quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A Moda que Parece e A Moda que é Sustentável

A temática da sustentabilidade está presente nos mais variados discursos e meios de comunicação, o que tem levado as empresas a buscarem soluções tanto na cadeia de produção, quanto na gestão de seus negócios, de forma a se adaptar às questões de desenvolvimento sustentável (DALMORO et al, 2009). A responsabilidade ambiental é cada vez mais valorizada pelo consumidor e incorporada às empresas de diferentes setores, inclusive o de moda, e, no tocante ao discurso ecológico, essas empresas tem utilizado estratégias de marketing para se posicionarem diante do consumidor.
Existe um conceito chamado marketing verde que, de acordo com Dalmoro et al (2009), caracteriza-se por atividades que facilitam a comercialização de bens ou serviços, visando satisfazer necessidades ou desejos do consumidor (inerentes ao conceito de marketing), porém, com menor impacto ambiental na cadeia. Isso se dá através da modificação da matéria-prima utilizada nos produtos, nas embalagens, em novos processos e canais de distribuição, entre outros fatores da cadeia produtiva de moda, que minimizam seus impactos no meio ambiente.


Kotler (1995) sugere que o marketing verde aparece quando as empresas consideram a questão ambiental passando a desenvolver seus bens ou serviços de acordo com critérios ecológicos. O conceito teve um avanço em função da importância e dimensão que o meio ambiente passou a ocupar nos discursos sociais, governamentais e empresariais, e “tem como finalidade orientar, educar e criar desejos e necessidades nos consumidores visando atingir os objetivos de comercialização das organizações pelo aumento do consumo com um menor impacto ambiental” (KOTLER, 1995). Percebe-se aqui uma contradição, já que a sustentabilidade propõe a redução no consumo, no entanto, isso ainda deve passar por uma mudança cultural maior, como defendem Manzini e Vezzoli (2005).



Para algumas pessoas, falar em marketing verde dá a conotação de publicidade de produtos que remetem ao ecológico, geralmente associado a conceitos como “reciclado”, “rústico”, “artesanal”, “que não polui”, e que talvez nem o sejam. Na realidade, marketing verde vai além dessa percepção, mas reconhece-se que há quem se utilize dessa ferramenta apenas como apelo de imagem de marca, sem, de fato, investir em mudanças na cadeia de produção (considerando todas as etapas, desde a seleção de matéria-prima até o descarte final) que fundamentem e justifiquem o posicionamento sustentável. Segundo Pereira et al (2012), a atenção destinada pela sociedade à questão ambiental criou uma oportunidade para ganho de vantagem competitiva pelas empresas e, por isso, muitas delas têm apostado nesse posicionamento. Para estes autores, as empresas que não adotarem práticas ambientais estão se arriscando a criar uma imagem negativa perante o consumidor.


A literatura, e a própria observação das tendências comportamentais, sugerem que o consumidor está mais consciente, só que, no tocante à moda, sabe-se que, justamente pela característica efêmera, de mudanças, e de ser movida pelo desejo por novidades, essa consciência ecológica não parece tão evidente. Pelo menos não na maioria do público consumidor de moda, e sim, em um nicho menor. Aliás, chama-se a atenção para a contradição entre os conceitos de moda e sustentabilidade (Moda e Sustentabilidade: Um Paradoxo).


Como falar em moda sustentável se moda implica em ritmo (produção, consumo e descarte) acelerado, muitas vezes as custas da exploração de mão-de-obra barata, e de recursos ambientais naturais não renováveis (LEE, 2009); enquanto sustentabilidade sugere o prolongamento do ciclo de vida dos produtos, durabilidade, valorização do trabalho e preocupação ambiental? É uma questão para se pensar, talvez esses dois termos não possam caminhar juntos. Entretanto, para fins de caracterizar uma moda mais consciente, podemos, pelo menos por enquanto, seguir falando em moda sustentável. Retomando a questão de um nicho menor de consumidor de moda consciente, conforme previsões e macrotendências isso tende a se alterar, levando a mudança de comportamento o que tornará os consumidores mais adeptos da moda consciente. Se não for pela vontade, será pela necessidade (MANZINI; VEZZOLI, 2005).

