quinta-feira, 26 de março de 2015

Vida, Sustentabilidade e Atitude!


Sendo brasileira, professora universitária de português nos Estados Unidos, há quase uma década e meia, convivo diariamente entre dois mundos, entre duas línguas, entre duas culturas, entre dois hemisférios. Estou ao mesmo tempo, no frio intempestivo e no calor excessivo, no norte e no sul, no jazz e no samba, no vermelho, azul e branco… e no verde e amarelo! A tecnologia – pelas redes sociais, pelas páginas da internet, pelos aplicativos de comunicação – facilmente me leva noite e dia, não importa o fuso horário, e se o horário é de verão ou de inverno, ao meu país, Brasil. A mesma tecnologia me traz de volta quando minha agenda desponta no computador, lembrando-me de importantes tarefas a cumprir, profissionais ou de mera rotina, como por exemplo, ter certeza de que o caminho da porta de casa até a rua está desimpedido de neve…

Mas percebi, logo ao conhecer meus vizinhos na região de Chicago, onde moro, que eles também vivem em dois mundos: um senhor é da Rússia, outro da Índia, aquela família é da Romênia, aquela senhora veio da Polônia, minha outra vizinha é da China… e por aí vai. Na escola dos meus filhos são falados mais de 40 idiomas (entre os quais, e certamente por causa dos meus brasileirinhos, o português!). É lindo ver tantas línguas, culturas e tradições reunidas no mesmo espaço. O mundo inteiro se encontra aqui, nem precisamos ir longe!


Essa convivência com realidades, por vezes tão opostas, levou-me a analisar quase que intuitivamente, mas cada vez com mais cuidado, a natureza humana: quem somos?… o que fazemos?… de onde somos?… o que queremos?...  para onde vamos? Todos, independentemente de termos origens diversas, falarmos línguas diferentes, e apreciarmos comidas que nem sempre são admiradas por todos os paladares… temos algo em comum: somos humanos! Temos emoções, sensações, alegria, tristeza, medo, esperança, ansiedade, calmaria, ânimo e desânimo, sucessos, fracassos… e depois, vitórias? Sim! Espere… nem sempre! Às vezes, nossos objetivos levam mais tempo para serem alcançados.  E, a vitória da forma como havíamos planejado não aconteceu… E agora?

Passamos e passaremos continuamente por caminhos que muitas vezes não são tão fáceis de seguir… podem ser difíceis, penosos e não nos levarem diretamente ao sucesso. Por vezes, vamos por caminhos sinuosos, que não conhecemos muito bem, mas tivemos que tomá-los devido às circunstâncias. Todo ser humano, não importa a língua que fale, seu grau de instrução, sua profissão, sua fé, sua religião, a cor de seus olhos, de sua pele ou cabelo, invariavelmente vai enfrentar lutas, sejam quais forem, pois faz parte do jogo chamado vida!

E todos desejamos uma coisa, embora muitos não o saibam: sustentabilidade. Sim, queremos e precisamos de “sustentabilidade”, que é o equilíbrio, a ecologia que deve existir para que vivamos em harmonia conosco e com o meio ambiente. Existe algo essencial que nos dá sustentabilidade e permite que não desistamos, mas que nos redirecionemos até nos tornamos mais fortes e obtermos grandes resultados.  É a atitude.

Mas o que é “atitude”? Uma resposta sucinta é: “Atitude é uma norma de procedimento que leva a um determinado comportamento. É a concretização de uma intenção ou propósito.


Todos os dias temos que tomar decisões e nosso comportamento se manifesta. Algumas decisões são corriqueiras, como: “O que vou vestir hoje, uso este sapato com aquela calça porque combinam com meu brinco?”. Outras são mais complexas, do tipo: “Aceito ou não a proposta que me foi feita para trabalhar no Azerbaijão?”. Ah, que difícil! De toda a forma, nossas decisões sempre têm por objetivo nos trazer equilíbrio e bem estar no ambiente em que vivemos.

Agora cabe a questão: Que decisões imediatas tomaremos diante de um fracasso ou de uma notícia ruim?  Que comportamentos teremos diante de medos, angústias, desilusões e frustrações? A sustentabilidade começa justamente na nossa predisposição em agir. Agiremos de forma positiva, calma, interativa, firme e confiante? Ou negativa, egoísta, tóxica, raivosa e sem esperança? As atitudes que tomamos permitem que o ambiente em que vivemos seja mais ou menos sustentável.

Se pregamos a sustentabilidade do meio ambiente, isso começa com nossa atitude nele. Como agimos em relação a quem somos e ao que pretendemos vir a ser? Como crescemos e lutamos por nossos ideais, na conquista de um mundo realmente melhor? E como levamos em consideração as pessoas que convivem conosco? Nem sempre a convivência é fácil, mas a harmonia deve ser um ideal mútuo.

Ser sustentável é, antes de mais nada, ser um agente transformador do seu próprio mundo. Positivamente transformador. O ambiente em que se vive vai favorecer bons resultados se os agentes desse ambiente tomarem atitudes positivas, decidirem por comportamentos que inspiram uns aos outros, que levam à união e, consequentemente, levam à realização de grandes projetos.


Um ambiente em que há violência física ou abuso verbal não é sustentável. Um ambiente onde não há respeito ao próximo nunca produzirá crescimento e desenvolvimento de projetos que acarretam mais crescimento e realizações.

Quando encaramos as diversidades da vida com uma atitude positiva, estamos plantando a semente do desenvolvimento e da sustentabilidade. Crianças em casa devem aprender com os pais a terem atitudes positivas. Assim, quando passarem por situações de conflito, poderão resolvê-los de forma responsável e eficaz. Cabe ao adulto dar o exemplo, tornando o ambiente simbioticamente sustentável, onde todos colaboram para o bem estar um do outro.

O conflito nos faz crescer. E mesmo que seja difícil entender porque acontece, é importante e necessário em nossa vida. Situações difíceis de aceitar ou compreender podem nos tornar mais humanos e mais sensíveis aos problemas pelos quais passam as pessoas no mundo. E mais corajosos para prosseguir, para rever estratégias, buscar apoio, ampliar colaborações e, consequentemente, para encontrar a sustentabilidade, tão necessária em nossas vidas. Tsunamis podem acontecer a qualquer hora, sem aviso prévio. Mas, com determinação e atitudes positivas, podemos reerguer um bairro, uma cidade, um país. O mundo todo se inspira e se une quando há ênfase nas atitudes positivas.


A atitude positiva do homem afeta também sua relação com outros seres vivos ao seu redor. Tudo que é vivo só continua sistematicamente vivo num ambiente que inspira a sustentabilidade. Animais e plantas só sobrevivem se estiverem num ambiente sustentável. Seres vivos que usufruem das boas atitudes do homem alegram, harmonizam e revigoram o meio ambiente.

Aprendo cada vez mais, em minha casa, na minha vizinhança, no Brasil, nos EUA, no mundo todo, que minha atitude com as pessoas com quem convivo vai se refletir também na atitude delas comigo.  É verdade que nem todos respondem imediatamente de forma positiva a uma boa atitude, mas um exemplo constante leva as pessoas, ao menos, a repensarem seus hábitos, a buscarem um equilíbrio, um ambiente sustentável e, com isso, a valorizarem suas relações com o próximo.



A gente colhe o que planta.  Se plantamos boas atitudes, em tempo colheremos frutos incríveis, de desenvolvimento, harmonia e sucesso em nossos empreendimentos.


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