segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Educação Sustentável

Muito se fala hoje em desenvolvimento sustentável, sendo esse conceito já bastante difundido e distorcido em todos os campos do conhecimento científico. O termo desenvolvimento foi incorporado com o sentido de progresso para justificar um crescimento baseado em um mercado consumidor e em uma lógica econômica, não relacionando isso ao respeito ambiental. Temos que estar cada vez mais envolvidos com o meio ambiente. Envolver, do latim involvere, tem sentido de abranger e também de seduzir, cativar. Hoje é necessário muito mais um envolvimento baseado em uma sedução entre indivíduo e meio ambiente, ao contrário do que é feito no discurso desenvolvimentista, que não deseja cativar pessoas, mas apenas impor suas condições de crescimento pautado no consumismo.

Para um envolvimento sustentável que se realize na prática, devemos saber que existe uma incompatibilidade de princípios entre sustentabilidade e capitalismo.
No discurso desenvolvimentista do capital, tenta-se conciliar dois termos inconciliáveis (desenvolvimento sustentável) dentro do atual contexto da globalização capitalista. O conceito de sustentabilidade é impensável e inaplicável nesse ponto de vista.
Para sua realização, deve possuir uma componente fundamental que é a sustentabilidade educacional, pois para termos a preservação ambiental, dependemos de uma consciência ecológica, e a transformação dessa consciência depende da educação (GUTIÉRREZ, 1999).
Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar a possibilidade para sua construção. O ato de educar se constitui no processo em que um aprende com o outro na convivência, se transformando de forma espontânea, de maneira que seu modo de viver se faz progressivamente mais congruente com o do outro no espaço de convivência (FREIRE, 1987).


Assim, o papel da educação é de suma importância para que a sustentabilidade seja alcançada e problemas ambientais, como a má gestão de resíduos, e escassez de água, dentre outros, possam ser solucionados.
A má gestão de resíduos é apontada pelos ambientalistas como o maior problema ambiental urbano atual, tendo-se tornado objeto de diversas propostas técnicas para seu enfrentamento. No entanto, muitos desses programas são planejados de forma reducionista.
Retirado de Creating windows of opportunity for policy change: incorporating evidence into decentralized planning in Kenya

Em função da reciclagem, incentivam apenas a coleta seletiva de lixo, não permitindo espaço para implementação de políticas pedagógicas ambientais. Com isso a reciclagem do lixo torna-se uma atividade-fim, em vez de considerá-la um tema-gerador para o questionamento das causas e consequências da questão do lixo.
A compreensão da necessidade de gerenciamento integrado dos resíduos sólidos propiciou a formulação da chamada Política dos 3R’s – recebendo essa nomenclatura devido à junção das palavras “Reduzir”, “Reutilizar”, e “Reciclar”. Antes de ser um problema de ordem técnica, a questão do lixo é um problema cultural. Desde que a economia afirma que a produção tem como finalidade o consumo, a sociedade moderna estabeleceu como objetivo aumentá-lo, desenvolvê-lo e o consumo passou a ser entendido como qualidade de vida e bem-estar. Hoje ele é responsável por problemas ambientais, não podendo mais ser compreendido unicamente como sinônimo de felicidade (CAPRA, 2003).
Autossustentável: 3 R’s

A reciclagem pode ser o traço de união entre produção e consumo, mas, é também a alienação do consumismo como fator de degradação ambiental e engrenagem dos mecanismos sociais de acumulação de capital. O ato de reciclar, ainda significa muito pouco em relação à melhoria ambiental, mas isso não quer dizer que a ideia da reciclagem deva ser abandonada; ao contrário, essa constatação evidencia o tamanho do desafio que há pela frente (BRÜGGER, 1994)[1].  
E isso tudo quer dizer, meus queridos, que reciclar não é o fator principal para a melhora no impacto que causamos no planeta. Temos que parar de consumir tanto. Não há outra forma a não ser essa. Precisamos reavaliar o que realmente nós precisamos para viver bem e feliz.
Parem para pensar. Reavaliem. Sejam o exemplo.



[1] Tirado do trecho do curso “Pedagogia da Energia” ministrado por Rafael Ninno Muniz em Santa Catarina. Para saber mais acesse Rafael Ninno Muniz

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Malu Paes Leme


0 comentários:

Postar um comentário