Nesse contexto, os atributos ecológicos tendem a agregar valor aos produtos, construindo uma imagem de marca responsável frente ao consumidor, que passa a ser seduzido pela mesma.  Assim, é possível estabelecer uma vantagem competitiva em relação a empresas que não adotam práticas ambientais. No entanto, ser uma marca de moda sustentável, pelo viés ambiental, pressupõe que os produtos ou serviços ecológicos atendam a alguns critérios, como: seleção de recursos com baixo impacto ambiental (tanto materiais quanto fontes de energia), seleção de recursos naturais renováveis (matéria-prima e energia), recursos biodegradáveis; gerenciamento do lixo, considerando a reciclagem de materiais (pensar na facilidade de separação de materiais compatíveis entre si), e reaproveitamento; pensar na durabilidade do produto, versatilidade, facilidade de reparo e manutenção, e por último, pensar no descarte correto.

Em síntese, a questão do ciclo de vida do produto é fundamental, ou seja, considerar todas as etapas e o que se pode fazer para minimizar impactos em cada uma delas. (VEZZOLI, 2010) Quando as empresas de moda, e outros setores, investem nessa cadeia produtiva diferenciada, considerando a premissa ambiental e aplicando as práticas descritas, podemos dizer que ela é sustentável.

Mas, de que forma o consumidor fica sabendo disso? Sabe-se que existem estratégias de comunicação para informar o posicionamento da empresa e imagem de marca, e, no caso das empresas sustentáveis, as estratégias costumam ser aquelas que evidenciam os atributos dos produtos ou serviços.

Para Ottman (1998), mais do que anúncios vinculados a apelos ecológicos em termos de imagem e conceito, as empresas precisam informar a performance e qualidade desses produtos, bem como ser transparentes quanto aos processos e materiais envolvidos. É fundamental disponibilizar informações confiáveis sobre o produto e seus atributos ambientais, e com uma linguagem clara e simplificada para que o consumidor entenda. Inclusive, Ottman argumenta que um número maior de consumidores, e não somente os adeptos do consumo verde, pode sentir-se atraído por estes produtos, quando o enfoque for desempenho, conveniência e outros benefícios palpáveis.


Confira algumas empresas de moda que repensaram sua cadeia produtiva e se posicionaram como sustentáveis, elas se comunicam com recursos de marketing verde. Empresas que são, e não apenas parecem:

ENVIDO
A Envido promove a aproximação entre designers e as empresas de diferentes segmentos com foco na sustentabilidade. O objetivo é criação de produtos através de uma cadeia produtiva forte baseada no reaproveitamento de materiais e nas causas sociais. A Envido também realiza pesquisas e desenvolvimento de têxteis e fios. Todos orgânicos e biodegradáveis. Para conhecer a Envido clique aqui.

Autossustentável: ENVIDOAutossustentável: ENVIDO

Autossustentável: ENVIDO

INSECTA SHOES
Sapatos veganos e artesanais feitos com a reutilização de peças de roupas vintage. Eco-friendly, colecionável e mutante. Para saber mais sobre a Insecta Shoes clique aqui.

Autossustentável: Insecta Shoes

Autossustentável: Insecta Shoes

FLAVIA ARANHA
Modelagens atemporais, tecidos de algodão puro e tingimento com corantes naturais estão presentes em todas as coleções. Desenvolve suas coleções com a mesma sutileza com que troca experiências com as comunidades que visita, para compor suas referências, inspirações e parcerias. Destas comunidades que produzem diversos tipos de matéria-prima que Flavia usa em suas peças, ela quer resgatar um trabalho artesanal que se perdeu no tempo e na vida das pessoas, através de reinvenções, buscando uma nova valoração da brasilidade. Flavia se destaca por proporcionar aos clientes produtos que se inserem no seu estilo de vida. Para saber mais sobre o trabalho desenvolvido por Flavia Aranha clique aqui.

