quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Capitalismo Natural: Um Modelo Inovador para uma Nova Forma de Pensar a Economia

Já ouviu falar em “Capitalismo Natural”, uma forma de capitalismo que acredita que o investimento nos ecossistemas é essencial para a economia?

Originalmente publicado em 1999 por Paul Hawken, Amory B. Lovins, e L. Hunter Lovins, o livro "Capitalismo Natural – Criando a Próxima Revolução Industrial” retrata um modelo inovador de economia. O livro descreve um futuro à beira de uma nova revolução industrial na qual os interesses dos negócios e do meio ambiente são coincidentes, e empresas podem ao mesmo tempo melhorar seus resultados e ajudar a solucionar problemas ambientais.

O meio ambiente e a economia são na verdade dois lados de uma mesma moeda. Se não sustentarmos o meio ambiente, não podemos nos sustentar.

Em primeiro lugar, o livro discute falhas no atual modelo de economia. Para os autores, o capitalismo é uma “aberração lucrativa e insustentável do desenvolvimento humano”. Em outras palavras, o sistema econômico atual é extremamente ineficiente na utilização dos recursos, e é uma grande ameaça ao nosso ecossistema.

Uma das ineficiências na economia está na indústria. A maioria das empresas aborda os processos industriais como partes isoladas, com um pensamento “reducionista-mecanicista”, ao invés de adotar uma abordagem sistêmica, que considera o sistema industrial como um todo, assim como as interações entre suas partes e os resultados a longo prazo. Além disso, muitas empresas utilizam equipamentos e tecnologias ultrapassadas, contribuindo ainda mais para o aumento na ineficiência.

O setor de energia, por exemplo, está entre os mais ineficientes. Apenas a energia perdida em forma de calor residual nos Estados Unidos é equivalente a toda a energia utilizada pelo Japão. Se as empresas americanas implantassem melhorias na estrutura dos edifícios e nos escritórios, e em equipamentos como sistemas de ar condicionado, o consumo de eletricidade teria uma redução de no mínimo 75%. A eficiência na produção dos bens materiais é ainda pior: apenas 1% de todos os materiais utilizados na indústria nos EUA se transformam em produtos que são utilizados por pelo menos seis meses após a venda. Isso mostra o quanto os recursos naturais são utilizados de forma intensiva, e produz bens com vida útil extremamente curta.


Outro erro cometido pelas empresas é de ignorar a importância dos ecossistemas para o seu negócio. Os ecossistemas fornecem dois componentes essenciais: os recursos exploráveis, como a madeira proveniente das florestas, e os serviços essenciais, como o armazenamento de água e regulação do clima e da atmosfera.

Infelizmente, o custo de se destruir os serviços dos ecossistemas se torna aparente apenas quando entram em colapso. Na bacia de Yangtze na China, por exemplo, em 1998, o desmatamento da floresta causou enchentes que mataram 3700 pessoas, desabrigaram 223 milhões, e inundaram mais de 24 milhões de hectares de terras de cultivo, resultando em um desastre de 30 bilhões de dólares.


O motivo pelo qual as empresas e os governos são tão pródigos com os serviços dos ecossistemas é que o seu valor não aparece de imediato em seus balanços patrimoniais. Porém, essa é uma omissão descomunal. Cálculos publicados no jornal “Nature” estimam que o valor de todos os serviços proporcionados pelos ecossistemas da Terra é de no mínimo 33 trilhões de dólares por ano, pouco menos que a metade do produto mundial bruto em 2014. Além de ter um valor inestimável, a maioria desses serviços não possuem nenhum substituto, e são essenciais para a nossa sobrevivência.

Nesse contexto, o capitalismo natural é uma abordagem que leva em consideração tanto a proteção da biosfera quanto a melhoria nas margens de lucro e na competitividade dos negócios. Algumas alterações simples na maneira em que conduzimos os nossos negócios, baseadas em técnicas para tornar os nossos recursos mais produtivos, podem render benefícios tanto para os acionistas quanto para as gerações futuras. O capitalismo natural se baseia em quatro princípios:

1. Aumentar radicalmente a produtividade dos recursos naturais

Reduzir o fluxo de recursos que desperdiça e destrói, que esgota e polui, representa uma grande oportunidade de negócio. Através da alteração nos sistemas de produção, como a utilização da abordagem sistêmica, e da implementação de novas tecnologias, empresas estão desenvolvendo maneiras de aumentar o tempo de vida dos recursos naturais em 5, 10, ou até mesmo em 100 vezes. Economizar recursos naturais nessa magnitude representa lucros muito maiores para uma empresa.

2. Utilizar modelos de produção inspirados na natureza e na biologia

O capitalismo natural não defende apenas a redução da produção de lixo, mas busca eliminar completamente o conceito de lixo. Em sistemas de produção de ciclo fechado, baseados em modelos presentes na natureza, todas as saídas são retornadas ao ecossistema sem prejudica-lo, tanto em forma de nutriente – como composto, por exemplo – ou são utilizadas como matéria-prima para a fabricação de outro produto.

3. Incorporar um modelo de negócios baseado no fluxo de serviços

O modelo de negócios da indústria tradicional se baseia na venda de bens de consumo. Em um novo modelo, o valor é entregue na forma de um fluxo de serviços. Um exemplo disso é fornecer serviços iluminação ao invés de vender lâmpadas. Esse modelo implica em uma nova percepção de valor. Ele representa uma mudança na qual a aquisição de bens deixa de ser uma medida de riqueza. Ao invés disso, o bem-estar do cliente passa a ser importante, e é medido pela satisfação contínua de mudar expectativas em relação à qualidade, utilidade e desempenho do serviço. Hoje em dia, a explosão das empresas baseadas na internet, como os aplicativos de celular, mostra que estamos caminhando nessa direção. Os aplicativos como o AirBnb e o Uber são ótimos exemplos de como a otimização de recursos pode ser um negócio muito lucrativo.

Fonte: Página do Twitter da Limk

4. Reinvestir em capital natural

As empresas devem restaurar, sustentar e expandir os ecossistemas do planeta, de forma que eles possam produzir seus serviços vitais e recursos biológicos de forma ainda mais abundante. Essa necessidade aumenta na medida em que as necessidades humanas aumentam, os custos gerados pela deterioração dos ecossistemas aumentam, e a consciência ambiental dos consumidores aumenta. Felizmente, todas essas pressões criam valor para o negócio.

Construímos um sistema que nos persuade a gastar o dinheiro que não temos, em coisas que não precisamos, para criar impressões que não duram, em pessoas que não nos importamos.

Essas soluções fazem parte de uma nova abordagem da economia que precisamos adotar o quanto antes. As ideias são simples e já demonstraram ser muito efetivas em inúmeras empresas. O conceito de capitalismo natural mostra que investir na conservação do meio ambiente e em eficiência, ao contrário do que a maioria das empresas ainda pensa, traz ganhos financeiros ao invés de perdas. Mais do que isso, é uma questão de sobrevivência de qualquer negócio. Precisamos incorporar essas mudanças em prol de um futuro melhor, que seja bem mais palatável do que o presente ameaçador que vivemos hoje.


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2 comentários:

  1. ainda q devargar estamos andando, mas quando a engrenagem toda se encaixar os efeitos irao aparecer e o ritmo ira acelerar com certeza. enquanto isso o planeta padece e caminhamos para o inevitavel.

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  2. Excelente artigo! Parabéns e obrigado por tornar público este novo conceito revolucionário. :)

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