terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Meio Ambiente, Disputas Políticas e as Mudanças Climáticas, o que podemos esperar em 2017?

Ao iniciarmos 2017, é inegável que o fato político mais relevante foi a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Sua relevância se dá principalmente pelas consequências desse movimento.

Autossustentável: Polaridade Mundo
Imagem: Autossustentável

O ponto que muitos esquecem, contudo, é que este movimento de ascensão de figuras avessas a “política tradicional” e a descrença nas instituições governamentais não estão restritos somente aos EUA (ou ao Brasil).  É algo verificado em muitos cantos do mundo. O problema (bem, um desses problemas) é o efeito desse movimento à causa ambiental.

Autossustentável: Mudanças Climáticas
Imagem: Banksy!

Em 2015 tivemos dois grandes marcos institucionais internacionais em prol do ambientalismo. Por um lado, a Conferência de Paris aprovou o limite de aumento de 1,5°C na temperatura média do planeta até o fim do século. Por outro, os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável), eram postos em prática, estabelecendo 17 objetivos, 169 metas e centenas de indicadores para acompanhamento dos limites socioambientais do planeta. O ano de 2015 foi um dos mais frutíferos para o ambientalismo.

Autossustentável: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
Imagem: ONU Brasil

Contudo, os últimos dois anos foram decepcionantes. Os exemplos são inúmeros: o esvaziamento efetivo da Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana por Trump, além dos sinais quase certos da saída dos EUA do Acordo de Paris, atitude similar por Theresa May de fechar o departamento de Energia e Mudança do Clima do Reino Unido.

Autossustentável: Impactos das mudanças climáticas na saúde
Impacto das mudanças climáticas na saúde. Imagem: Centers for Disease Control and Prevention

Além disso, a conclusão de que a Antártida também começa a degelar; e, mais uma vez, recordes sucessivos dos meses e anos mais quentes já medidos. E por aqui, conversas do governo (sem autorização do Ministério do Meio Ambiente) sobre soluções legais para redução das áreas de conservação da Amazônia Legal.

Imagem: Mafalda. Autor: Quinho


A consolidação de partidos e candidatos conservadores não seria um problema às políticas voltadas ao meio ambiente se não fosse o uso do seu discurso como parte de uma série de ações “progressistas”. No limite, o que é “ambiental” entra na mesma lógica de “direitos humanos”, “progresso social”, “feminismo” e tantas outras categorias fundamentais, porém abstratas.

Autossustentável: Desastre Mariana
Desastre ambiental em Mariana, distrito de Minas Gerais. ImagemCruzeiro do Vale
  
Não há qualquer problema em partidos que o movimento ambiental seja reconhecido como progressista. Mas a partir do momento em que há sua vinculação ao mesmo, soluções técnicas deixam de ser pensadas e aplicadas a problemas que, governados por direita ou esquerda, são comuns a todos. Este fato acaba se intensificando a partir do momento que as consequências das problemáticas ambientais não são vistas no curtíssimo prazo.

Autossustentável: Armandinho
Imagem: Armandinho


As soluções necessárias às questões ambientais terão que passar pela superação dessa divisão esquerda-direita tão acentuada no mundo. Não pendendo para qualquer um dos lados, mas unindo-os em prol de uma mesma causa: sua existência.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Iniciativa transforma comunidades carentes, construindo escolas com garrafas PET

Já reparou a quantidade de garrafas PET descartadas de forma incorreta e o impacto que esse descarte provoca? E é geralmente nos locais com menor acesso a informações, como comunidades carentes, que esse impacto costuma ser maior. O acesso restrito à educação, devido à falta de escolas também ocorre de maneira mais intensa nessas regiões.

Autossustentável: Hug It Forward
Imagem: Hug It Forward

Observando e procurando solucionar esses dois problemas, que a primeira vista não teriam conexão, uma iniciativa está impactando positivamente a vida de muitas comunidades carentes na América Latina. Através de uma solução inovadora a ONG Hug It Forward está levando educação e conscientização ambiental a essas regiões.

Imagem: Hug It Forward

A ONG, que desde 2009 já empoderou comunidades na Guatemala e em El Salvador, já construiu mais de 70 escolas com garrafas PET e resíduos não biodegradáveis. Além da redução do impacto ambiental e da conscientização, essa iniciativa também tem uma melhor viabilidade econômica, já que a construção de cada sala das escolas teve o custo médio de 6.500 dólares à ONG (valor bem menor que uma construção tradicional).

