quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A Era do ‘Eco’

Por ‘Era’ entende-se uma época na qual se estabelece uma nova ordem das coisas, ou seja, um período de tempo com características marcantes que definem uma nova organização das coisas tais como são.

Considerando a evolução da relevância do conceito de sustentabilidade desde a década de 1970, juntamente com os problemas decorrentes da questão ambiental, mais conscientização por parte da sociedade, governo e empresas; pode-se dizer que estamos nos encaminhando para uma nova Era: Eco Era.

Autossustentável: Eco Era

O termo sustentabilidade, ainda que não seja precisamente definido, tem sido usado de forma ampla em debates políticos, universitários e de negócios, confirmando a necessidade de uma mudança no estilo de vida das pessoas, bem como a forma de produção e consumo. Autores diversos classificam sustentabilidade sob diferentes óticas, porém, quase todas consideram as três perspectivas básicas: social, ambiental e econômica. Para Sachs (2000 apud Pereira et al. 2012) o termo envolve inclusão social, economia sustentada no tempo e ambiente sustentável.

Autossustentável: Desenvolvimento Sustentável

Para que um projeto seja economicamente viável é preciso que haja uma fonte de financiamento ou outro meio oneroso que custeie a ação econômica. Os recursos naturais devem ser consumidos em uma escala que não leve à degradação do meio ambiente. O meio ecológico, em um sistema sustentável, é tratado de modo que não seja deteriorado e que não haja acúmulo de resíduos. (SACHS, 2000 APUD PEREIRA ET AL., 2012, p.160)

Atualmente, as conseqüências dos impactos ambientais decorrentes do processo produtivo e da forma de consumo são bem visíveis, seja no clima, na devastação de florestas, na exploração de mão de obra, na exploração de recursos não renováveis, entre outros exemplos. Se permanecermos com o mesmo ritmo que segue a produção nos dias de hoje, desconsiderando os limites do planeta, não teremos mais recursos e viveremos em um ambiente sem condições saudáveis de vida. A partir desse cenário, faz-se necessária uma nova Era, ou seja, uma época em que as pessoas se tornem mais conscientes sobre seus impactos no planeta e mais participativas frente a ações que fomentem a sustentabilidade.

Tão importante quanto discutir o conceito de sustentabilidade são as práticas efetivas no dia-a-dia, desde as pequenas atitudes diárias até iniciativas maiores no âmbito dos negócios. E nesta última área destacam-se as empresas que tomam frente com novos produtos, serviços ou processos, buscando alinhamento com os princípios sustentáveis.  Herculano (1992 apud Pereira et al. 2012) sugere que os ambientalistas veem  o conceito de desenvolvimento sustentável sendo interpretado de modo vago e como uma  estratégia de expansão do mercado e lucro, ou seja, que há interesse econômico ao se assumir “ecologicamente correto”.  Alguns atores sociais desfrutam desse status ao afirmar que apoiam a sustentabilidade sem contudo incorporá-la de fato nas suas práticas. Assim, é importante tornar evidentes aqueles atores que buscam, essencialmente, mudanças em suas ações de forma a respeitar os valores de sustentabilidade.

Autossustentável: SP ECOERA 4ª Edição
SP ECOERA 4ª Edição

Autossustentável: SP ECOERA  - Espaço para palestras e debates
SP ECOERA - Espaço para palestras e debates

Retomando a questão sobre uma nova Era, e relacionando às práticas de empresas que assumem uma postura sustentável, ressalta-se o SP ECOERA, evento pioneiro idealizado por Chiara Gadaleta, consultora de moda e sustentabilidade, que reúne marcas, projetos, empresas e consumidor final em torno de questões sociais e ambientais no mercado de moda, design e beleza. A quarta edição aconteceu no final do mês de maio, nos dias 23 e 24, com a campanha “Qual a moda que te representa¿”, visando o questionamento sobre nossa relação com a moda, e como podemos usá-la ao nosso favor. Personalidades da moda foram selecionadas para espalharem manifestos sobre o que mudariam na moda. O SP ECOERA apresentou coleções das seguintes marcas: PUKET, MY BASIC, BANTU MULHER, GUSTAVO SILVESTRE, SERÁ O BENEDITO, SEÑORITA GALANTE, PANDORA, VUELO, BRECHÓ ASSOCIAÇÃO SANTO AGOSTINHO, NOVELARIA, FLAVIA ARANHA e BIOART[1] (com make orgânica e cruelty free, feita no Brasil).

Autossustentável: Chiara Gadaleta, organizadora do evento.
Chiara Gadaleta, organizadora do evento.

O caminho de quem apóia a sustentabilidade (aquisição de matéria-prima, logística, processos, até a oferta do produto ou serviço final) é sempre mais difícil, já que tudo, ou pelo menos grande parte do que é “eco”, é novidade, é descoberta. E, ainda, existe a barreira da aceitação. O consumo de produtos e serviços sustentáveis ainda é lento, tanto pela falta de oferta (e quando há, o custo tende a ser maior) quanto por falta de conscientização.  Justamente por isso deve-se enfatizar e destacar o trabalho das marcas que se arriscam e que se engajam numa jornada que constitui a nossa nova Era. Pois, além de falar em teorias conceituais temos que apresentar soluções, desde pequenas alternativas, a iniciativas mais sobressalentes, de forma que possamos incorporar a sustentabilidade em suas diferentes perspectivas.

Autossustentável: Make BioArt em um dos desfiles do evento.
Make BioArt em um dos desfiles do evento.

A colaboradora que vos fala teve o prazer de adquirir alguns produtos da BioArt, e, por acaso, após o SP ECOERA, retornando para Porto Alegre, encontrou as maquiagens em uma farmácia no aeroporto, coincidentemente, já que estava buscando por outro produto.  Experimentou e aprovou o pó, o blush e o rímel, maquiagens que fazem parte da rotina diária da maioria das mulheres. Um viva para a BioArt.

Referências:

PEREIRA, André Luiz [et al.]. Logística Reversa e Sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning, 2012, 192p.




[1] A BioArt Biocosméticos é uma empresa brasileira que desenvolve produtos a partir de ingredientes naturais e orgânicos, ou seja, não faz uso de agrotóxicos e pesticidas e, ainda, selecionam matéria-prima renovável. A empresa trabalha com a política cruelty free, ou seja, não realiza testes em animais, bem como não adquire ingredientes de outras empresas que o façam. A premissa da marca é trabalhar com beleza e cor desde que se alinhem com princípios sustentáveis, que vêm em primeiro lugar. Desta forma, a empresa investe em pesquisas e projetos na busca por ingredientes e processos que estejam em consonância com o conceito de sustentabilidade. Os produtos variam entre cremes, hidratantes, sabonetes, argilas e maquiagens diversas. No site é possível visualizar todos eles, bem como conhecer mais a marca: http://www.bioart.net.br/


Clique aqui para ler outros artigos de Luciana Della Mea

0 comentários:

Postar um comentário