Autossustentável: Flavia Aranha

Contudo, existem empresas que se utilizam de ferramentas de comunicação, com o intuito de fazer a marca parecer sustentável. Desta maneira, fica confuso para o consumidor quais são as empresas que realmente investem em produção com preocupação ambiental, e quais apenas parecem preocupar-se, uma vez que passam essa ideia ao utilizarem estratégias de comunicação que mais vendem um estilo de vida do que sustentabilidade de fato. Não se afirma aqui que as empresas que usam recursos de comunicação, ou outros, com “cara de ecológico” estejam querendo se passar por sustentável propositalmente.  A intenção pode ser vender um “lifestyle” como, por exemplo, andar mais de bicicleta e menos de carro, fotografar editoriais em meio à natureza enfatizando que se tenha mais contato com esta. E isso pode confundir o consumidor.

Por isso, Ottman (1998) ressalta a importância de buscar comprovação das atividades ecologicamente corretas. A informação deve ser transparente em todas as etapas do processo produtivo, evidenciando os componentes do produto, as vantagens daquela atividade produtiva, como se deu a distribuição e que impacto gerou, e de que maneira a empresa está fazendo sua parte na questão ambiental, através de suas ações.

Empresas de moda com uma postura ecologicamente correta, interessadas em desenvolver produtos que respeitem o consumo consciente e que, de fato, transmitam isso de maneira transparente para o consumidor, terão vantagem competitiva no mercado em que estejam inseridas. O consumidor só terá que ser um questionador de quem realmente é sustentável e quem apenas parece ser.

Pereira et al (2012) afirma que o consumidor está mais consciente e apresentando comportamento mais maduro e responsável em relação ao consumo, repensando seus hábitos e escolhas. Mas, estar consciente da questão ambiental não significa ter total conhecimento de materiais e processos, apenas dos impactos negativos da produção. Então, é provável que esse consumidor seja atraído por marcas que se digam ou pareçam sustentáveis, mas não chega a averiguar a informação a fim de comprovar a postura ética da empresa.


Alguns recursos que podem confundir o consumidor:
·   Quando uma marca de moda utiliza estampas de natureza, o símbolo de reciclagem em camisetas, ou mensagens de texto sobre preservação da natureza, etc. Essa comunicação em prol do meio ambiente não significa que as empresas tenham processos ecologicamente corretos, ou que utilizam tais materiais.
·     Embalagens rústicas. Uma embalagem não representa que houve mudança em toda a cadeia, ou que todas as etapas são coerentes com discurso ambiental. E nem sempre o aspecto rústico de um material significa que ele é ecologicamente correto.

É comum os profissionais de marketing relacionarem artigos verdes ao ato de consumo responsável, e a maioria dos consumidores não investiga o histórico da empresa ou informações mais detalhadas. Apenas compra a ideia.

Reforça-se que o presente artigo não está afirmando que todas as marcas de moda que assim se comunicam estejam querendo enganar o consumidor. Algumas, sim, o fazem. Outras, entretanto, utilizam os mesmos recursos de comunicação das empresas com materiais e processos sustentáveis, com o propósito de vender um estilo de vida ligado à natureza, mas que nem por isso se posicionam como marcas ecologicamente corretas. O que se traz à tona, é que isso pode confundir o consumidor entre marcas que parecem e as que realmente são sustentáveis.


Então, consumidor, vá atrás de informação. E repense seu consumo.

