quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sustentabilidade e Escola: Uma Dupla de Futuro

Uma das boas notícias anunciadas pelo MEC em junho foi o investimento de R$ 100 milhões em um programa destinado a tornar 10 mil escolas brasileiras sustentáveis.

O investimento ainda pode ser considerado tímido se realmente considerarmos o número de escolas que apresentam algum tipo de vulnerabilidade socioambiental. Mas a iniciativa é animadora.

Nos últimos anos, tenho tido a chance de colaborar com diferentes instituições de ensino no desenvolvimento de projetos que tem a sustentabilidade como eixo condutor.

Autossustentavel: Escola Sustentável

Junto a equipes interdisciplinares de professores dessas instituições, tenho mantido a preocupação de criar um projeto novo e personalizado para cada escola (afinal, cada escola tem sua história e suas características próprias), sempre valorizando práticas que verdadeiramente aliem as esferas tradicionalmente ligadas ao conceito de sustentabilidade: a ambiental, a econômica e a social. Somente identificando os desafios que deixem claras as interligações e a interdependência entre essas três esferas, estaremos de verdade formando professores e estudantes dentro do novo paradigma da sustentabilidade.

Minha fonte primária de inspiração são as ideias e os ideais de Edgar Morin.

Apenas por meio da compreensão profunda da complexidade do mundo atual, colaboraremos efetivamente na formação de indivíduos críticos e capazes de propor soluções de cunho coletivo aos desafios do dia a dia. O trabalho dentro dos paradigmas da complexidade quebra as barreiras disciplinares dando um novo significado ao que é trabalhado em sala de aula.

Costumo dizer que projetos em Educação e Sustentabilidade devem “trazer o mundo para a escola e inserir a escola no mundo”.

De maneira geral, projetos de Educação e Sustentabilidade devem (ou deveriam) ousar e ir além das propostas isoladas de ecoeficiência, que geralmente empobrecem e resumem a sustentabilidade ao seu componente ambiental.

Para a implantação de projetos integrais em Educação e Sustentabilidade, tenho seguido um roteiro simples com seis etapas:
  • Formação teórica competente de professores e estudantes dentro da história e da conceituação de sustentabilidade;
  • elaboração de um diagnóstico real da escola, caracterizando seus principais desafios e formas viáveis de solucioná-los;
  • identificação dos principais atores envolvidos em cada desafio e que podem se tornar parceiros em ações;
  • estabelecimento de um verdadeiro diálogo democrático entre os atores, visando compreender os vários lados da mesma questão, garantindo, dessa forma, uma visão sistêmica complexa;
  • monitoramento participativo dos resultados alcançados e;
  • criação de parcerias com outras instituições de ensino, ONGs, entidades governamentais, etc., aumentando ainda mais a complexidade do trabalho e envolvendo de forma efetiva sua comunidade.

 Um ponto fundamental de toda essa caminhada (que tem data para começar, mas não possui data para terminar) é sempre colocar os estudantes como protagonistas desde a elaboração do diagnóstico até a avaliação das ações implantadas, permitindo que esses conheçam melhor sua escola e sua comunidade. O professor está ali unicamente para auxiliar a caminhada, funcionando como tutor e não como aquele que detém o conhecimento e sabe o que é certo ou errado. Esse deslocamento do professor de sua posição onipotente estabelece uma relação mais saudável, o que favorece muito o diálogo e a busca conjunta por soluções.

Autossustentável: Criança, sustentabilidade e o mundo.

Por sinal, considero o desenvolvimento da capacidade de propor soluções criativas para problemas coletivos por meio do diálogo democrático, um dos grandes resultados positivos dos projetos de Educação e Sustentabilidade com que tenho colaborado.

Acredito muito nesse caminho para garantir uma educação mais integral e integrada. Espero que o investimento do MEC na criação de escolas sustentáveis valorize de verdade todo o potencial existente dentro do tema da sustentabilidade. Para isso, entretanto, boa parte desse investimento deve ser voltado à formação de professores dentro dos preceitos da sustentabilidade.


A prática da verdadeira sustentabilidade na escola é capaz formar cidadãos responsáveis, que valorizam mais o coletivo que o individual e que estejam preparados para construir uma sociedade mais sustentável, justa e democrática para todos.


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