encontro do Rio Negro e Solimões. Digamos que de fato, os passeios que eu estava procurando seriam a cereja do bolo, diante da programação maravilhosa que já tínhamos!
  
Imagem: Pra que Rumo

Conheci nesta mesma viagem, o Pra que Rumo, start up que desenvolveu uma plataforma para conectar guias locais e turistas que vão pra Amazônia buscando vivências promovidas por moradores da região, através de serviços de gerenciamento, divulgação e comercialização de atividades. A plataforma impulsiona a geração de renda e desenvolvimento local, pois movimenta o setor do ecoturismo na região e gera atividades com remuneração justa, uma vez que os profissionais locais são beneficiados diretamente sem a intermediação de agências de turismo.

Imagem: Pra Que Rumo

Presente em 7 estados da região amazônica, a ferramenta também realiza um mapeamento e atua como o órgão fiscalizador responsável, para certificar os profissionais e prevenir impactos ambientais decorrentes das atividades. Além dos clássicos citados anteriormente, mais de 20 empresas oferecem passeios e expedições em caiaque e em stand up, trekking, camping, cavalgadas, voos panorâmicos, além de instrutores de rapel em cachoeiras e guias turísticos.
  
Imagem: Pra Que Rumo

Fico feliz com essas iniciativas que permitem planejar com mais facilidade uma viagem, que caiba no bolso e que possibilite encontrar atividades no perfil e características esperadas. Conhecida e desejada muito mais por estrangeiros do que os próprios brasileiros, a Amazônia encanta e surpreende, e tem um potencial enorme para profissionalização e desenvolvimento da atividade turística.

Mais informações em: https://www.praquerumo.com.br
   
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quinta-feira, 16 de março de 2017

O movimento que ensina e inspira a pedalar com segurança

Você sempre quis pedalar, mas está faltando aquele empurrãozinho pra te motivar? Ou não se sente seguro o suficiente? Senta aqui que vamos te mostrar um movimento incrível!
Autossustentável: Bike Anjo
Imagem: Bike Anjo

O Bike Anjo é uma rede de ciclistas experientes que ensinam gratuitamente as pessoas que querem aprender a pedalar nas ruas com segurança.

A rede oferece ajuda para aprender e praticar suas pedaladas, recomendam as melhores rotas e acompanham no trânsito, quando necessário. Além disso, promovem campanhas, oficinas, passeios, bicicletadas e palestras educativas.

Autossustentável: Bike Anjo
Imagem: Bike Anjo

O movimento começou na cidade de São Paulo em novembro de 2010. No começo era um grupo de amigos apaixonados por bike, que sonhava em ensinar pessoas a pedalarem pelas ruas da cidade. O grande estalo veio quando perceberam que muitas pessoas tinham vontade de adotar a bike como meio de transporte, mas não se sentiam seguras.

Esse foi o gancho para a criação desta plataforma que une ciclistas voluntários e experientes aos ciclistas iniciantes. Hoje o Bike Anjo está espalhado por 6 países, mais de 450 cidades brasileiras! São mais de 5.000 “anjos” (voluntários) espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

E como faço para participar desse movimento?

Autossustentável: Bike Anjo
Imagem: Bike Anjo

Simples! Basta acessar o site do Bike Anjo e preencher um pequeno formulário. Logo depois, você receberá uma resposta do grupo para agendar o encontro com o seu “anjo”. Ele irá até a sua casa para te ajudar a traçar as rotas mais seguras, dar uma aula básica de manutenção, além de dicas que só alguém que possui muita prática poderia dar.

Autossustentável: Bike Anjo
Imagem: Bike Anjo

Autossustentável: Bike Anjo
Imagem: Bike Anjo

Agora a parte bacana do movimento: todos os “anjos” são voluntários e nada é cobrado ao ciclista iniciante, ou seja, a rede cresce porque todos se identificam com causa. O movimento acredita que essa iniciativa não traz somente novos ciclistas para as ruas, mas torna a cidade e o trânsito mais humanos.

Autossustentável: Bike Anjo
Imagem: Bike Anjo Curitiba

Corre lá no site do Bike Anjo - http://bikeanjo.com.br - e se informe um pouco mais sobre eles. Lá você também encontrará várias dicas legais. Quem sabe você se inspira e considera a ideia de deixar o carro na sua garagem.

Autossustentável: Bike Anjo
Imagem: Bike Anjo



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terça-feira, 14 de março de 2017

A importância da corresponsabilização e a ameaça da PLS 221/2015



No finalzinho do mês de fevereiro, tive a oportunidade de me reunir com outros 40 representantes da sociedade civil para uma roda de conversa com o atual Secretário do Verde e Meio Ambiente de São Paulo (SVMA), o Sr. Gilberto Natalini (PV). 