Autossustentável: Hug It Forward
Imagem: Hug It Forward

Cerca de 6.500 garrafas PET são reutilizadas para a construção das escolas, de duas salas cada uma. Essas garrafas são preenchidas com os resíduos não biodegradáveis, se transformando em “tijolos ecológicos”, que são utilizados para a construção das paredes dessas escolas. Tanto as garrafas PET como os resíduos são coletados com a ajuda da população local, justamente para envolvê-la no processo, despertando a consciência ambiental e o empoderamento social, através da capacitação recebida da ONG.
Autossustentável: Hug It Forward
Imagem: Hug It Forward

É importante ressaltar que as escolas construídas com os “tijolos ecológicos” são tão seguras como escolas feitas com materiais tradicionais, mas com a vantagem de proteger o meio ambiente e desenvolver a população local. Ademais, a estética dessas escolas em nada se difere das escolas construídas com técnicas tradicionais.


Autossustentável: Hug It Forward
Imagem: Hug It Forward

E além de todos esses benefícios, essa iniciativa também é aberta a todos que queiram replicá-la. No site da ONG você poderá encontrar um manual, disponibilizado gratuitamente, para a construção de escolas com garrafa PET. Você ainda pode ajudar essa iniciativa através de doações ou de trabalho voluntário.
Autossustentável: Hug It Forward
Imagem: Hug It Forward

Para conhecer mais sobre a Hug It Foward, acesse http://hugitforward.org


Clique aqui para ler mais artigos de Nathália Abreu












terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Negócios Sociais: Promovendo a Inclusão, o Desenvolvimento Social e Econômico

Você sabe o que são negócios de impacto social na base da pirâmide? É um tema recente no Brasil, e por vezes confundido com programas sociais ou responsabilidade social empresarial. Minha opinião? É uma nova economia com imensa oportunidade a ser explorada e desenvolvida no Brasil, onde mais da metade de sua população é formada pelas classes C, D e E.

Autossustentável: Negócios Sociais
Imagem: SEBRAE

Se você não sabe o que é um negócio de impacto social ou nunca ouviu falar, não desanime! Talvez não seja sua área de atuação, ou não teve oportunidade para compreender. Talvez você até tenha um e nem saiba! Ou apenas não conhecia o conceito.

Autossustentável: Negócios Sociais
Imagem: Amazon Web Services

Os negócios de impacto social na base da pirâmide são empresas e/ou empreendedores nascidos por uma necessidade de uma determinada comunidade, e os lucros são reinvestidos no próprio negocio a fim de maximizar seus impactos e que se torne autossustentável. Ou seja, conseguem unir a eficiência dos negócios tradicionais com a consciência da filantropia, como bem definido pelo ícone Muhammad Yunus.

Autossustentável: Muhammad Yunus
O Nobel da Paz Muhammad Yunus. ImagemPinterest

Recentemente conheci uma iniciativa muito interessante de inclusão financeira em Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo. Foi criado um cartão de crédito para moradores utilizarem no comércio local, sem a necessidade de ter uma conta em banco. Além de desenvolver os negócios existentes dentro da comunidade, os usuários do cartão recebem cursos de educação financeira e um percentual do valor utilizado em compras é revertido aos projetos sociais locais.

Autossustentável: Cartão Paraisópolis
Cartão de Crédito Nova Paraisópolis. ImagemMais Fácil

Outra iniciativa incrível é o Embarcar, um aplicativo criado por ribeirinhos na Amazônia, que oferece informações sobre o transporte hidroviário. Para muitas comunidades na região essa é a única opção de transporte, daí a importância desse aplicativo. O acesso à informação de horários e valores evita o deslocamento até os portos em busca de embarcações que realizem o trajeto necessário.

Autossustentável: Aplicativo Embarcar
Idealizadores do aplicativo Embarcar: Taissir Wilkerson Carvalho e Maickson Boim. Imagem:  Karla Lima/G1

Nesse mesmo barco, outra proposta vai de encontro com as necessidades da região. Uma plataforma que amplifica o sinal de celular e internet em embarcações e locais remotos nas regiões da Amazônia, chamada Neger.

