segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A Nova História de Charles Eisenstein

Ninguém nasce por acaso, senão para alcançar um objetivo determinado. Todos temos um presente, gift, talento ou dom único e necessário para oferecer ao mundo, para isso nascemos, este é o propósito da vida.

Ao ouvir, pela primeira vez, as propostas de Charles Eisenstein meu âmago e mente vibraram em glória. Finalmente alguém estava colocando em palavras tudo que meu coração era capaz de sentir mas minha consciência não sabia bem como explicar.


Sacred Economics (2012) - A Short Film by Ian MacKenzie, teaser com as ideias de Charles Eisenstein e o retorno do presente, gift.

Charles Eisenstein é palestrante, ativista e escritor focado nos temas da civilização, consciência, dinheiro e evolução cultural. Seus artigos e vídeos online nos mostram como seu pensamento filosófico é radical e contra cultural. Eisenstein se formou em Matemática e Filosofia na Universidade de Yale em 1989. Autor dos livros Sacred Economics (Economia Sagrada), Ascent of Humanity (Ascensão da Humanidade) e The More Beautiful World Our Heart Know Is Possible (O Mundo Mais Bonito Que Nosso Coração Sabe Ser Possível). Charles hoje mora na Pennsylvania e escreve para o The Guardian, entre outros.

A sensação de esperança e libertação que seus textos conferem é alimento para o pensamento e o coração. No livro O Mundo Mais Bonito Que Nosso Coração Sabe Ser Possível, Eisenstein expõe como nascemos em um mundo baseado na separação e como esta separação vai contra todo o nosso ser gerando dor e angústia e acrescenta que  somos todos, na realidade,  um só. E, assim, o que fazemos ao outro, fazemos a nós mesmos. Eisenstein propõe um novo paradigma que ele gosta de chamar de “New Story” (Nova História) ou “Story of the People” (História das Pessoas). Nesta Nova História para qual estamos transitando nós somos o mundo. Não estamos somente interconectados, somos o todo.

Ao entrar no aspecto econômico, o autor é ainda mais radical questionando o nosso comportamento disfuncional e consumista como uma simples e fútil tentava de fugir da nossa própria dor vinda da separação. Tema que ele desenvolve com pragmatismo e comprometimento. Eisenstein sugere que o processo de nossa cura virá das margens. Os marginalizados contradizem os paradigmas. Suas ideias e tecnologias vão transformar a agricultura, medicina, mente, restauração ecológica, descarte tóxico e a nossa maneira de se relacionar com energia.

  Com a sucumbência do sistema atual nascerá  a História das Pessoas, na qual a abundância é a experiência natural e a generosidade também será a ação natural.  Quanto mais se oferece, mais se recebe. É, portanto, nesta proposição que é baseado o seu livro Sacred Economics onde apresenta a Gift Economy [1], economia da dádiva, modelo que nos toca profundamente pois em nossos corações sabemos que podemos ser melhores do que somos hoje. E antes que alguém diga que isto é utopia, Charles diria que é cinismo não acreditar.

The Guardian: Teórico e ativista do decrescimento Charles Eisenstein fala sobre os benefícios de uma economia baseada no presente.


Nascemos em uma economia da dádiva, na qual a vida é o maior de todos os presentes, o que nos permite sobreviver. A economia de troca, quid pro quo, nos separa uns dos outros e nos torna contraditórios, enquanto dar e receber presentes cria reciprocidade e confiança. A economia de troca requer escassez para poder funcionar apropriadamente, individualismo e competição. Nos textos e links indicados abaixo, Charles fornece uma discussão sobre a economia da dádiva e sua cultura como um caminho para a paz e abundância para todos. Podemos distinguir entre o dom e a troca, a fim de compreender os dois e, finalmente, eliminar progressivamente a troca.

Não podemos realmente alcançar a independência através de dinheiro. Tudo o que podemos fazer é transferir a nossa dependência de um lugar para outro: de pessoas e lugares ao redor de nós, para o dinheiro e as instituições distantes. A humanidade "civilizada" negou essa dependência durante muito tempo, em busca de domínio sobre a natureza, a transcendência da Natureza. O dinheiro tem sido parte dessa ilusão de domínio. Mas hoje estamos nos movendo para uma era ecológica, procurando juntar-nos ao círculo da vida em todas as suas dimensões - ecológicas e sociais.

Summer por Pierre Puvis de Chavanne

Este deslocamento de um "eu" para "você" - como posso servi-lo, em vez de como você pode me ajudar - é radical no contexto de hoje, mas nada terrivelmente novo. Os antropólogos nos fazem lembrar que o senso comum (comunitário, coletivo, compartilhado) tem raízes mais profundas do que as nossas modernas estruturas sociais individualistas. A economia da dádiva é fascinante e instigante porque faz parte do processo de (re)descobrir esta sabedoria antiga, ancestral.

Eu experimentei viver na gift economy e foi libertador descobrir como as pessoas e o universo  são provedores generosos. É preciso confiar e se entregar. Eu me desafiei e hoje cultivo esta prática em minha vida. Existem milhares de pessoas vivendo na gift economy, no final deste texto estão alguns links de histórias inspiradoras e transformadoras. A responsabilidade para a restauração da humanidade não é somente dos líderes, mas também não é só dos indivíduos, é coletiva, de todos nós.

Mesmo sem saber como retornar ao mundo mais belo, nós temos em nossas células a certeza e sabedoria que somos mais que só isso. Nós sabemos que este mundo novo existe. Este conhecimento vive independente de nossas crenças, embaixo de nossas dúvidas e razão. Seja no nível pessoal ou coletivo, o desespero nunca será completo, pois a brasa do despertar vive em nossos corações.

Nós somos maiores que o medo e a separação. A dúvida, nascida do medo, deve ser respondida com a reflexão: o modelo vigente irá nos levar a lugares onde realmente queremos estar?

Tudo sobre Charles Eisenstein:
Essays/artigos:
Livros: 
Outros videos:
Histórias da Gift Economy:
Quer experimentar? Algumas dicas para começar:
Outras ideias para balançar o esqueleto:



[1] Tradução em português de acordo com Ciências Sociais: Economia de oferta, economia do dom, economia da doação, economia da dádiva ou ainda cultura da dádiva.

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Maria Eduarda Souza

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