Não é difícil imaginar que as notícias vindas da secretaria não foram animadoras, uma vez que já é tradicional que em períodos de crise política e econômica, temas como meio ambiente, cultura e esporte acabam ficando para escanteio, mostrando a fragilidade e incoerência do modelo civilizatório que vivemos e cultivamos.

De qualquer forma, a conversa foi esclarecedora e, mostrou a importância da mobilização e união dos diferentes coletivos que trabalham para garantir o que é patrimônio de todos, operando sempre em uma lógica inversa à “tragédia dos comuns”. 

Um dos pontos que me chamou a atenção nas palavras do Sr. Secretário foi a estratégia de corresponsabilização utilizada pela SVMA. Com o atual orçamento é impossível cuidar de tudo que é urgente e importante. Sendo assim, a SVMA inclui objetivos que são seus em outras secretarias. Ou seja, o tema ambiental passa a ser transversal do ponto de vista político-administrativo e, claro, de responsabilidade de todos.

Se esse artifício dá resultados ou não, saberemos em breve. 
 Imagem: BAC EDUCATION

Nesse caso, é inevitável o paralelo que se estabelece, para mim, com as políticas de Educação Ambiental no Ensino Formal, no qual a temática socioambiental deve (ou deveria) fazer parte do trabalho de diferentes disciplinas e, idealmente, que essas pudessem trabalhar conjuntamente sobre essas temáticas, garantindo a complexidade e a diversidade de olhares.

O PLS 221/2015 vai de encontro a essa vocação unificadora da Educação Ambiental no Brasil e em muitos países da América Latina, tentando transformá-la em uma disciplina específica. Essa não é a primeira nem a última tentativa de disciplinarização.

Imagem: Armandinho

Ao mesmo tempo que deve haver resistência aos retrocessos, deve-se priorizar a criação de estratégias educacionais que facilitem a capilarização da Educação Ambiental no ensino formal, fato que ainda não aconteceu em escala.

Atualmente, existe uma infinidade de ferramentas e canais para isso, que vão desde a formação presencial de educadores até criação de materiais didáticos e cursos EaD que informem, guiem e auxiliem os docentes a atingir resultados práticos e mensuráveis na formação dos chamados de “cidadãos do século XXI”. A prioridade ainda é (e sempre será) a capacitação dos gestores e docentes para que desenvolvam trabalhos competentes e continuados.

Imagem: Ben Hupfer/Corbis

Garantir o verdadeiro lugar da Educação Ambiental na escola depende de demonstrar sua importância na vida das pessoas e das comunidades, ou seja, respeitar contextos e criar transformações, não somente estruturais e comportamentais, mas de valores e propósitos de vida.


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sexta-feira, 10 de março de 2017

ONG constrói cisternas para os que sofrem com a seca no Nordeste

Imagem: Águas para Vidas
Todos os anos, milhares de pessoas sofrem com a seca na região Nordeste do país. A situação se agrava ainda mais com a chegada dos meses de verão e com ele o extenso período de escassez de chuvas por toda a região. 
A falta de disponibilidade de água força famílias inteiras a caminharem longas distâncias, diversas vezes por semana, para captar água em açudes e lagos. É também nestes locais que a população usa a água para tomar banho e lavar roupas. 
Imagem: Águas para Vidas
Imagem: Águas para Vidas
Como consequência do uso desta água imprópria para consumo, há aumento nos casos de doenças e outros problemas de saúde, como diarreia, febre tifoide, hepatite A e cólera. 
O projeto Águas para Vidas, da ONG Habitat para a Humanidade Brasil vem aos poucos mudando esta situação. A iniciativa tem como objetivo apoiar famílias em diversos municípios da região do semiárido Pernambucano e proporcionar a estas famílias os meios necessários para captação e armazenamento de água.

Imagem: Águas para Vidas
Isto é feito através de reparos/aumento de seus telhados e construção de cisternas para captação e armazenamento de água de chuva. As famílias beneficiadas também participam de oficinas e capacitações em direitos humanos, gênero e políticas públicas para que a comunidade possa ter voz ativa junto ao Conselho de Desenvolvimento Rural. 
Imagem: Águas para Vidas
É ou não um projeto super legal, que merece nosso apoio e divulgação para que mais e mais pessoas possam colaborar?
Para saber mais sobre o projeto e contribuir, acesse: http://habitat.juntos.com.vc/pt/aguaparavida

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