Autossustentável: Aplicativo Embarcar
Imagem Neger Telecom

Existem diversos exemplos e modelos de negócios sociais de impacto, com enorme potencial de transformar vidas e atender necessidades específicas como, a dificuldade de acesso aos serviços públicos e privados, o uso de tecnologia, a falta de novas soluções de mobilidade, e a precária situação das casas residenciais. Acontece que muitos desses projetos morrem antes de se tornarem rentáveis de fato.

Autossustentável: Negócios Sociais
Imagem: MGov Cidadania Fácil
  
Outro fator importante é que grande parte dessas startups nunca foi incubada ou acelerada, e nunca tiveram oportunidade de formação sobre negócios com impacto, inovação social e finanças sustentáveis. No Brasil existem excelentes empresas que oferecem recursos (financeiro e intelectual) para esses negócios. Artemisia e Endeavor são exemplos desse movimento.

O grande desafio é entender as reais necessidades das populações da base da pirâmide e criar as oportunidades para este mercado, desenvolvendo novos produtos e serviços que atendem a este propósito ao invés de simplesmente incentivar o consumismo.

Autossustentável: Social Business
Fonte: Julian Stodd

Acredito que essa nova forma de fazer negócio fará nosso país muito mais justo e sustentável. E você, vai embarcar nessa também? Não fique de fora, ajude a construir um país melhor!

Com informações de: Mais Fácil, Neger

Clique aqui para ler mais artigos de Aline Lazzarotto


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Economia Circular e Cradle to Cradle: Ferramentas para equilíbrio entre sociedade e meio ambiente



Neste último post da Semana Temática de Ecodesign apresentamos a Economia Circular, uma perspectiva econômica benéfica ao meio ambiente e à sociedade, e sua principal ferramenta o conceito “do berço ao berço” (Cradle to Cradle, em inglês).

Autossustentável: Economia Circular
Imagem: WSP | Parsons Brinckerhoff

Somos a única espécie do planeta que gera lixo. E a cada dia produzimos um volume maior de resíduos inutilizados e potencialmente tóxicos para nós e para o meio ambiente. Isso porque adotamos um modelo produtivo linear, fundamentado no processo de “extrair–produzir-descartar”. Além do grave problema socioambiental de descarte, esse modelo pressiona a extração de recursos naturais oferecendo ameaça iminente de esgotamento desses recursos e eleva gradativamente os custos de extração.


Em decorrência disso, é impreterível reconsiderar nosso processo produtivo e suas falhas, a fim de reequilibrar nossa relação com o meio. E é justamente essa a proposta da Economia Circular, que através da formulação de novos produtos e da formação de redes e cooperações entre fornecedores, produtores, clientes e governos, busca mais que regenerar a relação sociedade-meio ambiente.

Autossustentável: Economia Linear x Economia Circular
Economia Linear x Economia Circular. Imagem: The Ellen MacArthur Foundation

A nova proposta econômica almeja, igualmente, que o valor dos recursos extraídos e produzidos permaneça em circulação por meio de cadeias produtivas intencionais e integradas, aproveitando seu máximo valor e utilidade. Desta forma, o destino final dos produtos é pensado no design de produtos e sistemas, não sendo mais apenas uma questão de gerenciamento de resíduos.

Autossustentável: Lixo
Imagem: Eventbrite

O objetivo é acabar com o conceito de lixo, considerando cada material dentro de um fluxo cíclico. Para cumprir essa missão surgiu conceito “do berço ao berço” (Cradle to Cradle), onde todos os componentes de um produto são nutrientes para um novo ciclo e os tão preocupantes resíduos passam a circular de forma contínua.

Autossustentável: Cradle to Cradle
Critérios do Cradle to Cradle

De acordo com o conceito Cradle to Cradle, o design industrial deve processar separadamente os nutrientes biológicos dos nutrientes técnicos. Os primeiros seriam os materiais biodegradáveis, que devem voltar de forma segura ao meio ambiente; enquanto que os últimos correspondem aos recursos que não são produzidos de forma contínua pela biosfera, como metais e plásticos. Esses dois tipos de nutrientes devem ser aproveitados de forma contínua nos processos industriais, sem perda de qualidade.