Clique aqui para ler outros artigos de Luciana Della Mea


Referências:
DALMORO, Marlon; CARDONA VENTURINI, Jonas y DINIZ PEREIRA, Breno Augusto. Marketing verde: responsabilidade social e ambiental integradas na envolvente de marketing. Revista Brasileira de Gestão de Negócios [en línea] 2009, vol. 11.
KOTLER, Philip. Princípios de marketing. 7ª ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1995.
LEE, M. Eco Chic: o guia de moda ética para a consumidora consciente. São Paulo: Ed. Larousse, 2009
MANZINI, Ezio; VEZZOLI, Carlo . O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. São Paulo. EDUSP, 2005.
OTTMAN, Jacquelyn. Green marketing: opportunity for inovation. Chicago: NTC BusinessBooks, 1998.
PEREIRA, André Luiz; BOECHAT, Cláudio Bruzzi; TADEU, Hugo Ferreira Braga; SILVA, Jersone Tasso Moreira; CAMPOS, Paulo Március Silva. Logística Reversa e Sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
VEZZOLI, C. Design de sistemas para a sustentabilidade: teoria, método e ferramentas para o design sustentável de “sistemas de satisfação”/ Carlo Vezzoli. – Salvador : EDUFBA, 2010.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Energia Nuclear: A Energia que Soluciona e o Rejeito Sem Solução – Parte II

A energia que move Angra

Foto: Central Nuclear de Almirante Álvaro Alberto (CNAAA)

Visitando a área externa das obras de Angra 3, percebemos que já está bastante evoluída, sendo que até o momento foram executadas 53% das obras civis. Com início em 2010, a previsão para inicio de operação da usina é 2018. Segundo os técnicos que nos acompanharam, haverá em média cinco mil funcionários trabalhando no pico das obras em Angra 3. As proporções são gigantescas, e todo cuidado é pouco quando se trata da projeção e construção de um reator nuclear. Para que nenhuma etapa se sobreponha a outra, e impeça a continuação da obra, um modelo reduzido foi construído. São tantos detalhes e processos tão precisos que deixaria qualquer engenheiro boquiaberto.


Foto: Usina Nuclear Angra 3

A futura usina será idêntica a de Angra 2. De tecnologia Alemã, esta segunda opera desde 2001, época do famoso apagão no Brasil, e foi de extrema importância para que o cenário não se tornasse ainda pior. Em 2013, a produção de energia elétrica de Angra 1 e Angra 2, representou 2,78% da geração de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN). Com as três usinas em operação, o complexo nuclear de Angra dos Reis será capaz de atender a cerca de 60% da demanda energética do Estado do Rio de Janeiro, se considerarmos os dados de 2013 (Eletrobras, 2014).


Visitamos também a central de operações de Angra 2. Com profissionais altamente qualificados, os técnicos responsáveis pela operação das usinas passam constantemente por treinamentos e testes de toda natureza, estando totalmente preparados para qualquer situação adversa ou de emergência. Por fim, conhecemos o Centro de Gerenciamento de Rejeitos – CGR, e confesso que estava bastante curiosa. Os rejeitos radioativos possuem três classificações: baixo, médio e alto níveis de radiação. A parte em que visitamos recebe os rejeitos de classe baixa, compostos basicamente por materiais ligeiramente contaminados, como roupas, ferramentas, papéis e plásticos. Antes de serem armazenados os rejeitos são compactados por prensas para otimizar o espaço do galpão.

Foto: Usina Nuclear Angra 2

Todo automatizado, o galpão é operado por poucos profissionais, que passam por um rigoroso processo de análise do nível de exposição à radiação, sendo nulo normalmente. O rejeito com maior nível de radiação é o combustível nuclear utilizado para abastecer as usinas. Este fica armazenado em piscinas dentro de cada central nuclear que a produziu. Diversas medições são feitas para garantir que o nível seja mantido abaixo dos padrões internacionais de segurança para os trabalhadores, população e meio ambiente. Em caso de qualquer anormalidade, existe um plano de emergência para proteção da população do entorno. Quanto à destinação final dos rejeitos radioativos, o Brasil ainda não possui um local definido. Desta forma, os de baixa e média classificação poderão ser armazenados nas centrais nucleares até 2020, e depois deverão ser encaminhados a um futuro repositório nacional. O combustível usado é considerado rejeito porque ainda não possuímos técnicas de reciclagem e reprocessamento no país. Este também deverá ser encaminhado para um depósito final.

