quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Pequenos Detalhes, Grandes Soluções

É cada vez maior a discussão a respeito dos produtos biodegradáveis e a vantagem destes em relação aos produtos tradicionais por permanecerem menor tempo no ambiente, reduzindo desta forma seu impacto negativo sobre o sistema.  Mas o assunto não deve e não pode ficar restrito somente à substituição do material, e sim, na mudança de nossos hábitos, pois a utilização de produtos biodegradáveis não nos isenta da responsabilidade de diminuirmos a produção de resíduos.

É essencial que tenhamos uma visão global do processo de biodegradação.

Os produtos biodegradáveis, como o próprio nome diz, são degradados biologicamente, mas, ao contrário do que muitos pensam, não ocorre um desaparecimento espontâneo. Este processo ocorre quando microorganismos atuam sobre determinado composto, disponibilizando no meio ambiente substâncias como aminoácidos; além disso, esses mesmos microorganismos utilizam essas substâncias em seus metabolismos e para a geração de novos indivíduos.


Por isso a importância da diminuição desses resíduos, já que quanto mais esses microorganismos trabalham, maior será o aumento da população destes, em virtude do excesso de material biodegradável (substrato/nutriente). O que poderá gerar uma explosão populacional que, segundo o princípio da precaução, deve ser evitado, pois as consequências são desconhecidas.

Contudo, mesmo que essa explosão populacional aconteça, esses microorganismos possuem limitações fisiológicas em metabolizar tanto material o que fará com que a quantidade excessiva de resíduos continue sendo acumulada, independente do resíduo ser biodegradável ou não. Assim o impacto dos biodegradáveis será semelhante aos produtos com material convencional.

Outra questão que vale ser ressaltada diz respeito à composição do produto, ou seja, quanto mais sintético for esse material, mais difícil será o processo de degradação, já que o “maquinário biológico” dos microorganismos pode metabolizar e degradar alguns grupos de materiais nos quais os sintéticos não se inserem. Desse modo, quanto maior for o processo industrial envolvido na obtenção do produto, maior será o tempo de degradação. Muitas vezes, esse produto acaba sendo degradado por processos físico-químicos que demoram mais tempo para ter uma ação efetiva e depurativa.

A importância da biorremediação

Nos estudos sobre biodegradabilidade e microbiologia existe uma área denominada biorremediação, que consiste na utilização de microorganismos capazes de degradar compostos nocivos, como é o caso dos hidrocarbonetos que compõem o petróleo.

Grandes acidentes envolvendo esse combustível fóssil – derramamentos de navios cargueiros, vazamentos em grandes profundidades nas áreas de prospecção (extração), acidentes em áreas continentais através do transporte dos produtos e derivados do petróleo – causam a contaminação dos solos e dos corpos d’água superficiais e subterrâneos, resultando em um impacto de grandes proporções sobre os ecossistemas terrestres e aquáticos. Com o registro do aumento de acidentes desse tipo, a biorremediação se torna cada vez mais importante.

Um exemplo atual da biorremediação, que foi publicado na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”, relatou a minimização dos impactos do desastre ambiental, ocorrido 2010 no Golfo do México-EUA, em virtude do consumo quase total do metano presente mar por colônias de bactérias.

Por esses motivos, é correto afirmar que a solução para o mundo pode estar nas pequenas coisas, neste caso, nos microorganismos.



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