segunda-feira, 23 de março de 2015

Saiba como Implantar a Coleta Seletiva em Casa

Primeiramente você precisa saber se a prefeitura da sua cidade realiza a coleta seletiva (CS) e se passa no seu bairro. Se sim, provavelmente o caminhão da coleta passa em dias específicos para recolhimento na região. Ela pode ser feita pelo próprio município, por uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis ou por uma empresa terceirizada contratada.

Autossustentável: Coleta Seletiva
Fonte: Prefeitura Municipal de Bom Despacho

Se não houver no seu bairro e/ou na cidade o sistema de CS, a minha sugestão é fazer contato com a Cooperativa de Catadores mais próxima e checar se eles podem propor (e cumprir!) uma frequência para pegar o lixo reciclável separado na fonte, ou se você pode deixar o material na cooperativa numa frequência semanal ou mensal. Neste caso, vale a pena um engajamento com os moradores da região, e os moradores do prédio (no caso de condomínio). É preciso ser viável para vocês e economicamente para cooperativa também.

Autossustentável: Cooperativa
Fonte: Diário do Grande ABC

Depois vem um passo desafiante (porém motivador e encantador), que é a orientação para os membros da família e para aqueles que, de alguma forma, prestam serviços domésticos quanto ao local de acúmulo desses materiais. É preferível deixar em um determinado local onde ficará guardado até a vinda do caminhão, com o cuidado para não acumular água de chuva e contaminação, esses cuidados são essenciais para evitar o aparecimento de roedores e vetores (animais que transmitem doenças). Essa orientação é uma forma de educação ambiental, uma vez que mostra como o processo de armazenagem de materiais para a CS dever ser feito, mas acima de tudo mostra a importância da separação e da participação das pessoas no processo.

Quanto aos porteiros e moradores de um prédio, você também pode orientá-los a colocar esses materiais em determinado local separado do lixo comum. No primeiro momento é aconselhável realizar uma convocação ou reunião com os moradores e porteiros para a conscientização e educação ambiental com relação ao assunto.  Para auxiliar neste processo, vocês podem colocar cartazes em lugares específicos para que as pessoas tomem conhecimento do assunto. Por exemplo, no local onde o lixo é depositado nos andares, no coletor geral do prédio, ou ainda nas escadas e elevadores.

Autossustentável: O que pode ser reciclado

É importante ressaltar que o material deve estar limpo. Contudo, se faz necessária a consciência no processo de higienização do material (nada de desperdiçar água no processo!), apenas enxague de forma que ele não contamine os demais materiais colocados juntos. No Brasil, não temos um sistema de coleta seletiva separada, de forma que todos os materiais recicláveis são coletados juntos, e encaminhados para uma cooperativa de catadores, onde será realizada a separação e triagem do material. Esse processo de cores distintas por materiais foi importado de um modelo que não funciona aqui e só confunde a cabeça das pessoas. Na Europa e em outros lugares funciona, pois a coleta é separada. Então você pode misturar tudo que é reciclável lembrando apenas de estarem LIMPOS e SECOS.


Alguns estados como o Rio de Janeiro e Brasília já adotaram o modelo de dois fluxos (cores) para as lixeiras. A Resolução CONEMA RJ 55 de 2013, estabelece um novo padrão de cores, sendo duas cores: azul (recicláveis) e cinza (não recicláveis), além do terceiro fluxo: marrom, para compostáveis (se aplicável). Para maiores detalhes acesse Resolução CONEMA Nº 55. Em Brasília, a separação também é por dois fluxos: orgânico (úmido) e seco, conforme material de campanha da Coleta Seletiva que você pode acessar aqui.

Autossustentável: Separação do lixo

Seguindo as dicas da Resolução Conema 55/2013 de como acondicionar os tipos de resíduos, você precisa de duas lixeiras: uma para o orgânico que será recolhido pelo caminhão de lixo comum, em sacos pretos para que eles possam identificar que este material vai para um aterro sanitário; e outra lixeira para os materiais recicláveis, em sacos transparentes, para que possam ser identificadas como materiais passíveis de reciclagem.

Passíveis de reciclagem, pois temos alguns materiais como o isopor, por exemplo, que pode ser reciclável, mas que ainda não é comercializado no Brasil. Mesmo diante de casos assim, separe tudo aquilo que pode ser reciclável, e caso a coleta não seja viável economicamente para comercialização das cooperativas, esses materiais são destinados corretamente para um aterro. O copinho plástico também é outro exemplo, ele é passível de reciclagem, mas como a comercialização é feita por fardos em toneladas, acaba não sendo um bom negócio paras as cooperativas, e ele se torna um grande "vilão" nos galpões de triagem e separação.

O lixo orgânico pode ainda ser transformado em composto orgânico através da compostagem, virando um adubo que pode ser utilizado em hortas e jardins. Se tiver um jardim em casa, escolha um espaço para compostagem, ou faça uma composteira caseira para cozinhas feita com caixa, num processo super simples. Você pode encontrar no site do eCycle como fazer ou comprar uma composteira caseira.

Autossustentável: Composteira Caseira
Composteira Caseira. Fonte: Planeta Sustentável

Nosso lixo doméstico é composto por 60% de resíduos orgânicos. Quando compostado, boa parte do seu lixo deixará de ser encaminhado para um aterro sanitário, colaborando para uma maior vida útil dele e ainda gerando adubo de alta qualidade. E você ainda participa ativamente da busca por soluções para um mundo mais sustentável!

É normal que tenhamos dúvidas com relação ao assunto, o que impede, muitas vezes, o início do processo de separação na fonte. Por isso, é importante colocar informações em lugares específicos para que as pessoas da sua casa tomem conhecimento do assunto e saibam como e onde separar. Por exemplo, no local onde o lixo é depositado e próximo as lixeiras.

São considerados recicláveis os resíduos que possuem interesse de transformação, que têm mercado ou operação que viabiliza sua transformação industrial (acesse lixo.com.br e saiba mais). Para citar outro exemplo: fraldas descartáveis são recicláveis (há empresas como a Knowaste que fazem isso), mas no Brasil (ainda) não há essa tecnologia. Portanto, não há destino alternativo aos aterros sanitários para fraldas descartáveis no Brasil. Isto é, no nosso contexto, as fraldas descartáveis não são consideradas materiais recicláveis. Estes exemplos servem para que possamos entender que não existe uma “receita de bolo”, e a importância do programa de coleta seletiva municipal ter coerência com a realidade local, ou seja, a realidade social, ambiental e econômica.

Para saber mais sobre Coleta Seletiva acesse o material elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Autossustentável: Coleta de Lixo

Você também é responsável pelo resíduo que gera. E aí? Está pronto para iniciar o seu processo de coleta seletiva?! Mãos a obra!


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