Foto: Depósito de Rejeitos da Central Nuclear

Como forma de compensação ambiental durante o processo de licenciamento de Angra 3, são realizados diversos investimentos em infraestrutura e atividades voltadas a para saúde, educação, turismo e cultura, meio ambiente, serviços públicos, saneamento, dentre outros, principalmente com as prefeituras municipais de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro. Os investimentos vão desde construção de creches, melhorias na qualidade de ensino, conservação da estrada, compra de equipamentos hospitalares, dentre outros. Serão aplicados recursos para o beneficiamento e reciclagem dos resíduos gerados nas obras de Angra 3, em área previamente selecionada. Bem como apoio a estruturação e implantação da cooperativa de catadores de materiais recicláveis de Paraty, que será responsável pela triagem dos materiais recebidos da coleta seletiva do município.

O Brasil possui uma das maiores reservas de urânio do mundo, na mina de Caetité, localizada na Bahia, e o metal não possui outro uso industrial que não seja para combustível nuclear. As reservas existentes no Brasil são suficientes para o suprimento de Angra 1, Angra 2 e Angra 3 por 100 anos. Este fato, aliado com a possibilidade de extensão de vida útil das usinas se torna uma grande vantagem na questão de segurança energética. Os impactos da exploração do urânio são os mesmos causados pelas atividades de mineração, se diferenciando no tratamento dos rejeitos radioativos.

Assim como as termelétricas, a energia nuclear é uma fonte não renovável, porém, não emite Gases de Efeito Estufa – GEE. Acredito que o ponto mais crítico neste processo é a falta de gerenciamento do Brasil quanto à destinação final dos rejeitos radiativos, tendo em vista que os de alta radiatividade podem durar centenas de anos. Devemos avançar com prioridade e urgência no projeto de definição do local do repositório nacional, de modo a garantir que os rejeitos continuem a ser guardados de forma segura.

Apesar dos desafios enfrentados na geração de energia nuclear, as atuais Angra 1, 2 e futura Angra 3, são alternativas que no cenário atual são indispensáveis para o sistema integrado nacional de distribuição de energia. Especialmente por estarem próximas aos principais centros consumidores do sudeste do país. Necessitamos da geração de energia para o continuo progresso e desenvolvimento do país, e assim como qualquer atividade, gera resíduos e rejeitos. No momento, a empresa atua da melhor forma para maximizar os pontos positivos da geração de energia e minimizar seus impactos negativos gerados pela sua atividade.


Confira o funcionamento de uma usina nuclear PWR:

  • A fissão dos átomos de urânio dentro das varetas do elemento combustível aquece a água que passa pelo reator a uma temperatura de 320 graus Celsius. Para que não entre em ebulição – o que ocorreria normalmente aos 100 graus Celsius -, esta água é mantida sob uma pressão 157 vezes maior que a pressão atmosférica.
  • O gerador de vapor realiza uma troca de calor entre as águas deste primeiro circuito e a do circuito secundário, que são independentes entre si. Com essa troca de calor, a água do circuito secundário se transforma em vapor e movimenta a turbina - a uma velocidade de 1.800 rpm - que, por sua vez, aciona o gerador elétrico.
  • Esse vapor, depois de mover a turbina, passa por um condensador, onde é refrigerado pela água do mar, trazida por um terceiro circuito independente. A existência desses três circuitos impede o contato da água que passa pelo reator com a dos demais.
  • Uma usina nuclear oferece elevado grau de proteção, pois funciona com sistemas de segurança redundantes e independentes (quando somente um é necessário).

