sábado, 16 de junho de 2012

A economia capitalista e o jogo de poder enquanto sintomas de inconsciência.


Muito se fala a respeito de serem o capitalismo e os jogos de poder da economia os grandes responsáveis pelo caos ambiental em que estamos. Mas será que a responsabilidade não nos alcança? Algum de nós estaria realmente isento?

É complicado em uma democracia invocar a responsabilidade apenas do que está externo a nós. Por conceito, a democracia pressupõe que o povo participa da gestão do Estado. É o governo do povo e pelo povo, ou seja, é o povo quem tem o poder de determinar quem são os seus representantes e toda a linha de gestão está baseada no bem comum.

O capitalismo parte de alguns pressupostos clássicos como: geração de lucro, obediência a normas de mercado e incentivo ao consumo.

O lucro, como o abuso da força de trabalho de outrem, tornou-se uma forma de recompensa exacerbada pela iniciativa, pela criatividade, pela inteligência e pela perspicácia em descobrir novas necessidades onde elas não existiam. Concordo, de qualquer modo, que há um abuso nesta perspectiva de ganho, mas questiono se todo lucro não seria abusivo.

As normas de mercado, a oferta e a procura, são friamente manipuladas pelos empresários e fornecedores. Para comprovar este fato, basta verificar os estoques dos supermercados e a disponibilidade de produtos na prateleira. Quando um produto encalha, os produtos similares de outras marcas somem das prateleiras e você se vê “obrigado” a comprar um produto da marca encalhada. Isso para não se falar em posição nas prateleiras, preços manipulados, etc.

O incentivo ao consumo nunca foi tão agressivo. A propaganda está profissionalizada: anunciantes possuem consultoria psicológica para descobrir qual é o melhor horário do dia, a forma de apelo mais adequada para o perfil de consumidor, qual é o ponto fraco, a maior carência emocional, etc. As crianças, que nem discernimento possuem, são surpreendidas a cada intervalo em canais infantis por dezenas de comerciais que dizem: “É divertido, compre! É incrível, mágico!” E isso é permitido por lei, porém os comerciais dirigidos ao público infantil são eticamente aceitáveis?

Quem define o que acontece com as empresas, com os incentivos fiscais, com os intervalos comerciais, com a disponibilidade de produtos?

Muitos atribuem esses fatos aos jogos de poder, e alegam que poder significa conseguir pagar para que outros concordem em fazer o que você precisa. Mas você, na sua família, nunca viu alguém oferecer dinheiro, passeio, comida ou vantagem para que as crianças façam o que você quer? Qual é a diferença? Alguns dirão que é um exagero. Mas pense comigo, como é que essas pessoas que hoje compram tudo descobriram que poderiam fazer isso? Uma criança nasce sem entender nada, são os adultos que ensinam a elas como funciona a sociedade e como atuar. Então, nossas crianças não são treinadas para aceitar suborno? Ou para acreditar que o dinheiro compra tudo?

E aquele que recebe e fica quieto, não seria o legítimo que cala e consente? Temos esta cultura de considerar menos gravosa a conduta omissiva. Culpamos aquele que faz, mas consideramos menos grave permitir que se faça ou aceitar que seja feito com você. No Direito, a omissão possui alguns tipos puníveis: a omissão de socorro, o cúmplice. Mas, mesmo nas figuras penais ambientais, quando você imagina um engenheiro que avisou o gerente que se ligasse o equipamento geraria poluição e o diretor determinou que fosse ligado; você colocaria ambos na prisão e pelo mesmo tempo? Certamente que temos outras questões envolvidas, mas o engenheiro sabia das consequências e assim mesmo ligou o equipamento.

Então, jogos de poder passam por dinheiro, posição social/administrativa, possibilidade de se sobrepor. Contudo, apenas ocorre um jogo se todos os possíveis participantes entrarem no mesmo. Ou dá para jogar um jogo de poder se não houver os submissos?

Iniciei o texto falando em democracia, todavia não acredito que ela seja possível com as condições de (falta de) cidadania atuais. Cidadãos que percebem o seu papel como meramente obrigação de comparecimento à urna em um final de semana do mês de outubro conseguem perceber o poder que possuem? E mesmo que eles consigam colocar pessoas honestas para serem seus representantes, será que estas pessoas conseguirão fazer algo dentro daquele ambiente corrompido?

Todo o emaranhado de questões acima é em grande parte devido a nossa inconsciência. E aqui chamo de inconsciência não apenas o não saber, mas também o não fazer nada em relação ao que sabemos. Sim, porque se você sabe e não faz nada, então é como se não soubesse.

É neste ponto que entramos em algumas questões cruciais: o que fazer para que se gere consciência do nosso poder e para que este poder tenha vulto frente aos outros? É necessário que haja educação para o consumo, educação ambiental, educação para a atuação cidadã. Todos concordam com isso. Mas e aqueles que são adultos hoje? Como conscientizar adultos formados? Sustentabilidade seria algo para aqueles que estão tendo educação ambiental desde o berçário?

Deixo aqui a porta aberta para que vocês possam comentar, agregar pensamentos, sugerir e “cooperar” com uma conscientização maior. É possível?

                                     



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