quarta-feira, 25 de abril de 2012

Impactos Ambientais do Consumo da Moda

Além do que observamos pelas ruas, nas revistas e na TV, a indústria da moda também deixa um rastro que não notamos. Todas as indústrias deixam esse rastro, conhecido, atualmente, como Pegada de Carbono.


Ao andarmos na praia, deixamos pegadas na areia por onde passamos. Se acelerarmos, nossas pegadas ficarão mais fundas. A mesma coisa acontece com a Pegada de Carbono. Quanto mais aceleramos a exploração do meio ambiente, maior é a marca que deixamos em nosso planeta. O uso abusivo de recursos naturais, a degradação ambiental, o consumo exagerado e a quantidade de resíduos resultantes são os rastros que deixamos na natureza e não percebemos. A pegada ecológica, outra denominação recebida pela Pegada de Carbono, é apenas uma estimativa e nos mostra até que ponto o nosso estilo de vida está adequado ao que o planeta pode nos fornecer.

A Pegada de Carbono da indústria da moda é muito grande, é a segunda indústria mais poluente do mundo, perdendo apenas para a automobilística. A situação é tão crítica que algumas marcas e estilistas estão se conscientizando para calcular esse dano e tentar reduzi-lo ao máximo. Já que, qualquer um dos processos realizados pela indústria têxtil - tais como a fiação, o beneficiamento, o tecimento, a limpeza, o tingimento, a estamparia, os acabamentos e até a administração da empresa - causa algum tipo de impacto, seja no solo, no ar, na água ou à população.

As emissões de gases tóxicos ao meio ambiente, a poluição do solo com a geração de resíduos que nem sempre recebem a devida atenção e o grande consumo de água são a realidade de muitas indústrias no país e no mundo.

Alguns exemplos de impactos mais específicos dessa indústria são descritos a seguir: a produção de fibras sintéticas e o beneficiamento do couro geralmente envolvem resíduos químicos que além de serem tóxicos e utilizarem uma grande quantidade de petróleo, entre outros componentes, liberam compostos voláteis, contaminando o ar que respiramos; as plantações de algodão utilizam uma quantidade de água tão grande que uma simples camiseta de algodão consome 2000 litros de água para ser produzida.

Outro fator nada sustentável da indústria da moda é o sistema de manufatura das roupas, que pode ter a produção em um país, o corte e a costura em outro, para só então serem vendidas em um terceiro. Esse sistema faz com que as peças circulem pelo mundo algumas vezes antes de chegar às lojas.

Também não podemos esquecer do que acontece quando todos esses produtos que consumiram água e energia, desgastando o solo e poluindo o ar, são descartados após o uso. Alguns produtos são fabricados com a intenção de serem descartados rapidamente, diminuindo seu tempo de uso e fazendo com que os aterros estejam sempre cheios. Gases como o CO2, emitido pela queima de combustíveis fósseis, e o metano, liberado nos aterros sanitários, contribuem muito para as alterações climáticas e parte desses gases encontram-se em produtos de vestuário, calçados e acessórios que descartamos com muita rapidez.

Embora a extração e a exploração dos recursos naturais do planeta ainda estejam acontecendo de forma desenfreada, a indústria da moda possui meios, recursos e oportunidade para mudar todas as ações prejudiciais dentro do seu processo de produção. Além de, também, ter consumidores conscientes que esperam por essa evolução.


Assim, mesmo que os rastros da extração, produção e comercialização dos produtos de moda em todos os seus níveis tenham deixado um impacto profundo no planeta, que talvez não possa ser revertido completamente, essa informação precisa ser difundida e todas as empresas (não só as da área da moda) precisam se conscientizar para que tenhamos chance de recuperar nosso planeta.



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