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Pequeno poema sobre a crise hídrica: ÁGUA BENTA

Eu, à esquerda, mandando um 'vlws, flws' abençoado por Deus no rio Formoso,
Parque Nacional das Emas. Foto:
 Gabriela Magalhães

E Deus disse: faça-se a luz
e disse também, faça-se a Amazônia

Deus deu a luz
e a maior floresta do mundo.

E nela Deus deu o rio Amazonas,
o rio Negro,
o Tapajós, o Xingu
e mais um punhado dos maiores rios do mundo.
Deus também dá o Cerrado, a savana mais rica do mundo.
E com o cerrado, Deus dá o Velho Chico!
o Tocantins, o Paraná, o Araguaia
e outro punhado dos maiores rios do mundo.

Deus deu pro Brasil 13% de toda a água deste pequeno planeta.

Junto com os rios, Deus dá as matas que os protegem.
Dá também as matas que protegem as encostas, os topos de morro e as nascentes.
Deus dá todas as outras APPs.

Mas é pouco.

Deus resolve dar um Oceano inteiro,
e um Sol, capaz de dar asas à água do mar,
que agora voa pro continente.

Pra garantir, dá também a mais extensa Cordilheira do mundo.
E os Andes barram a água.
Mandam tudo pro sudeste.
E Deus dá mais montanha
dá o Espinhaço,
e dá a Mantiqueira.
Faz a água jorrar como numa torneira.

Alguns bilhões de anos depois, chega o homem.
E em menos de 200 anos, o homem
faz da soja sua mata ciliar
faz do pasto os seus morros
e as outras APPs.
Minera suas nascentes.

O homem pega o minério...
... e manda embora com a água que sobrou.

Tampa os rios com avenidas,
joga agrotóxico de avião
Constrói cidades nas várzeas...
... usa as outras de lixão.

O homem ainda sabe reciclar.
Aduba o solo com os restos
dos índios, ribeirinhos e pobres,
faz crescer trator, soja transgênica e muita tração nas quatro.

E o homem ainda gosta de mata.
Mata o rio São Francisco.
Mata também o Paraná.
Barra o Xingu,
o Teles Pires, o Madeira, o Tocantins.
o Tapajós, meu Deus do céu...
O PAC 2 quer mais 54.
(Cinquenta
e
quatro.)

O governador acha as eleições mais importantes,
o Congresso não faz a menor ideia.
O Aécio tá em coma.

Dona Dilma, estudiosa que é,
com seus futuros ministros, Kátia e Aldo,
resolve que não precisa mais de tanta APP,
nem de terra indígena,
nem de reserva legal,
nem de unidade de conservação,

nem de cumprir promessa de campanha.
Não foi ela que escreveu.

Mas o céu não manda mais chuva.
As barragens já secaram,
a água virou leite,
jajá vai virar vinho.
O Lula tá curtindo.
Seria Jesus?

o povo tá nas ruas,
as donas de casa estão pondo fogo em prefeitura,
e a polícia do Alckmin mal consegue acalmá-las com seus canhões de água.

A Ministra do Meio Ambiente está preocupada,
e logo interrompe seus afazeres,
distraída, esqueceu a mina Apolo do lado de fora do Parque Nacional do Gandarela,
enquanto implorava que as pessoas fechassem as torneiras ao escovar os dentes.

mas Eduardo Braga não,
esse não chegou ali atoa.
Do escurinho do cinema,
o Ministro de Minas e Energia sabe bem de quem é a culpa:

Deus há de mandar a chuva pra cá,
afinal de contas, Deus é brasileiro,
Ele não faria essa maldade com o povo.



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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Tenha uma horta na sua casa!


Já pensou que delícia ter sempre alimentos e temperos fresquinhos disponíveis a hora que você quiser? Pois saiba que não é difícil ter uma horta em casa. Com apenas algumas dicas você já pode começar a sua!

