terça-feira, 4 de julho de 2017

Ambientalismo ontem e ambientalismo hoje. O que esperar do futuro?

Imagem: Gazeta do Povo. Adaptação: Autossustentável

Tive o privilégio de participar de um encontro em que conversei com aqueles, que considero “ambientalistas de carteirinha”, brasileiros engajados na causa desde a década de 1970. E pude ouvir um pouco das histórias e estórias que não estão publicadas por aí.

Autossustentável: Conferência de Estocolmo
Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente ou Conferência de Estocolmo em 1972Imagem: Colégio Web

A primeira impressão foi: “Que mundo pequeno!”. Muitos estão espalhados em diversas áreas, empresarial, política, artes e acadêmica. Atuaram juntos pela causa ambiental durante as décadas passadas e, certamente, influenciaram muito a forma como muitos de nós pensam e agem.

A segunda impressão inevitável foi: “Onde foi parar toda essa paixão e mobilização nos dias de hoje?”. Particularmente, estou mais fortemente envolvido (acadêmica e profissionalmente) com as questões socioambientais desde o início da década de 1990, quando ainda cursava a faculdade de Biologia.

Autossustentável: Rio 92
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Cúpula da Terra, Eco 92 e Rio 92, foi então a maior conferência sobre meio ambiente que a ONU havia realizado até aquele ano. Imagem: O Globo

Vi e vivi a Rio-92, seu clima de união e a quase unanimidade na direção de um desenvolvimento mais sustentável. Ajudei a fomentar programas de Educação Ambiental em algumas escolas públicas e particulares quando comecei minha carreira de professor em 1996. Colaborei na construção de alguns projetos como a Escola da Amazônia, a Reconectta e por aí vai.

Nesse período, não havia necessidade de convencer ninguém de que o tema socioambiental é vital para todos e de que a escola é ponto focal e indissociável na busca por sociedades sustentáveis.

Nesse espírito, viajei muito com meus alunos, visitei muitos lugares de interesse estratégico para conservação e, em especial, entre 2003 e 2011, tive o privilégio, junto com Silvio Marchini, de apresentar a Amazônia para mais de 300 estudantes de Ensino Médio. O maior prazer do professor é poder compartilhar seus valores e influenciar seus alunos de alguma forma. Colho os frutos desse período até hoje.

Autossustentável: Escola da Amazônia
Imagem: Escola da Amazônia

Autossustentável: Escola da Amazônia
Imagem: Escola da Amazônia

Entretanto, notei que alguma coisa foi se perdendo, em especial a partir da segunda metade dos anos 2000. A questão ambiental foi gradativamente perdendo força, espaço na mídia e lugar no consciente das pessoas. A desconexão em curso acontece silenciosa e rapidamente.

Autossustentável: Economia x Meio Ambiente
Imagem: Ecoteca. Adaptação: Autossustentável

Muito da energia desse tema foi sendo canalizada para os encantos da tecnologia e do consumo. Baixamos a cabeça e nos ligamos em outro universo, mais particular e que alimenta ou frustra nosso ego com likes. A paixão pelo que está fora de nós foi sendo rapidamente substituída pela constante necessidade de aprovação e de um mundo que pode ser construído e reconstruído dependendo do dia e do humor.

Claro que esse é apenas um dos fatores que pode ter nos afastado da preocupação com o meio ambiente, mas é um dos que mais me chama a atenção, pois vi essa história tomando forma com meus alunos (e colegas).

Imagem: Ética Ambiental

Como resgatar a atenção para o que nos cerca e está além de nós? Como responsabilizar as pessoas não somente pelo seu destino, mas pelo de todos?

Essas questões parecem cada vez mais difíceis de responder quando estamos imersos em um universo individualista, capaz de fragmentar a realidade e gerar polarizações constantes de opinião e ação. Esse é um exemplo verdadeiro do “dividir para conquistar”, planejado ou não.

O resgate do coletivo é urgente. Se você tem menos de 30 ou 35 anos, pode estar pensando: “Mais um ‘velho ambientalista’ ressentido com o mundo e se lamentando em ver suas paixões cada vez menos refletidas no mundo e nas pessoas. As coisas são como são.”.

Talvez sim, mas também acredito que é preciso inovar e procurar novas formas de ambientalismo. Os apps, celulares, laptops, sites, blogs, redes sociais devem dar nova forma à paixão, e se esse é o caminho para chegar às pessoas, vamos seguir as tendências.

Imagem: Commons BlogPortal Rio + 20Adaptação: Autossustentável

Bom, cada um na sua. Enquanto você vai clicando e curtindo, eu ainda vou preferindo sujar meus pés na lama do manguezal e depois lavá-los no mar, como todo “velho ambientalista”.


Clique aqui para ler mais artigos de Edson Grandisoli





0 comentários:

Postar um comentário