Autossustentável: Ciclos
Imagem: Ideia Circular

Baseando nosso processo produtivo nessa estrutura de inovação de produtos e nos inspirando nessa modelo de cíclico, seria possível impactar positivamente o meio ambiente.

Com informações de: Ideia Circular, EPEA Brasil e Endeavor Brasil.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

5 Iniciativas Brasileiras que se Destacam pelo seu Processo de Ecodesign

Para deixar nossa semana temática ainda mais sustentável e incrível, no post de hoje destacamos 5 iniciativas maravilhosas que fazem do ecodesign o seu modo de ser.

Insecta Shoes


Autossustentável: Insecta Shoes
Imagem: Insecta Shoes

Uma iniciativa de Porto Alegre com criações totalmente sustentáveis. É a Insecta Shoes, marca de sapatos veganos (sem nenhum uso de matéria-prima de origem animal) e ecológicos, produzidos com peças de roupas usadas e garrafas plásticas (PET) recicladas.

Autossustentável: Insecta Shoes
Imagem: Insecta Shoes

A Insecta Shoes se inspira no reaproveitamento de materiais, aumentando assim a vida útil do que já existe pelo mundo. Em dois anos, já foram reaproveitados para a fabricação de seus produtos 2.100 peças de roupas, 630kg de tecido e 1.000 garrafas PET. O projeto se preocupa também com o fim do ciclo de vida do produto, fazendo estudos para reinserção ou reciclagem do seu sapato usado.

ZEREZES

Autossustentável: Zerezes
Imagem: Zerezes

Os meninos da Zerezes são conhecidos por terem introduzidos no mercado carioca os charmosos óculos feitos de madeira. A marca cria óculos de sol com madeiras redescobertas, ou seja, madeiras que foram descartadas em obras e encontradas em entulhos, caçambas e marcenarias em geral. A produção também se dá a partir de lâminas de madeiras documentadas pelo Ibama.

Autossustentável: Zerezes
Imagem: Zerezes

Todo o processo é feito manualmente pelo próprio grupo e cada peça leva cerca de dois meses para ser concluída. O resultado? Modelos incríveis, um acabamento impecável e, lógico, sustentáveis.

REVOADA

Autossustentável: Revoada
Imagem: Revoada

 Também gaúcha, a REVOADA é um excelente exemplo de marca que pensa no ecodesign, com materiais que, normalmente, são pouco ou nada reaproveitados e vão para o lixo. Câmaras de pneu e náilon de guarda-chuva ganham nova vida como matéria-prima para bolsas, mochilas e carteiras.

Autossustentável: Revoada
Imagem: Revoada

O projeto incentiva não só o reaproveito de materiais com longos períodos de decomposição, mas também o trabalho em comunidades de reciclagem, que realizam a triagem e o preparo dos materiais. A empresa já reinventou 8 toneladas de câmaras de pneu e 10 mil unidades de guarda-chuva. O processo de logística reversa também é realizado, tornando o fim de cada processo um novo recomeço.

DA TRIBU

Autossustentável: Da Tribu
Imagem: Da Tribu

 Da Tribu é uma iniciativa familiar que produz de forma artesanal colares, pulseiras, anéis, brincos e outros itens. Suas coleções fazem passeios que vão do crochê ao papel, do tecido ao látex. Desde a sua criação, o projeto mostra que há um caminho possível e palpável nas novas formas de organização, baseadas na sociabilidade e no coletivo.

Autossustentável: Da Tribu
Imagem: Da Tribu

Com sua produção Slow Fashion, constrói parcerias sustentáveis da cadeia produtiva aberta e horizontal, produzindo assim, de forma coletiva, acessórios com formas orgânicas, livres e com cores pulsantes.

PAPEL SEMENTE

Autossustentável: Papel Semente
Imagem: Papel Semente

Criada em 2009, a Papel Semente produz papel artesanal e ecológico que recebe sementes de flores ou temperos durante seu processo de fabricação.

Autossustentável: Papel Semente
Imagem: Papel Semente

O processo fabril se inicia com a reciclagem e a transformação do papel usado e de aparas não utilizadas pela indústria tradicional (coletados por cooperativas certificadas de catadores de papel), e é finalizado com a inserção de sementes. Assim, após a sua utilização, o papel pode ser plantado, gerando vida ao invés de lixo.


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