1- Você vai precisar de alguns utensílios básicos:
  • Pá: para abrir os buracos na terra.
  • Tesoura: para podar as suas plantas.
  • Luvas: para evitar pegar doenças, encostar em fungos ou pragas, ou até mesmo se machucar em espinhos.
  • Palitos de churrasco: para apoiar as mudinhas que estão crescendo.
  • Fechos de embalagens como as de pão de forma: para prender as mudas nos palitos.
2 – Como preparar o solo:
Simples! Misture uma parte de terra e outra parte de composto orgânico ou húmus de minhoca (espécie de “vitamina” para a planta). Cave buraquinhos com a distância indicada para cada espécie de planta. Se estiver fazendo sua horta em vasos, coloque pedras ou cacos de cerâmica no fundo, para que a água escoe mais facilmente.
3 – Plante o que desejar:
Para ter sucesso você precisa respeitar o calendário de plantio (verifique a época recomendada para cada hortaliça). E não deixe as plantas em lugar escuro. Quanto menos luz tiver o local, mais perto das janelas as plantas devem ser colocadas.
4 – Não se esqueça de regar:
Não sabe a frequência? Use o “dedômetro”! Se a terra não estiver seca, deixe o regador no armário. Planta encharcada fica fraca e propensa a ter doenças, como fungos. Pratinhos embaixo de vasos podem ser dispensados.
5 – Aposte em repelentes naturais:
Inseticidas também matam os bichinhos do bem. Matar as lagartas vai acabar com as borboletas. Além das opções orgânicas, você pode plantar cravo-de-defunto. Outro modo de afastar pragas é atrair passarinhos.
Gostou das dicas? Você pode plantar diversos tipos de hortaliças, como manjericão, hortelã, cidreira e até ousar mais e arriscar um tomate, rúcula, etc. Monte sua hortinha e conte aqui nos comentários como ela ficou.


Fonte: Saber para Crescer

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Férias, Trilhas e Natureza: Reserva Natural Salto Morato


Se você não sabe para onde ir ou o que fazer nas férias de inicio de ano ou nos finais de semana, convidamos para explorar as belas e incríveis trilhas da Reserva Natural Salto Morato, no Paraná, criada pela Fundação Grupo Boticário.


A reserva, aberta ao público, conta com duas trilhas. A primeira delas, Trilha da Figueira, leva até uma imponente árvore centenária que abriga diversas espécies de plantas e animais. Já a segunda, Trilha do Salto, termina ao pé do Salto Morato, uma cachoeira com aproximadamente 100 metros de altura que dá nome à reserva. No caminho, o visitante ainda passa por um aquário natural onde é possível nadar com os peixes.


Se você não se programou ou ainda não tem nada planejado para as suas férias, combine com sua família e amigos e dê um pulo nesse incrível destino!!


Convidamos támbem os nossos leitores a assistirem ao último vídeo da série “Na Mata”, preparada pela Fundação em conjunto com o biólogo Reuber Brandão. Neste vídeo, o biólogo mostra um grande truque para monitoramento da fauna local. Ficou curioso? Aperte o play!


Assista aos vídeos da série “Na Mata” pelo canal do Youtube e na página da Fundação no Facebook.

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

A Fundação Grupo Boticário é uma instituição sem fins lucrativos que, desde 1990, empreende esforços para conservar a natureza no Brasil. A Fundação apoia iniciativas de outras organizações em todo o país, investe em estratégias inovadoras de conservação como o pagamento por serviços ambientais e ainda realiza ações de sensibilização da sociedade para a causa.


Desde a sua criação, já apoiou 1.417 iniciativas de 481 instituições de todo o país e mantém duas unidades de conservação, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, somando mais de 11 mil hectares de áreas protegidas nos dois biomas mais ameaçados do país.