terça-feira, 23 de maio de 2017

Castigar é mais eficaz do que colocar limites?

Imagem: Na Toca da Coruja

Quando falamos em meio ambiente é comum pensarmos em parques, florestas ou reservas, por exemplo. Esses são tipos de Unidades de Conservação, ou seja, espaços delimitados em que a proteção ambiental vem em primeiro lugar.
    
Cataratas do Iguaçu. Imagem: Manacá Hotel

Quem mora ou já frequentou algum espaço protegido, sabe que existem muitas regras, como: não deixar lixo, não levar plantas, mudas ou conchas. Simplesmente não é permitido! Não pode!

Na maioria dos parques brasileiros inclusive se mantém a estrada de terra original, para garantir o conforto dos animais nativos e também evitar o acesso desenfreado de pessoas. E a maioria pensa: se a estrada é de terra, melhor escolher outro lugar para ir.

Parque Nacional do Itatiaia. Imagem: ICMbio

Existe ainda, para além da cerca da Unidade de Conservação, uma faixa de território em que as regras diminuem, mas que ainda há uma série de restrições, porque não se imagina que os animais vivam bem, com uma barulheira do outro lado da cerca, ou com qualquer atividade que seja incompatível com a proteção do meio ambiente.

Para quem faz as leis, em geral o limite “Não é permitido” vem acompanhado de uma penalidade “Fazer o que não é permitido = x anos de prisão, ou multa ou obrigação de plantar, etc.”

Imagem: Prefeitura de Maceió

Para alguns, uma lei proibindo que se joguem sementes em uma área protegida não possui autoridade suficiente para impedir ninguém. Como os limites de velocidade nas rodovias que na maior parte das vezes apenas são respeitados quando se visualiza um radar.

Há quem acredite que somente se tivermos uma pena, e bem convincente, é que as pessoas obedecerão.

A prática informa que quanto mais velho o filho, menos ele se importa com o castigo. Ainda mais se desde pequeno não foram apresentados a ele os limites. É difícil que um adolescente que sempre fez do jeito que quis se subjugue a um castigo. Talvez porque ele não aprendeu sobre o respeito.

Imagem: Alexandre Beck

Assim, mais uma vez precisamos reconhecer a importância das várias atividades em prol do meio ambiente. A educação tem sua contribuição. A lei que protege e que impõe limites também tem a sua contribuição. Os órgãos que fiscalizam também têm sua contribuição. As áreas protegidas têm sua contribuição. As concessões, as permissões e autorizações têm sua função.

O castigo, na verdade, é a nossa última esperança. Ele só vem quando aquele que deveria ter sido educado, que deveria ter compreendido o papel do meio ambiente (a sua importância), que deveria reconhecer e respeitar a autoridade da lei, acaba agindo contra algo o que é considerado ético, moral e justo.

Imagem: Taringa

O castigo ou a pena, sozinhos, não garantem que não vá acontecer de novo. Colocar alguém atrás das grades, ainda que seja por 40 anos, não traz de volta o equilíbrio ambiental que havia antes da degradação. Eles têm sua contribuição para impor uma autoridade, de se fazer respeitar. Mas e quando o castigo terminar? O respeito será somente pela autoridade ou pelo meio ambiente também?


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